Feed on
Posts
Comments

Eu queria falar da auto-estima e como ela pode mudar, nas gerações, de acordo com o que foi vivenciado. A minha geração (Baby Boomer) não cresceu se achando “o máximo”. Enquanto nós crescíamos, o Brasil passava por uma forte ditadura e isso não ajudou em nada a levantar nossa auto-estima. O Brasil ainda não era BRIC. Éramos conhecidos por nosso futebol, nosso carnaval e nossas mulatas. Era muito ruim quando todos se referiam ao Brasil como o lugar do sexo fácil e não sabiam sequer os nomes das principais cidades (muitos ainda pensam que nossa capital é Buenos Aires!).

Isso ainda tem uma origem mais profunda. Notem que, quando falamos dos brasileiros, o sufixo é “eiro”, que se refere a trabalhador? (carpinteiro, marceneiro). O nosso sufixo não é ligado a povo (francês, inglês ou outros sufixos relacionados a “povo”!)

Por quê?
Porque quando os Portugueses colonizaram o Brasil, não tinham interesse que o povo se sentisse forte, para que não houvesse rebeliões. Se pensarmos bem, aqui todo mundo era indolente, preguiçoso, segundo os portugueses. Os mamelucos, por exemplo, palavra que vem do árabe e era usada para designar os filhos dos inimigos derrotados , era uma forma depreciativa de chamar os mestiços.

Nada na nossa história de “colonização” nos mostra que os portugueses queriam, a princípio, colonizar. Queriam mesmo é explorar aquilo que, para eles, naquela época, valia muito.

Assim o brasileiro não veio passando pelas gerações com uma alta auto-estima.

Diferente dos argentinos, a quem chamamos de arrogantes. Os argentinos tem uma alta auto-estima, em função da sua colonização. Os espanhóis mataram os indígenas, não trouxeram escravos da África e portanto, os seus habitantes eram europeus legítimos.

Assim – não se esqueçam que o Brasil era “nada” – quando a minha geração cresceu. E nós não nos orgulhávamos deste Brasil mal posicionado.

Ao contrário disso, a geração Y já cresceu com o Brasil sendo centro de atenções, o verdadeiro país do futuro.

Quando eu cresci era a época da independência da mulher.
Eu me lembro que, se eu namorasse muito, era chamada de sabonete (porque passava de mão em mão). Sair namorando todo mundo não era bem visto. E, é claro, “ficar” não era sequer um termo do nosso dicionário.

Na nossa época de adolescentes é que a pílula anti-concepcional apareceu. Vocês imaginam antes disso?
Crescemos sendo as revolucionárias. Quebramos muitos paradigmas. Separação não era normal, ser mãe solteira, então, era impensável.

Os mais jovens já cresceram com outro contexto. E o contexto faz uma diferença enorme.
Quando educamos nossos filhos, justamente a geração Y, queríamos que eles se sentissem fortes, potentes, felizes e, intuitivamente, com uma auto-estima maior que a nossa.

Nós interferimos tremendamente no contexto, e procuramos escolas menos severas que as nossas, colocamos nossos filhos em cursos de idiomas, em cursos de teatro, em aulas de arte e coisas parecidas.
Com tudo isso é claro que eles terão uma auto-estima maior que a da nossa geração!

O engraçado é que fizemos isso tudo, permitimos que eles questionassem tudo em casa. Como eu já disse, permitimos tudo em casa. Mas, e na empresa? Na empresa não aguentamos ver essa “meninada” questionando tudo.

Eu acho que essas questões podem ser resolvidas quando trazermos para cima do tapete a sujeira escondida. Se estes assuntos forem discutidos, todas as diferenças geracionais poderão ser realmente compreendidas e assimiladas.
Sem os sapatos.
Com a alma de E.T.
Vejam como nós criamos esta geração!!

Related Posts with Thumbnails

One Response to “Geração Y e Auto-Estima”

  1. reandrade disse:

    Parabéns pelo novo blog :-)

Deixe Seu Comentário