Eu queria que vocês assistissem a este comercial de uma marca de sandálias que todo mundo conhece. Quando eu era pequena, esse era tipicamente um comercial que a gente assistia em uma TV, em preto e branco, na sala, com a família.
O que diabos nos fazia assistir a isso?
Acho que era a novidade. A possibilidade de estarmos juntos, na sala, assistindo ao Jô Soares ou ao Ronald Golias falando de uma sandália que tentava se posicionar.
Será que hoje esse comercial nos prenderia a atenção ou a gente acharia ele engraçado? Se as sandálias Havaianas são agora um grande sucesso, por que não usaríamos o mesmo comercial?
Na verdade o mundo mudou.
E nós mudamos junto com ele.
Queremos que a propaganda tenha a nossa cara, seja menos direta, mais sutil, tenha humor. A TV não pode mais ficar nos falando que eu devo comprar sandálias porque elas não tem cheiro. Queremos mais do que isso!
Queremos que a propaganda seja alegre? Divertida? Colorida? Que nos dê algo além do produto? Que o produto sorteie um prêmio? Queremos nos identificar, vendo alguém como nós usando o produto e nos convencendo que ele é bom? Então propaganda é isso?
Se é assim, perguntem aos jovens da geração Y se é o que eles esperam de uma propaganda. Eles vão nos dizer que tudo isso é uma besteira e que propaganda “não tem nada a ver”.
É bom as empresas que fazem propaganda começarem a ouvir essa voz…. O mundo tem que enxergar estes jovens e se alinhar aos seus desejos e idéias se quiser se comunicar com eles. Da mesma forma que nós temos que fazer isso, pra nos mantermos vivos, participantes, ativos e agentes da vida. A propaganda agora é uma causa, uma ação colaborativa, um evento, uma experiência.
Eu queria mostrar também esse processo da T-Mobile, que aconteceu na Europa.
Esta não é uma campanha isolada da empresa. Eles escolheram uma forma de se comunicar com seu público sem falar do produto. Agregaram pessoas (que precisam se sentir parte de um grupo, já que estão cada vez mais isoladas do mundo), fizeram com que elas vivessem uma experiência, acreditaram no marketing viral . Fizeram com que elas rissem e se sentissem felizes.
O que isto tem a ver com as Gerações?
Tem tudo a ver!
A Geração Y também quer se sentir participante e não somente expectadora. Também quer cantar, se sentir à vontade no trabalho. Porque a empresa é uma extensão de sua vida. Porque não diferencia sua vida “intra-muros-organizacionais” e vida privada. Esses jovens querem uma vida integrada , verdadeira, sem vestir tantas máscaras. E nós, Baby Boomers, seus pais, os estimulamos pra isso, porque sempre quisemos uma vida sem mentiras, na nossa época. Por isso lutamos tanto pelo direito ao aborto, pela não discriminação das mulheres que se separavam (gente, isso era impensável na época da minha mãe!), pelo direito de se declarar homossexual e não ter que sofrer preconceitos por isso.
Lutamos para acabar com a hipocrisia do mundo.
Pois é. Nossos filhos são assim. Mas na empresa, não enxergamos que eles querem participar, cantar junto, como no filme. Querem definir o tom, ensaiar, fazer o show, integrar as partes.
E o mais impressionante é que se observarmos cada pessoa cantando separadamente, elas cantam mal!
A canção só sai afinada quando todos cantam juntos.
É o poder do grupo, o poder de inserir todos na mesma visão. O poder de levá-los lá, cada um do seu jeitinho. Poderia ser um fiasco, mas não é. É um grupo afinado, sem ensaio. Um grupo forte. Unido pelo objetivo, pela vontade de participar. Aí já entrei no estilo de gestão para essa moçada.
E isso é outra história.
O importante é entender que somos diferentes. E valorizar as diferenças. Só assim a nossa música poderá ser afinada.





Eline,
Artigo totalmente inspirador e já deu frutos no meu blog =)
Seu texto realmente reflete as mudanças que tem acontecido. Tudo se transforma o tempo todo e com essa “parafernalha tecnológica” a velocidade das transformações é incrível. E eu adoro…
Bjs,
Lili
Que bom, Lili, que você gostou. Seu blog (http://trainee2010.blogspot.com ) é muito bom! Acho que nós nos complementamos escrevendo sob pontos de vista diferentes.
O bom dessa loucura é saber que o ritmo só vai acelerar mais! Vai ser mais gostoso ainda!
Se você quiser discutir algum assunto em especial sobre as gerações, por favor, me conta!
Um beijo,
Eline