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paiefilha
Por Tatiana Kielberman

No último sábado, a ocorrência de um fato inusitado me fez pensar. Eu estava de férias na casa do meu pai, mostrando a ele alguns de meus amigos virtuais, quando de repente ouço: “Você persegue ‘fulano’ no Facebook?”.

Não pude deixar de rir por um momento, pois ele parecia querer unir duas redes sociais em uma, já que só é possível seguir pessoas no Twitter e não no Facebook. Nesse último, pode-se adicionar pessoas e conversar com elas, mas desde que sua solicitação seja aprovada, enquanto no Twitter não há essa regra. Além disso, espera-se que não haja perseguidores nas redes sociais – e sim seguidores, muitos deles!

Brincadeiras à parte, talvez meu pai ainda esteja se familiarizando (em grande estilo!) com as redes sociais, mas ele sempre foi considerado uma pessoa tecnologicamente “antenada”. Costuma saber das principais tendências antes de todo mundo e, quando vê surgir algo mais avançado em hi-tec, corre para descobrir vantagens e desvantagens do novo produto ou marca.

Porém, há algo que me impressiona nisso tudo: mesmo sendo tão pioneiro em termos de mundo globalizado, ele se remete às suas raízes mais profundas para explicar determinadas situações ou resolver problemas.

É comum ouvi-lo dizendo frases como “Minha mãe já dizia…”, “Meu avô sempre me ensinou que…”, “Minha tia faria dessa forma…”. Mais do que nostalgia, o fato de voltar alguns anos em sua história, ainda que seja por poucos segundos, faz com que ele se lembre de quem é, ou seja, de sua base e de seus valores.

Outro dia, um diferente fato também me chamou a atenção. Estava atrasada e resolvi ir de táxi até a faculdade. Ao entrar no veículo e cumprimentar o motorista, percebi que no painel, logo abaixo do rádio, havia fotos de sua esposa e de seus filhos. Em minha opinião, um gesto como esse é, no mínimo, louvável nos dias de hoje. Por meio de uma atitude simples e sincera, o taxista se mantém próximo aos seus entes queridos durante sua rotina de trabalho.

Diante da noção de importância do núcleo familiar transmitida tanto por meu pai quanto pelo taxista, surge a pergunta: será que nós, da geração Y, valorizamos da mesma forma aquilo que é dito e ensinado por nossos pais? Sabemos atribuir o devido valor à sabedoria dos mais velhos sem menosprezá-los?

A juventude é a época em que amamos loucamente a tudo e a todos. Amamos também o conhecimento, a prática e a velocidade, mas perdemos muito em relação à qualidade de amor que nossos pais depositavam nas coisas e pessoas.

Nossa tarefa talvez seja, ao invés de julgar ou punir, batalhar em dobro para fortalecer nossas bases em direção a um futuro menos humilhante e mais digno. Assim, quando tivermos filhos, será a nossa vez de ter a foto da família no painel do carro, de relembrar os momentos passados junto aos nossos pais e fazer referências ao que aprendemos de precioso com eles.

Afinal, mesmo sendo diferente e inovadora em muitos aspectos, a geração Y não desaprendeu a sentir saudade…

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4 Responses to “Como a geração Y pode fortalecer suas bases para um futuro mais construtivo”

  1. Ao ler seu texto tive uma sensação tão boa! Pensei em base familiar, respeito, raízes, coisas que não devem ser deixadas de lado pela correria diária. Parabéns, adorei!

  2. Tati,

    Só sei de uma coisa… Se eu tivesse seguido algun, dos muitos conselhos que recebi. Seria uma pessoa bem melhor. Mas aos poucos vou resgatando os valores… E como é bom esse reencontro com esse tesouro tão precisos.
    Vinicius Todeschi Bandeira

  3. Nossa, que post ótimo!
    Mandou muito bem, Taty.
    Eu sempre fico pensando nisso: “perdemos muito em relação à qualidade de amor que nossos pais depositavam nas coisas e pessoas.” Principalmente porque meu pai nao me deixa esquecer que sou gente e nao maquina, todos os dias.rs
    Eu tenho que admitir que nós Y não somo exemplo de sensbilidade e amor fraterno, mas tamb;em sei que somos conscientes e capazes disso, basta se esforçar um pouquinho. Basta não encarar todo conselho de gente Boomer como cliche. Afinal conselho bom a gente tem que praticar. Parabens.

  4. ester disse:

    que dirá eu……….se deu risadas com teu pai,comigo vai passar mal…………..
    bjao
    ester

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