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Sabemos que vivemos num mundo que gira numa velocidade cada vez maior. Acredito mesmo que a palavra velocidade já não explica o ritmo em que vivemos. Não consigo encontrar a palavra que personalize o acúmulo frenético de informações, de mudança, de renovação em que estamos inseridos. Eu diria que estamos vivendo num ritmo parecido com a velocidade da luz.

Para os saudosistas, a minha palavra é de conforto: Vai ficar ainda mais rápido! Então, relaxe.

Eu recebi um artigo , hoje, mandado pela Lili Fonseca, que vem exemplificar o que está acontecendo.

Por uma pesquisa feita pela Nielsen, o tempo médio de visita a sites é de 56 segundos – http://updateordie.com/updates/geral/2009/05/voce-tem-apenas-56-segundos . A fragmentação da atenção das pessoas é cada vez maior.

O vídeo que escolhi também nos dá uma dimensão dos tempos exponenciais qual vivemos e de suas conseqüências. Este filme não é novo, existem várias versões dele que tem sido atualizadas ao longo dos últimos 3 anos com informações cada vez mais impactantes. Vários países têm colocado as suas informações, comparando o vídeo original com sua realidade específica.

Neste “ Mundo Novo”, não imaginado por Aldous Huxley, há uma infinidade de opções para aqueles que têm interesse.

Então, uma pergunta vem constantemente a minha mente: “Como vamos gerar conhecimento, se temos a necessidade constante de nos atualizar?”

Se despendemos 56 segundos em cada site visitado, como vamos gerar conhecimento?

140caracteresPassamos por uma grande fase chamada a “Era do conhecimento”. Será que estamos entrando na “Era da Informação”?

Mesmo quando o filme nos mostra que a Geração Y está “uploadando” uma quantidade de informação enorme, será que este material pode ser considerado informação ?

Conhecimento se gera a partir de informação. Mas isto só acontece se há uma capacidade de reunir as informações certas e se há uma reflexão extensa que gere um conceito, uma inovação.

Será que esta Geração Y terá a capacidade de filtrar as informações relevantes, em meio a tantas novidades, para gerar conhecimento?

Dizem-me que esta geração não tem atenção concentrada da mesma forma que os Baby Boomers e sim, uma atenção mais dispersa. Sabemos que este jovem vê televisão como pano de fundo para sua atividade na Internet, da mesma forma que um outro gadget toca música e dois celulares apitam com mensagens de texto ou telefonemas (eles ainda servem pra isso!). Será que esta geração vai conseguir investigar com profundidade a informação relevante entre tanto bombardeamento de idéias, conceitos, propagandas, percorrendo o nosso dia-a-dia, numa vida já acelerada para conseguir dar conta dos vários avatares (“personas”) que temos que incorporar a cada momento do dia?

Se não pudermos gerar conhecimento, a minha visão é de que o mundo estará empobrecido. Posso estar enganada e este ser o caminho natural da vida, onde poucos, numa multidão maior que a atual, vão poder exercer o papel de cientistas, educadores, legisladores, criadores, enfim.

Temos educado nossos filhos para estes tempos exponenciais. Eles aprenderam línguas, fizeram cursos, estudaram em escolas com fundamentação pedagógica moderna.

Como “helicopter parents”, http://edition.cnn.com/2008/LIVING/personal/08/13/helicopter.parents/index.html nós, com toda a culpa que a tirania dos nossos tempos nos impôs, procuramos garantir que eles se formassem com valores sólidos, cidadãos do mundo, viajados, abertos ao novo.

Será que na sociedade da Informação , outros skills serão necessarios para sermos capazes de lidar com o admirável mundo novo?

No artigo “What companies should know about Digital Natives“, Dr. Urs Gasser, da Harvard Berkman Center, um estudioso em Gerações, diz que lá pelos 20 anos, as crianças da Geração Y terão passado 20.000 horas online, o mesmo tempo que um pianista profissional gastaria no processo de estudar. Dr. Gasser também confirma as considerações que eu faço aqui, de que estes jovens lêem somente as grandes manchetes, mas não se detém no conteúdo de um artigo ou mesmo de um longo texto.

Vejo pais sendo chamados em escolas porque seus filhos, nos trabalhos de pesquisa, copiam e colam informações que deveriam ser elaboradas, integradas, como nos velhos teoremas que tínhamos que demonstrar (quem se lembra dos C.Q.D – “como queríamos demonstrar” – já inexistentes nas escolas atuais.

Nem me refiro à língua portuguesa, tão questionada no seu uso, por uma Geração que abrevia palavras e não se importa (como nós, Baby Boomers nos importávamos) se estamos simplificando e banalizando o uso da linguagem rica num vocabulário empobrecido, com sons mais guturais e genéricos (aí, valeu, manero, falô, papo reto, fui, sussu, brother, e aí mano, beleza, irado, tô fora – e o mais engraçado de todos para mim que é – “ó o auê ai, ô” (que eu traduziria por “Olha a bagunça aí, mano”. Também não estão nem um pouco preocupadoS com a nova ortografia brasileira, porque isso não faz sentido nenhum na geração de 140 caracteres.

Será que a nova geração será a “geração 140”, onde tudo será dito em 140 caracteres, como no Twitter? Frases curtas e pensamentos incompletos? A Geração Y não tem receio de que isso venha a acontecer?

Como podemos prever este futuro? Podemos intervir nele? De que forma? Não acho que os Baby Boomers terminaram sua missão. Acho que cabe esta reflexão, acho que vale esta discussão com as outras gerações.

Juntos, com todas as gerações, poderemos encaminhar estas questões, ao invés de ratificarmos a música da moda, tão bem aceita, que diz “deixa a vida me levar”.

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3 Responses to “A geração 140 caracteres”

  1. Ruth disse:

    Este é um assunto que está em pauta de 1990. O conhecimento humano desde o inicio dos tempos até 1950 equivalia a 1. De 1950 a 1970 dobrou de tamanho. Daí pra frente o salto se dá a intervalos cada vez menores. Como lidar com este frenético avanço?
    Se ficarmos só na informação o conhecimento não evolui. Pesquisa e profundidade na aquisição de novos conhecimentos é insubstituível. Um novo medicamento ainda leva cerca 20 a 30 anos para aparecer nas farmacias. Certamente este será um conflito cada vez maior. Estamos agora na fase de transição, estamos nos acostumando com a idéia do “the flash” do conhecimento. O ser humano inventa mas custa a assimilar a mudança. Fato é que os bebês de hoje já nascem de olhos abertos e balbuciando sílabas…
    Acredito que aí vem uma nova humanidade…
    Ruth

    • Eline Kullock disse:

      Oi, Ruth,.
      Você tem toda a razão. Teremos que nos acostumar à epoca do “The Flash”. Embora vivendo na tirania do tempo ( que nós mesmos criamos ), tendo que nos acostumar ao novo conceito de senso de urgência, devemos criar um ambiente propício à possibilidade de desenvolvimento de conhecimento. Talvez nesta nova humanidade, seja mais importante ainda um trabalho de criatividade, de auto-conhecimento; talvez!
      Um beijo,
      Eline

  2. [...] grande desafio é auxiliar na transformação de uma “geração 140″¹ em leitores. Indepentende da obra – eu mesmo não tenho paciência para alguns [...]

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