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Tenho lido muita coisa que ensina a Geração Y a se comportar. Isso vale tanto para entrevista de emprego como para a etiqueta no mundo virtual, em especial para as mídias sociais. No Orkut, várias comunidades como “eu odeio segunda-feira”, ou “eu odeio ter chefe” são consideradas como péssimas referências, já que podem ser consultadas para um processo de seleção. “Queimam o filme”, diriam os mais jovens…

Mas porque a Geração Y se expõe tanto? Será que não sabe se comportar como as empresas esperam? Não se preocupam com a própria privacidade?

O que sinto é que a Geração Y tem um conceito muito diferente em relação à Geração Baby Boomer (nascidos no pó-guerra) sobre privacidade. Na minha época, evitávamos exposição pessoal, pra não ser alvo de fofocas e preconceito. Nossos valores eram controlados pela família, por uma religião (qualquer que ela fosse), pela escola, pela comunidade e até mesmo pelos amigos dos nossos pais e avós!

Isso mudou principalmente porque os indivíduos perderam o vínculo com entidades que o controlavam no passado. A geração Baby Boomer também é responsável porque, por falta de opções, foi mudando de “casa”, “vilas”, “cidades pequenas”, de comunidades pequenas para se inserir na realidade e velocidade da civilização que envolve ter mais segurança, opções de trabalho, aceitação social, etc. Pela pressão de uma cidade grande e moderna, o jovem deixou o convívio em grupos pequenos, das turmas de rua, para se inserir em outros grupos, virtuais.

Esse sentimento do pertencer foi se transformando. O número de divórcios foi aumentando, famílias foram ficando desagregadas. E formando novas famílias. Foram surgindo os meio-irmãos, as meio-primas, o meio-pai; tudo ficou pelo meio. Interessante como, na nossa época, não existe uma palavra nova para o novo marido da “minha mãe” que não seja padrasto. Eu acho que a língua é um organismo vivo e os neologismos acompanham a sociedade. Se isto é verdadeiro, porque não há um neologismo para “a nova esposa atual do meu pai”?

Também acho que a forma permissiva como os BB educaram seus filhos, por querer se contrapor a uma educação mais castradora dos veteranos, não ajudou na criação de um super ego (instância interna), que permita ao indivíduo colocar limites para si próprio.

Acho que a situação do ritmo do mundo acelerado, onde os pais já não conseguem acompanhar seus filhos, quer na tecnologia, quer nas possibilidades de profissão do mercado, não contribuiu para que os jovens os considerassem como mentores.

Na minha época, tinha bonde (não é o que se entende por bonde atualmente). O bonde esperava no ponto por pessoas que ele sabia que precisavam do transporte naquele horário. E olhem que eu sou carioca e isso acontecia no Largo do Machado! A velocidade de hoje não permite nem que possamos lidar com o trânsito, os aviões, aeroportos. É a tirania da vida cotidiana.

Os BB precisam se manter jovens por uma pressão da própria sociedade! Compare uma avó do Sítio do Pica Pau Amarelo – dona Benta, a uma avó moderna. Como dizia Affonso Romano de Santana, os avós da época atual embalam seus netos ao som dos Beatles, de calça jeans e depois vão pra balada!

Para manter-se jovem, os pais desta geração Y fazem ginástica, malham, usam cremes, pintam o cabelo (não há mais velhinhas de cabelo branco!), fazem lipoaspiração, enfim, investem recurso e tempo na sua própria saúde e beleza, reservando menos tempo para seus filhos do que seus pais tiveram!

Conseqüência: os jovens encontraram nos amigos sua fonte de aprendizado. Foi o momento Wiki, de compartilhamento, que aconteceu em função da busca dos jovens por respostas que não encontravam na escola, na religião ou com seus pais.

O jovem, nesta liberdade concedida e absorvida se sentiu mais potente. Já falei num post anterior sobre como os pais baby boomer elogiaram demais seus filhos, diferente do que aconteceu com eles, e por isso essa geração mais jovem tem a auto-estima maior.

Na verdade, abriu-se para o jovem a ilusão de que o jovem da Geração Y pode tudo. Pode se expor, pode opinar, pode influenciar as decisões familiares, pode ter sexo filmado com qualquer companheiro (ou desconhecido).

Os costumes mudaram para os jovens de hoje, mas continuam vigentes para outras gerações. Daí, o descompasso. Não é que o jovem não respeite os mais velhos. Ele só tem nova significação para nossos conceitos. “Respeito”, pra gente é uma coisa. Pra eles, é outra. Então, ter uma foto mostrando a língua no perfil no Orkut , entrar na comunidade que não gosta de chefe, usar piercing, tatutagem, é natural. Não tem conseqüências.

O jovem passou a ser mais aberto, diferente do meu mundo adolescente de fofocas, onde eu não podia namorar um rapaz depois do outro (pronto, finalmente fiz meu vínculo com o começo!)

As empresas não assumiram estes novos “usos e costumes”. Não acreditam que possam sobreviver num ambiente tão competitivo, sem um mínimo de hierarquia e autoridade (não estamos falando em autoritarismo). As organizações precisam entender este jovem, mas precisam estar no campo de batalha do mundo plano, competitivo.

Como eu já disse lá, em outro post, é preciso “tirar os sapatos” para compreender outra geração.

A organização precisa sobreviver. Precisa de ordem e hierarquia. É quase um exército que precisa da ordem, do planejamento, do comprometimento e da “accountability” (responsabilização) para sobreviver. Mas também precisa desse jovem irreverente. E precisa entendê-lo.

Termino o meu texto, hoje, dizendo novamente o que digo sempre: É preciso que estas gerações sentem-se para dialogar. Para compreender. E é somente tirando os sapatos que isto vai acontecer. Com a alma de E.T.

2 Responses to “Competindo ou colaborando?”

  1. perdeu disse:

    O que sinto é que a Geração Y tem um conceito muito diferente em relação à Geração Baby Boomer (nascidos no pó-guerra)

    “pós-guerra”?

    • Eline Kullock disse:

      Oi,
      Eu também acho que, se não houver diálogo entre as gerações, haverá muito preconceito entre elas. Você é de qual geração? Quais são as impressões de um “Geração Y”com relação aos Baby Boomers?
      Obrigada,
      Um beijo,
      Eline

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