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Há algum Baby Boomer aqui que possa levantar a mão e dizer que não tem medo de envelhecer?

É, gente, envelhecer não está mesmo na moda.

Antigamente, minha avó ficava numa cadeira de balanço, costurando.

Cozinhava, preparava nossos lanches, ficava “por perto”. Claro, ela não trabalhava.

A possibilidade da mulher entrar no mercado de trabalho aconteceu ao longo da Geração Baby Boomer.

Minha mãe e minha tia (esta, então, escolheu ser engenheira, uma grande engenheira) foram uma exceção à regra.

Nenhuma das duas, entretanto, tem cabelo branco. Isso saiu de moda também. Que levante a mão aquela mulher que, com mais de 50, não pinta os cabelos na raiz.

imagem555Tem um texto muito bom, eu não me lembro o autor, que tem uma frase pra explicar como os avós de hoje são diferentes dos de antigamente:

“Os avós vão embalar seus netos ao som dos Beatles, de calça jeans, e depois sair pra balada.”

Também pudera. Há toda uma sociedade que só nos insere SE formos jovens . Há uma bateria de remédios que existe para que possamos nos sentir jovens, e tudo que está relacionada à tão famosa “melhor idade” está em alta.

Na verdade, uma pessoa hoje que está lendo este blog, deve ter uma expectativa de vida de mais de 80 anos, certo?

Então, aos 60, temos ¼ da nossa vida pela frente, uma vida saudável e produtiva.

Então, como aceitar que estamos ficando velhos?

Percebam que, em casa, podemos sofrer todas as dores, podemos entender que nossos filhos são o máximo, competentes, precoces. Nos ensinam tudo no computador e fazem coisas que nós nem imaginávamos que eles saberiam.

Mas quando chega na empresa… bom, aí é outra história.

Não temos dores, somos os reis da cocada (a geração Y conhece esta expressão? ) e estamos com a mesma calça jeans, ou o mesmo “modelito” de vestido que a garotada.

Não queremos envelhecer!

Então, como aceitar que aqueles pivetes estão prontos, podem dar suas opiniões e que podemos confiar neles?

Isto só vai nos expulsar da Organização, com consciência das “pequenas mortes” que a gente vai vivendo antes de morrer.

Eu li um artigo dizendo que as vovós nos Estados Unidos não querem mais serem chamadas de “vovós” .

Querem ser chamadas de tias, de amigas ou pelo próprio nome. E olha que sempre me impressionou o fato de que, nos Estados Unidos, o apelo à juventude é menor e há muitas mulheres de cabelo branco. Santa ignorância a minha.

Se hoje disputamos o mesmo “fiu-fiu” que as meninas disputam (ou pelo menos pensamos que disputamos…) como vamos reconhecer que estes “concorrentes” cheguem com toda essa empáfia?

Saber envelhecer é uma arte. Sentir-se pleno é uma arte. E deixar a Organização para buscar uma outra carreira, um novo caminho requer muito auto-conhecimento.

Devemos ter esta visão se quisermos aceitar os jovens que entram na Organização. Da mesma maneira que os jovens precisam entender o que se passa na nossa cabeça.

Só assim, com a alma de ET, conseguiremos nos compreender.

Tirando os sapatos.

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2 Responses to “Baby Boomer , mas com corpinho de Y”

  1. Lili disse:

    Lindo texto, Eline!
    Hoje em dia as pessoas nem falam mais em envelhecer, parece que é “coisa feia” de se dizer.
    Como diz um amigo meu, tem que ter coragem para se mostrar como diferente da moda. Assumir o envelhecimento não tem nada de ruim, pelo contrário, é bonito e sábio. Bobos são aqueles que não querem envelhecer ou que criticam quem encara a velhice com suavidade sem tentar mudar o rumo da vida.
    Bjs!

    • Eline Kullock disse:

      Concordo contigo, Lili. Envelhecer bem é bonito e sábio. Ruim é ver muita mulher se vestindo como se fosse a Xuxa e muito homem casando com garotinhas apenas para manter a sua juventude. Envelhecer requer compreensão de que a vida continua bonita em qualquer idade. Só os que não são onipotentes conseguem esta proeza. Sei que não é fácil, mas é necessário um grande trabalho de auto-conhecimento para poder se valorizar independentemente de sua idade.

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