Feed on
Posts
Comments

“Entender nossos sentimentos requer reflexão e auto-conhecimento.  Contudo, a sociedade atual não valoriza o investimento de tempo nesse processo, porque ele gera desconforto. Um exemplo claro disso: é cada vez mais comum namoros terminarem via internet ou por mensagem de texto… Parar para discutir a relação então, nem pensar… não há tempo para conversar sobre coisas que podem mexer com os sentimentos. No campo profissional, os feedbacks são banalizados, descontextualizados, oferecidos de maneira impensada e inconsequente, sem que se avalie seu real impacto em quem o recebe. Tudo isso tem um forte impacto na atividade do gestor.  Pessoas de qualquer geração tem dificuldade em abordar esse assunto mas é preciso assumir: dispender um tempo para falar de sentimento é uma atitude extremamente benéfica para as lideranças. ”

Para saber mais sobre os desafios dos gestores atuais, confira a íntegra da entrevista de Eline Kullock no vídeo publicado no portal Exame. 

Conectividade, internet, tecnologia, conflito de gerações… Se você se interessa pelo tema, então tem um bom motivo para ir ao cinema: “Homens, Mulheres e Filhos”, do diretor Jason Reitman. Baseado no livro homônimo de Chadk Kultgen, o filme aborda o impacto negativo da comunicação on-line nas relações familiares na sociedade contemporânea.

O enredo é composto de várias histórias que se comunicam entre elas e que, integradas, retratam as dificuldades de comunicação entre as famílias (pais e filhos e entre os próprios jovens) no mundo atual. Assim, na tentativa de lidar com suas angústias e neuroses, os personagens “escapam” para o mundo virtual.

Ao longo da história, percebemos como os pais se perdem na condução da educação de seus filhos, adotando a posição de “amigos”, se ausentando ou assumindo posturas rígidas e controladoras. Os jovens, por sua vez, não conseguem se expressar. Amparados pela possibilidade de fuga para o “on-line” – onde tudo é possível – investem pouco tempo e esforço no diálogo, preferindo finalizar uma conversa difícil com o famoso wathever (tanto faz).

Assim como na vida real, os principais personagens se comunicam, freneticamente, pelo celular e pelo computador, na busca de uma interação mais fácil do que a presencial, face-a-face. Mergulhando nesse mundo “editável” – no qual é sempre possível “apagar” uma resposta ou uma frase antes de enviar – eles tentam controlar suas emoções.

Os três principais são Tim, um jogador de futebol americano de 15 anos, abandonado pela mãe, com quem estabelece contato via Facebook. Deprimido, o garoto se refugia nos videogames e tenta uma relação de “real” com Brandy. A garota, por sua vez, é uma adolescente vigiada 24 horas por dia pela mãe, obsessiva por salvar a filha do “mau-caminho”. O pai de Tim também tem um papel importante porque, além de se sentir angustiado com o abandono da esposa, mostra a dificuldade em compreender as carências do filho.

Há ainda várias outras histórias em paralelo e que deixam o espectador desconfortável por conta de sua profunda identificação com a vida real. Exemplos disso são a adolescente que quer ser atriz e se comporta como uma adulta, fazendo selfies. Ou a teenager anoréxica, que sonha em ter um relacionamento com o rapaz mais bonito do time de futebol americano da escola. Juntos, esses personagens mostram como a virtualidade pode ser superficial, ambígua e, consequentemente, desastrosa.

Prova disso é que o universo do filme é completamente desprovido de afeto. Isto não quer dizer, necessariamente, que esse sentimento não exista, mas não está presente nas cenas, na relação cotidiana dos pais e seus filhos ou dos casais. É um sintoma que serve de alerta para repensarmos se a sociedade da relação virtual tem alguma interferência na demonstração dos nossos sentimentos para com as pessoas que queremos tão bem.

Trata-se, portanto, de um filme muito atual, que nos confronta com a complexidade da sociedade pós-moderna. Essa mesma sociedade que dizemos compreender muito bem, enquanto fingimos estar integrados. Assim como os personagens de “Homens, mulheres e filhos”, nós também tentamos desesperadamente nos encaixarmos no modelo do momento, o “carpe diem – curta o dia”. Modelo, aliás, egoísta, autocentrado e com uma visão distorcida do “outro” a partir da nossa própria visão de mundo.

A história mostra ainda, com muita clareza, esta sociedade moderna, em “rede virtual”, na qual as diversas “personas” que nos habitam agora podem ser externalizadas (e não mais sufocadas). Por meio de suas histórias de vida, os personagens vão se confrontando com a realidade e, ao mesmo tempo, vão nos incluindo nesse emaranhado de sentimentos. É como se vivêssemos, por meio deles, essa experiência de “des-comunicação” e de “pré-conceitos” em relação ao que é certo ou errado na vida.

Recomendo, por tudo isso, que você vá assistir. “Homens, mulheres e filhos” pode ajudar na reflexão sobre se somos capazes de lidar com as demandas da vida atual. É um gancho para trazer à tona a questão das relações interpessoais, os papéis que assumimos nas relações familiares e as expectativas de cada um.

Vou ainda mais longe: acho que ele deveria ser mostrado em escolas e ser base para boas discussões sobre valores do mundo contemporâneo. Há uma grande oportunidade para cada um que assisti-lo, independente da geração, se engajar em diálogos sobre a complexidade dos tempos atuais e assim, tentar descobrir de que forma isso atinge a nós, nossas relações em família.  Atrás de toda essa reflexão está, certamente, a chave para educar a Geração Y nos dias de hoje. #ficaadica

 

 

 

Sabemos que o processo de aprendizado da geração Y é diferente daquele das gerações anteriores.

Esse jovem faz as coisas na base da tentativa e erro, sem manual, aprendendo de forma autônoma e sem tanta pressão.

Eles aprendem muito mais com seus pares – amigos, membros do seu grupo – do que com os seus professores, pais ou ou superiores hierárquicos.

Quer saber mais sobre esse tema?

Então clique nesse video, que fiz para o portal Exame. 

 

 

 


Até onde o nosso talento para desenvolver e aprimorar máquinas inteligentes pode nos levar? Segundo uma declaração dada na semana passada pelo renomado físico inglês Stephen Hawking, o avanço da inteligência artificial pode extinguir a raça humana. A profecia parece catastrofista, mas a afirmação deste que é um dos cientistas mais conceituados da atualidade foi baseada apenas em fatos de nossa própria realidade.

Para Hawking – que, aliás, depende da tecnologia para poder conviver com a doença que rara da qual é portador (esclerose amiotrófica), o desenvolvimento de robôs pensantes é uma real ameaça à espécie humana já que, segundo ele, as máquinas poderão nos substituir completamente no futuro. Alguns cientistas já vêem robôs fazendo boa parte do trabalho humano em menos de 30 anos!

Noticiada em diferentes mídias no mundo todo, a afirmação bombástica de Hawking não deveria ser motivo de histeria. Pessoalmente, acho que apenas as atividades mais braçais vão realmente desaparecer e que nós, humanos, ainda vamos ter muita serventia neste mundo, por muitos e muitos anos. Entretanto, a declaração não deixa de ser um alerta para repensarmos a sociedade do futuro. Afinal, sabemos que muitas mudanças serão promovidas em nosso cotidiano a partir de novas descobertas, mas a questão é: quais tecnologias devem realizar as rupturas mais profundas na sociedade, tal qual a conhecemos? E quanto ao impacto no mundo do trabalho:  que profissões devem realmente desaparecer com tanta inovação?

Claro que as novas tecnologias introduzidas até aqui não apenas extinguiram profissões como também criaram novas. Resta saber se a balança vai se equilibrar entre as ocupações que sumiram do mapa (como telefonista, datilografa) – ou se substituem – (o cocheiro que conduzia charretes trocado pelo motorista) com as novas, como o desenvolvedor de aplicativos ou o gerente de sustentabilidade…

E a atividade agrícola, essencial para nossa sobrevivência, conseguirá escapar ilesa? Um exemplo de mudança já em prática é a “agricultura urbana”, que propõe que o cultivo de hortaliças, frutas e verduras fique mais próximo dos consumidores – em cada bairro ou comunidade. Isso ajudaria a evitar o deslocamento dos alimentos para, além de economizar tempo e dinheiro, promover a integração da comunidade na produção de sua própria comida.

O escritor Peter Diamandis, autor do best seller “Abundância”, vai mais além nessa questão e prevê que, no futuro, as plantações nas cidades serão verticais, viabilizando o plantio e a colheita o ano inteiro, sem uso de pesticidas e sem contaminação do solo. Essa nova prática agrícola permitiria não só obter alimentos mais saudáveis, como também daria emprego à comunidade próxima e diminuiria o trânsito. Além disso, por ser uma atividade com novas técnicas, deveria gerar novas profissões também.

O futurista Thomas Frey, em seu livro “Communicating with the future” nos dá exemplos concretos de algumas invenções que determinarão a morte e o nascimento de profissões. Por exemplo, em função da possibilidade de carros se auto-dirigirem (há textos sobre o tema IG ou no Exame), algumas funções como motoristas de táxi, de ônibus e de vallet parking, além dos policiais de trânsito, cairiam em desuso. Falar de carros tão inteligentes pode parecer muito futurístico, mas as montadoras já têm equipes de pesquisa trabalhando no assunto. Prova disso é que alguns veículos já estacionam sozinhos!  Da mesma forma, os aviões podem ser pilotados à distância, fazendo com que a função dos pilotos mude completamente.

Outra grande invenção que pode abalar as estruturas sociais são os drones. Eles já são utilizados na Amazon e vão mudar dramaticamente algumas tarefas do nosso dia-a-dia. Já sabemos que existirão drones de todos os tamanhos e formas, voando baixo ou alto, para o bem e para o mal. E quando eles realmente forem aperfeiçoados, os entregadores serão, certamente, uma profissão extinta. Talvez até mesmo os correios, que viram sua atividade se reduzir à entrega de pacotes, acabem de vez depois dessa…

Mas a revolução não para por aí. Os drones também poderão nos substituir em funções relacionadas ao controle da agricultura, em especial o plantio, que poderia ser controlado à distância. Talvez por conta dos mesmos drones, milhões de outros serviços braçais – como os de monitoramento (segurança e vigilância) também estejam fadados a morrer. A esta altura você deve estar pensando, como eu, no cientista inglês Hawking: a tecnologia talvez esteja indo longe demais, aonde nem precisava! Parece não haver limites quando o assunto são as mudanças que estão por vir.

A popularização da impressão em 3D, por exemplo, é outra novidade que vai, muito provavelmente, revolucionar nossas indústrias. Descobri hoje – conversando com meu dentista – que as obturações já podem ser feitas por moldes a partir de imagens 3D enviadas aos laboratórios. Fiquei pensando que talvez os próprios dentes possam ser feitos/redesenhados a partir da realidade que a tecnologia em 3D permite. Certamente a função dos dentistas e protéticos e dos médicos também mudará completamente!

Mas e a fabricação de produtos, também sofrerá consequências?  Com o avanço dos estudos da engenharia de materiais, está provado que será possível construir dentro de casa artigos que hoje estão em uma linha de produção, como mostra este artigo, feito já no Brasil. Isso significa que os marceneiros deixarão de existir? E as fábricas, como conhecemos hoje, serão repensadas? Será possível construir casas a partir da impressão em 3D? Uma empresa chamada WASP, na Itália, já demonstrou que isto é possível.

Big data, inteligência artificial,robótica…! Que outros profissionais isso tudo vai afetar? Será que os contadores e auditores serão substituídos por programas de computador ou aplicativos de celular? E as mudanças na medicina: ainda teremos médicos nos consultórios? Ou chegará o dia em que, ao nos sentirmos mal, vamos entrar em uma farmácia (se elas ainda existirem), nos dirigir à uma máquina que vai colher nosso sangue com uma simples picada no dedo e vai, em seguida, informar que remédio tomar, com posologia e duração?  Existirão médicos e enfermeiros ou este trabalho será feito por robôs? Um mistério para o qual teremos resposta em pouco tempo, certamente.

Tudo isso prova que o futuro é fascinante e cheio de novas verdades. Pensando no perfil da geração Y, esses nativos digitais e loucos por tecnologia vão se adaptar a tudo isso com uma facilidade enorme. Afinal, suas vidas têm sido pautadas por mudanças constantes, entre bits e bytes. Mas eu sempre me pergunto: nós, das gerações mais velhas, estamos preparando os jovens para essa realidade? Ou ainda temos universidades voltadas para profissões do passado, com funções que já não serão exercidas da mesma forma? Com estas novas mudanças, o conceito de “long life learning” (aprendizado contínuo) do qual tanto falam os RHs, é mais urgente do que nunca! Qualquer engenheiro, médico, economista, agrônomo, físico, químico ou dentista que não se atualizar constantemente estará fora do mercado.

Acredito que a mudança deva começar pelos profissionais de RH, em especial recrutadores. Será necessário desaprender e reaprender a cada dia. A bagagem adquirida na faculdade, ainda que o profissional tenha se formado no ano passado, provavelmente já não é mais a melhor forma de conseguir um bom resultado ou performance. Sabemos que a maior parte das vagas no Brasil não consegue ser preenchida por falta de qualificação profissional, segundo o SINE. A taxa de aproveitamento é de somente 25%.

E nós, em nosso papel de família, como podemos ajudar nossos filhos e netos a se prepararem para este cenário cheio de desafios? Como contribuir para que as escolas formem melhor nossos pequenos para esta realidade que já bate à nossa porta? E as organizações, como serão estruturadas daqui em diante?  Vale lembrar que o trabalho à distância é uma possibilidade positiva e que deve ser considerada pelas empresas na relação com seus empregados.

Mas vamos e venhamos: nada disso deveria assustar tanto assim. Nem a tecnologia nem qualquer previsão me convencem que seremos completamente substituídos por máquinas. Acho que elas vêm sim substituindo gente e eliminando postos de trabalho (o inglês Tim Harford, economista, escritor e colunista do Financial Times, escreveu há um ano sobre isso), mas não dá para dizer que elas vão, literalmente, tomar 100% das nossas tarefas. Senão, quem irá construir as máquinas e pensar na tecnologia, afinal?

Pessoalmente, acho uma delícia viver nesse ambiente de constante mudança. Essa vibe nos movimenta, nos faz sentir vivos e demanda nossa visão crítica constantemente. Nos impele a rever e verificar se nossas ideias e projetos ainda são válidos e factíveis, nos obriga a refletir e antever o mercado com seriedade. Em vez de prever nosso fim enquanto raça humana, prefiro aproveitar ao máximo as coisas boas desse admirável mundo novo. Espero que você esteja do mesmo lado que eu!

 

Acabou de ser publicada, no portal da Exame, uma entrevista minha falando sobre porque os jovens mudam de emprego com mais facilidade e frequência do que profissionais de outras gerações. 

Para começar, acredito que a explicação está na maneira deles encararem o trabalho e o futuro profissional. Para os Ys, o conceito de carreira que conhecemos – estudar uma área e atuar nela até se aposentar – praticamente não faz parte das suas aspirações de vida.

Eles vivem em um mundo de profissões e atividades novas surgindo o tempo todo e, embalados por essa realidade, querem experimentar tudo. Diante desse leque de possibilidades, buscam viver e conhecer coisas novas todo o tempo, e têm horror a passar a vida toda fazendo “a mesma coisa”.

Por outro lado, essa geração não aprende mais por meio de manuais, como as anteriores, mas sim por tentativa e erro. Assim, quando vão para o mercado, esses jovens se interessam mais pela bagagem do que pela carreira em si. Uma vez que o aprendizado foi adquirido, querem “partir pra outra”. Se a tarefa ficar muito repetitiva então, tratam logo de “pedir divórcio”…  Os laços duram menos e as relações são mais efêmeras.

Também, pudera. Eles cresceram na sociedade do “carpe diem”, motivados o tempo todo a aproveitar o dia de hoje ao máximo. Talvez por isso desenvolveram essa necessidade de estar em vários lugares ao mesmo tempo, podendo assim dar vazão às suas potencialidades. Isso se aplica à vida pessoal mais também à profissional.

Diante desse cenário, as organizações precisam se mexer se quiserem conservar esses jovens na empresa: reter talentos nunca mais será como antes. É preciso, então, que encontrar – para ontem-  novas formas de motivar os jovens.

Confira aqui, na página da Exame, a integra da entrevista.

 

Nos aproximamos do Natal e a mídia – social ou tradicional –  insiste em nos lembrar que é tempo de celebrar e oferecer um mimo para quem queremos bem. Ou seja: é hora de comprar presente e gastar dinheiro. E, convenhamos:  há poucas coisas que nos dão tanta satisfação quanto voltar pra casa cheio de sacolas. Mas você sabe por quê?

 Simplesmente porque o ato de comprar libera em nosso organismo uma substância produzida pelo cérebro – a dopamina – também conhecida como “a droga do prazer”. Assim, consumir provoca uma onda de dopamina, nos invadindo de sensações prazerosas como o poder, a segurança e o sentimento de estar no “controle” (mesmo sem, na verdade, estarmos). Afinal, é sabido que não comandamos nada: o mundo é imprevisível e o futuro, incerto. Mas não há nada de novo nisso.

A novidade é que agora temos mais acesso à informação e, portanto, conhecemos os impactos de certas coisas em nossas vidas. Vamos ter água no ano que vem? A inflação vai aumentar e pesar no cotidiano? O custo da energia vai subir muito? Tudo isso hoje é quase previsível e saber de antemão ajuda no planejamento do cotidiano. Além disso, o fácil acesso a instrumentos de socorro financeiro (empréstimos, cartão de crédito…), nos impulsiona a planejar menos e gastar mais. “Amanhã damos um jeito de pagar tudo isso”.

Apesar da sensação de “viver a vida intensamente” que esse consumo forçado nos dá – em especial no fim do ano –  as incertezas sobre o amanhã geram angústia. Este “flutuar pela vida sem pouso certo e em alta velocidade” é característico dos novos tempos. Eu costumo brincar dizendo que estamos todos em “uma montanha russa dentro de um trem fantasma”. Acho que é uma frase que traduz bem a sociedade do hiperconsumo.

Dessa forma, estimulados por uma sociedade que diz, o tempo todo, “ viva o dia, não deixe para curtir no futuro porque ele é incerto”, saímos feito loucos obedecendo cegamente ao “espírito de Natal”. Até o Papa aparece na TV dizendo para vivermos intensidade o presente! Ora, se até ele autoriza o “presentismo”, o que há de errado nisso, então?

Aparentemente nada porque, mesmo sabendo de tudo isso, entramos nessa roda viva e dizemos para nós mesmos, (tentando nos livrar da culpa e do egoísmo): “ Esses presentes não são para mim, então tudo bem”. Talvez porque esse ato de presentear com data marcada também seja uma forma de nos sentirmos mais perto das pessoas. Afinal, vivemos em uma sociedade sem tempo para os amigos. As agendas estão lotadas de compromissos e não deixam brechas para um encontro real e presencial, sem pressa, para rir um bocado e relaxar.

Comprar nos preenche também esse vazio da solidão cotidiana, acentuado por vermos sempre nossos amigos pelo Facebook comemorando com outras pessoas. “Como eu não estava nessa festa?”, pensamos, frustrados… Por outro lado, quem publica no Facebook os momentos de celebração para provar a si próprio que tem um círculo bom de amigos, acaba acentuando a solidão dos que não estiveram em cada encontro… Mundo de contradições, esse nosso.

A angústia, a solidão, a dopamina, a necessidade de estar no controle, o prazer da compra, a autoconfiança proporcionada pelo consumo, tudo isso passa por todos nós durante o período que chamamos “ de festas” (como se não pudesse haver festas em outras épocas!). E nem nos damos conta. Somos apenas levados pela onda…

Se compramos para os filhos, então, o prazer é dobrado. “Quero dar a eles o que não tive” e “faço tudo pelos meus filhos” são frases que escuto constantemente no meu cotidiano. Parece que cada vez mais os pais precisam ter certeza do afeto dos filhos em uma inversão de valores impressionante. Não são mais os filhos que mostram aos pais o seu apreço; agora é o momento dos pais da Geração Y provarem que amam sua prole. Fica a impressão de que tentamos diminuir distâncias não palpáveis com os presentes dados embora, lá no fundo, saibamos que há formas mais eficazes de fazê-lo.

O grande problema é que o mês das festas passa. E aquela sensação de prazer ao comprar presentes acaba quando o presente é dado. Mas o nosso cartão de crédito chega em janeiro incomodando, e lembrando que talvez poderíamos ter poupado algo para aliviar o bolso em uma época tão cheia de contas extras para serem pagas.

Acho que não podemos restringir às festas nossa tarefa de manter os laços de afeto com quem amamos. E nem culpar a sociedade de hiperconsumo em que vivemos por não fazermos isso de outra forma e com mais regularidade. Sabemos que não será a partir dos presentes que nossos filhos, pais, parceiros ou amigos vão gostar mais ou menos de nós. Esse afeto precisa ser mantido ao longo do ano e não só no final dele (ou nos dias de aniversário!).

Temos que repensar nossas ações se quisermos nos sentir um pouco menos isolados e solitários nos dias curtos de agenda cheia ao longo do ano. Há outras formas de prazer e de produção de dopamina no nosso cérebro que não implicam em gastar dinheiro e retroalimentar a sociedade do consumo. Temos que sair do lugar comum e refletir de que forma somos mais felizes, planejando o uso do nosso tempo que é um bem tão escasso nos dias de hoje.

Se deixarmos para comemorar somente no Natal e por meio de presentes, corremos o sério risco de nos deprimirmos passado o calor do evento, porque concentramos nossos esforços em uma atividade que, por definição, acaba. O Natal resume-se à uma noite e um dia, não custa lembrar.

Já o projeto de felicidade é contínuo e não pode se restringir a “comprar”. Mesmo que seja para os outros. Devemos expressar nosso afeto de outras formas. E eu sugiro que seja pelo abraço, pelo beijo, pelo carinho. Que seja por dizer ao outro que ele é importante. E que seja um projeto de ano inteiro, sem começo e sem fim. Tenho certeza que a dose de dopamina será muito mais intensa. E constante.

Qual é a carreira que mais combina com a geração Y? Como ser um bom gestor para  esses jovens profissionais? E quais são as principais características da geração anterior, a X?

Esses são os temas dos três primeiros videos – de uma série de 10 – que gravei para a Exame.com falando sobre as gerações.

Quer saber mais? Então confira a íntegra dos videos logo abaixo:

Perfil de carreira para a geração Y

Como ser um bom gestor para a geração Y?

Quais são as características do profissional da geração X?

 

 

 

Há anos lidando todos os dias com jovens em início de carreira, cheguei a uma séria conclusão: a geração Y está mais perdida do que nunca. Como consequência, o descompasso de compreensão entre as gerações só cresce. Tenho cada vez mais a sensação de que é preciso muito esforço para entender o que essa geração quer dizer. Quantas vezes vi essa moçada patinando sem conseguir dar clareza a seus questionamentos ou à transmissão de uma ideia? O que vem deles tem chegado a nós, os mais velhos, de forma muito caótica.

Um exemplo: eles têm muitas dúvidas sobre a carreira, mas quando conversamos com eles, cavando um pouco para tentar entender o problema, eles não sabem explicar exatamente do que gostam ou o que esperam. Divagam, se explicam, mas não dizem nada tangível.

Outro: eles saem de uma empresa sem ter claro o motivo. Não têm explicação a dar nem à empresa, nem a eles mesmos. E começam a procurar um novo trabalho sem saber o que o incomodava no anterior. Na minha época, tínhamos uma entrevista de desligamento, na qual toda a roupa suja era lavada, e falávamos claramente o que tinha acontecido. Não era um exercício tão difícil assim e ainda ajudava na busca de um novo trabalho.

Um outro aspecto gritante do comportamento dessa geração e que está ligado a esse jeito nebuloso de se expressar é a dificuldade que eles têm em reconhecer e demonstrar sentimentos. E, nesse ponto, eu tenho uma vaga ideia do porquê: a busca do jovem está focada nos prazeres externos da vida. Tudo precisa ser “fun”. Tem que curtir, senão não tem graça. Tenho a impressão que eles não conseguem – ou não sabem como – captar as dopaminas internas que todos temos, nos pequenos prazeres, nos pequenos momentos e nos aprendizados que valem muito…

Volto aos sentimentos, porque é algo que me impressiona nessa geração. Analisemos. Os Y terminam relações por WhatsApp. Jogam um segredo alheio no Secret sem se importar com as consequências daquilo para a vida da pessoa atingida. Eliminam pessoas do Facebook sem o menor critério, no calor de qualquer desagrado, sem pensar no futuro e em suas infinitas possibilidades e cruzamentos. O importante é eliminar o problema já. O resto… depois a gente vê…

Acredito que essa impulsividade torna essa geração menos previsível e, portanto, mais angustiada. Na ânsia da busca pelo prazer o tempo todo, prejudica a construção das relações afetivas. Afinal, elas demandam paciência, compreensão, perdão, diálogo, e todas essas outras tarefas que dão muito trabalho! Interessante notar que agindo no calor das coisas, eles acabam gerando outros sentimentos negativos (fobia, insegurança, medo) e se distanciando da razão inicial do que os angustia…

Falar e entender nossos sentimentos nunca foi algo simples, embora muita gente acredita dominar o autoconhecimento. Mas percebo que a geração Y tem ainda mais dificuldade nesse campo. Primeiro porque está “aparentemente” ocupada com sua agenda lotada: deslocamentos intermináveis, trabalho, academia, redes sociais. Depois, porque isso parece chato para eles (como tudo que requer um pouco mais de profundidade).

A famosa DR (discussão da relação) é abominada pelos jovens, e não é por acaso. Eles têm a sensação que aquilo é uma bronca e não um exercício importante para expor, discutir e entender seus próprios sentimentos. Talvez porque se conheçam pouco e não dispensem tempo para este momento de reflexão. Nesse caso, fica mesmo parecendo perda de tempo. Com tanta coisa a fazer em uma sociedade medida pelo número de pages view, ainda tem gente querendo falar de sentimentos?! Tenham dó.

Mas, é claro que o jovem tem sentimentos, e eu não seria maluca de dizer o contrário. Contudo, penso que, ao se sentir frustrado, ou com raiva, ciúme, inveja, desprezo, desespero, mágoa, tristeza (sentimentos que se traduzem basicamente em angústia) ele tende a escapar da situação em vez de discuti-la. Discutir causa estresse e a geração Y tem pavor disso.

Como boa Baby Boomer que já errou e acertou muito nesta vida, e grande observadora dessa geração, gostaria de deixar um ensinamento aos Ys: não adianta fugir dos sentimentos. Ignorá-los não leva a angústia embora, ao contrário: mal resolvida, ela pode voltar ainda mais forte.

A vida necessita de pausas e elas não representam perda de tempo. Ao contrário, são parte do amadurecimento e do crescimento. Dê um tempo a si mesmo simplesmente para pensar – o chamado ócio criativo – para admirar as coisas ao redor ou para refletir sobre o quanto você se conhece. Descobrir o que faz ter amor ou raiva, sentir inveja ou orgulho, o que realmente o deixa feliz ou chateado. E claro, pensar nas reações caso a caso.

No ambiente profissional, é possível aplicar a mesma regra: diga sem rodeios ao seu chefe o que não está gostando. Explique suas dúvidas a ele em vez de ir discutir o assunto com outra pessoa. Ele é a pessoa que pode dar as respostas mais adequadas às suas questões. Procure um tempo na agenda de ambos (não vale fazer isso na hora de ir embora), explique que gostaria de ter uma conversa com ele. Mande pau, mas sem agressões. As pessoas mais velhas tendem a se sentir agredidas quando são confrontadas muito diretamente. Colocá-lo contra a parede também não funciona. Só pergunte, escute e fale. Seu desafio é nunca começar uma frase com um “não”.

Para finalizar, aplique esta última regra também na vida: converse mais sobre seus sentimentos com pessoas de quem você goste. Não é fácil, no início. Nunca é para ninguém. Mas uma vez dentro dessa dinâmica e usufruindo dos seus benefícios, você verá como pode ser bom entender seus próprios sentimentos, expor suas dúvidas e ouvir conselhos, opiniões, elogios e, por que não, críticas. Tudo isso ajuda a crescer.

*Reprodução do post e Eline Kullock publicado originalmente no Portal da Competência

 

Terminei o último post falando da angústia da geração Y porque queria aprofundar o tema que está, volta e meia, no centro do debate sobre os males dos tempos atuais. Levando-se em conta que somos, em geral, uma sociedade dominada pela ansiedade, não é novidade que os mais jovens também o sejam. Mas, é interessante analisar os motivos pelos quais somos mais deprimidos do que nossos pais e avós…

Em primeiro lugar, o mundo está cada vez menos previsível. De fato não sabemos, ao acordar, como o dia terminará. Há mais violência – assaltos, sequestros, assassinatos, estupros, acidentes – e isso, por si, já nos obrigada a enfrentar, cotidianamente, o sentimento de incerteza. Da mesma forma, estamos sempre atrasados para o próximo compromisso, tentando encaixar tudo o que precisamos fazer nas nossas minguadas 24 horas do dia. Gastamos mais tempo no trânsito, nos deslocamentos (em grandes e médios centros urbanos), perdendo uma grande fatia de nossas horas úteis, o que nos deixa frustrados.

A cada dia (ou a cada hora!), o valor das empresas onde trabalhamos varia, e elas podem admitir ou demitir seus funcionários, fundir com outras empresas ou ficarem obsoletas, se o mercado desenvolver produtos ou serviços de mais valor. Até nossa tarefa – hoje primordial – corre o risco de ficar obsoleta, em função do crescente desenvolvimento da tecnologia. Isso significa que profissionalmente também somos instáveis, apesar de ainda contrairmos dívidas a longo prazo, apoiados em uma enganosa sensação de estabilidade.

Em segundo lugar, os pais dos jovens da geração Y os educaram dizendo que eles eram ótimos. Todos os educadores de plantão disseram que aquelas crianças aprenderiam melhor se tivessem uma autoestima alta. E, diferentemente das gerações anteriores, eles cresceram ouvindo que poderiam fazer o que quisessem de suas vidas. A campanha de eleição de Barack Obama dizia “Yes, you can” é um exemplo clássico da educação de nossos tempos, na qual damos todo o poder aos mais jovens.

Desde cedo, esses mesmos pais deixaram os pequenos realizar escolhas: da roupa que iriam usar, da comida que iriam comer, dos lugares aonde queriam ir… Para um Y, tudo isso pode parecer muito natural e normal, mas não foi sempre assim. No passado, não era o pai da família que decidia aonde todos iriam no domingo? Não era a mãe quem colocava a mesa, servia a comida e dizia: “lambam os beiços, porque é o que temos para o jantar”? Não era normal uma criança optar tanto por tudo, ter tanta voz, tanta opinião. Essa situação é relativamente nova e veio se estabelecendo com a evolução da sociedade hipermoderna, dando um “empowerment” aos jovens jamais vivido por gerações passadas.

Além disso, outra coisa mudou: vivemos no mundo do “muito”. Na minha época, havia seis ou sete carreiras que alguém poderia seguir na vida, três ou quatro modelos de carro, com menos de cinco opções de cores. Ou seja: havia pouco de tudo. Hoje, com a customização e a tecnologia, vivemos o contrário. Quer um exemplo? No Brasil, temos à disposição pelo menos 100 cursos universitários. Se pensarmos em marcas de telefone celular, televisões, carros, perderemos certamente a conta…

Interessante notar que, com o nascimento da compra virtual, foi possível variar as ofertas, colocando na “prateleira” produtos antes muito caros para serem expostos em uma loja, onde há o valor do aluguel incluído. O autor Malcolm Gladwell fala disso com propriedade em “A Cauda Longa”. Agora, produtos para canhotos, para idosos ou para o público GLBT viraram boas oportunidades para os fabricantes. Sem o custo fixo da vitrine, produtos específicos de mercados segmentados puderam ser expostos e comprados, aumentando em muito nosso leque de opções.

Contudo, ter muitas opções – que deveria nos proporcionar prazer e satisfação –nos gera angústia. Em “O Paradoxo da Escolha”, Barry Schwartz diz que, nos tempos modernos, conquistamos mais democracia e um grau maior de satisfação. Entretanto, essa sobrecarga de poder, sem a real noção das consequências das nossas escolhas, nos deixa mais tensos e, ao mesmo tempo, cria expectativas irreais do tipo: “se você fizer esforço, consegue o que quiser!”. Para Schwartz, o problema é ainda mais sério: o excesso de opções pode nos levar à depressão.

Se repararmos bem, isso já é realidade no que diz respeito às nossas opções de trabalho, de afeto, de esportes, de locais para viver, de estilos de vida e de bens pessoais. Com a sociedade do consumo nos dizendo todo o tempo “consuma este produto ou aquele e seja mais feliz”, a pressão da escolha aumentou, nos gerando mais angústia. Ver os amigos consumindo “outras festas, pelo Facebook” ou Instagram e não ter sido convidado, não estar participando, já é fator de angústia relevante para o jovem. Assim, poder estar em vários locais ao mesmo tempo, por meio das redes sociais, contribui seriamente para a frustração da geração Y.

Moral da história? Precisamos, junto com os jovens, refletir sobre as consequências desse paradoxo do muito, que tanto nos dá prazer, mas que pode nos levar a nutrir sentimentos negativos ao sermos engolidos pela gama exagerada de opções. O primeiro passo é reservar um tempo pensando em como isso nos afeta, e em como podemos ser mais felizes, aproveitando, claro, esse mundo que também é maravilhoso com tantas boas possibilidades, convenhamos.

*Reprodução do post e Eline Kullock publicado originalmente no Portal da Competência

Uma das características determinantes de uma geração é, certamente, seu modelo mental. Esse modelo nada mais é do que a maneira de agir, pensar e de ver o mundo e as coisas, construído a partir dos usos e costumes da sociedade vigente. Nesses usos e costumes estão incluídos momentos históricos e políticos, evolução tecnológica, comportamento da família e do entorno, opinião pública, moda, entre outros fatores que podem afetar a formação do nosso caráter e influenciar nosso comportamento.

Um exemplo simples: eu vivi o tempo da carta. Aos 15 anos, quando morei em Londres, por exemplo, eu me comunicava com minhas amigas no Brasil por meio de troca de cartas. Se eu perguntasse, em uma delas: “Como foi sua festa de 15 anos?”, ia ter que segurar a curiosidade e esperar “um pouco” pela resposta. A carta demorava cerca de quinze dias para chegar no Brasil. Se minha amiga fosse rápida e me escrevesse logo em seguida, a resposta levaria ainda mais quinze dias para chegar às minhas mãos. Assim, com sorte, em um mês, eu teria a resposta na minha “caixa de entrada”…

Quando eu conto isso aos jovens da geração Y, sinto que eles ficam realmente passados. Para eles, é impensável se imaginar em um mundo desses, onde seria preciso esperar um mês para ter uma notícia que hoje se tem em questão de segundos… Assim, essa minha experiência – de ter vivido na época da carta e ainda ter “alcançando” a era do Twitter e do Whats App, ferramentas que eu uso e domino – me proporcionam um modelo mental único. Significa que ele é diferente do modelo mental do jovem – que nasceu com a tecnologia – mas também muito distinto do modelo mental dos mais velhos, que ficaram só na carta…

Engraçado que a moçada de hoje não sabe sequer o que é um papel de carta. Quando mostro, em palestras ou treinamentos, o papel de carta da minha época – aquele fininho, que a gente usava para pesar menos no correio via aérea, percebo que o jovem não tem registro do que seja aquilo. Eles geralmente demonstram a mesma reação de quando veem uma máquina de datilografia manual…

Trata-se de uma questão de referência. A rapidez do mundo atual nos faz ter interpretações diferentes de um mesmo termo. A partir do meu modelo mental, “rápido” é uma coisa completamente diferente para mim e para um millenial. Assim como quando uso referenciais internos para dizer “longe” ou “perto”, a noção de rapidez passa pelo mesmo processo: nossa forma de ver o mundo e nosso modelo mental.

A noção de rapidez se modificou muito com a sociedade do hiperconsumo. Nos dias de hoje, o marketing agressivo do “carpe diem” pede que a gente se divirta agora, porque o amanhã não é controlável e pode nem existir. Ele nos impele a comprar já, porque amanhã o produto pode ter se esgotado. Essa sociedade da rapidez e do presentismo, que nos estimula para que o prazer seja imediato, também é a responsável por guardarmos cada vez menos dinheiro. Não é à toa que o nível de endividamento da população tem aumentado, na mesma medida em que o nível de poupança tem diminuído.

Nessa ânsia, do “faça hoje e faça rápido” os jovens entraram em um processo angustiante de querer estar em todos os lugares ao mesmo tempo. O Facebook, e as redes sociais, de forma geral, estimula este comportamento. Porque nesse universo, em que todo mundo compartilha diversão o tempo todo, o jovem sente a necessidade de estar presente em todas. Quer curtir tudo, quer comentar tudo, quer fazer parte. Quer ser feliz.

Você já deve ter presenciado a cena: um jovem, em uma festa, fazendo selfies, postando e comentando no Facebook, subindo fotos no Instagram, se exibindo, feliz, sem estar, necessariamente, “participando” do evento. Está apenas presente – e quer mostrar que está – mas não vive de verdade o momento. Mesmo assim, ele fica ali olhando as postagens da timeline, e tem a impressão que a grama do vizinho é sempre mais bonita, ou seja, tem sempre alguém curtindo mais do que ele em outro lugar, em outra balada.

Analisando tudo isso, é possível entender que o jovem muda de emprego quando se entedia. Ele imagina – pelo que vê todo dia na tela do seu smartphone – que os amigos estão se divertindo mais do que ele no trabalho. Então, ele muda nessa busca incessante do prazer instantâneo, e constante. É o mesmo tipo de comportamento que o leva a sair da festa e ir correndo para “aquela outra”, que parecia mais divertida…

Este ciclo é extremamente frustrante e angustiante. Viver nessa “vibe” pode causar depressão, porque não é fácil ter que escolher entre tantas opções para ter seu prazer instantâneo e, no fim, nem mesmo ter essa garantia. Mas isso é tema para outro post. Quem sabe no próximo?

*Reprodução do post e Eline Kullock publicado originalmente no Portal da Competência

 

Older Posts »