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Acho que agora todo mundo já conhece a história de Susan Boyle, aquela que foi vista 100 milhões de vezes no You Tube se apresentando no reality show inglês “Britain’s Got Talent 2009“. Irlandesa, de 47 anos, solitária e, na minha geração, a gente diria “desprovida de atrativos”. Isto quer dizer que ela não é bonita. Mas apareceu no programa e deu um show cantando uma música difícil do musical Les Miserables. Vale a pena ver o vídeo.
E o que isto tem a ver com a Geração Y? Tudo!

Primeiro ficamos impressionados com a rapidez com que esta história aconteceu. Ela cantou há 6 dias e milhões de pessoas já viram este vídeo. Como pode? Ela foi tema hoje na CNN e outras redes de televisão com um imenso espaço. Como pode?

Impressionante o poder das mídias sociais. Alguém colocou num lugarzinho do mundo e foi passando. Ela se apresentou desengonçada, nervosa, num jeito meio rude de ser.

E, de repente, você se depara com uma música linda, cantada sem nenhum erro, com emoção de onde você não espera que possa sair tanta docura.
Susan causou um auê, como diria a Geração X. Ela revelou que nunca foi sequer beijada!

E daí?
Daí que foi estranho pra nós, geração Baby Boomer. A gente viu os nosso pais escutando rádio, em pé ou sentados na cadeira do papai. Ver o homem descendo na lua foi um grande avanço.
E a gente tem que se acostumar com isso. Mas ainda dói.

Além disso, outra coisa chamou a nossa atenção.
Todos estão comentando a feiura da moça. Isto era coisa que não se comentava antigamente. E antigamente quer dizer atualmente pra nós. Nem em casa e nem nas organizações era permitido falar o que se pensava. Fomos criados por uma geração bastante castradora. Rígida.
E por que mudou?

Porque os Baby Boomers não quiseram que seus filhos fossem criados da mesma maneira. Queriam que eles tivessem a liberdade que eles, BB, não tiveram.

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Então, como por decreto, a educação dos filhos mudou, o contexto mudou. Os pais foram procurar escolas mais abertas para seus filhos, com novos métodos de educação, que “estimulassem a criatividade”, e fizeram com que uma geração fosse mais autêntica, com menos medo de confrontar e responder.

E na organização?
Ah, na organização não pode!
Por quê?
Ah, por que vai mudar todo o meu esquema lá dentro.
Como é isto?

Ah… Há uma confusa rede de relacionamento que foi feita em paralelo, que determina o poder real nas empresas. Se tudo for dito assim, na lata, a rede peão perde a função. E eu perco o poder.

Dentro das organizações ainda não gostamos quando esses “meninos” que pensam que sabem tudo, vêm com o dedo em riste nos dizer que um relatório ou uma análise não está boa, quando vêm dizer que a Susan Doyle é feia!
Ih… eu disse! Então, há um conflito de gerações?

Mas se vocês sabem que são assim em casa e assado na empresa, por que não mudam?
Ah, não é porque um bêbado sabe por que bebe que ele para de beber.

Bom, vai levar um tempo até que o discurso de casa possa ser realmente internalizado a ponto de respeitar que “essa meninada que pensa que sabe alguma coisa” possa falar assertivamente sem provocar uma reação nos mais velhos.

Bom , então, se isso tudo é verdade, então me diga, Geração Y, por que é que quando é necessário dar um feedback ou receber um feedback negativo “ao vivo e a cores”( importante perceber como esta frase era importante pra nós!), ainda causa certo desconforto? Me respondam?

Eu fico esperando as análises, e falo amanhã.

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