
Escuto muitas reclamações a respeito de como esta geração não sabe mais escrever. A Geração Y comete erros grotescos de ortografia e concordância. Além disso, quando se falam, os jovens parecem usar uma outra língua, que nós, mais velhos, não conseguimos entender. São gírias novas e abreviações que tornam incompreensível a nossa língua.
Mas a verdade é que a própria Geração Y não pensa assim.
E a grande questão é a seguinte: O que vamos fazer a respeito disso?
Com a recente notícia de que os professores de educação básica não tem sequer nível superior e muitos, inclusive, só cursaram o ensino fundamental, como queremos que esta situação seja revertida?
Essa informação, que saiu há quatro dias nos jornais, só vem consolidar uma verdade que já conhecida: nossa educação não anda lá muito bem das pernas.
O que me preocupa é, então, quem vai ensinar os nossos netos, os filhos da Geração Y.
Não serão os mesmos jovens que, hoje, escrevem desta forma que criticamos?
Quem vai ocupar os cargos de gerência, diretoria e presidência nos próximos anos? A mesma geração que achamos que não sabe escrever, respeitando as regras estabelecidas?
O que a geração dos BB não percebe é que a Geração Y está completamente desatenta às novas regras de ortografia. Quando pergunto se alguém já leu as novas regras, os jovens são unânimes: não leram nada! E por quê?
Porque isso não é um problema para eles! Eles têm outras prioridades! Tanto faz a forma como eles escrevem; querem mesmo é passar sua mensagem e, se para isso, na pressa, na urgência, eles escreverem exceção com dois “s” tanto faz. Eles acreditam que seu interlocutor vai compreendê-los e o problema estará resolvido.
E então, que arrisca um palpite para responder como ficará a comunicação escrita nos próximos anos? Eu não sei, mas certamente não será como aquela que eu e minha geração usamos, da mesma forma que achamos engraçado quando lemos Machado de Assis, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e outros tantos que éramos obrigados a ler.
Aquela linguagem não faz o menor sentido pra nós. Não podemos perder a visão do todo e verificar que a língua brasileira também mudou. Evoluiu ou regrediu? É uma questão de ponto de vista. Mas mudou. E continuará mudando. Podemos achar até que a língua brasileira era mais bonita em outras épocas. “As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”. Mas as aves mudaram. E os jovens de hoje talvez sequer conhecem esta poesia.
Não há caminho de volta no futuro. Não há rewind, delete, não dá pra “tirar o tubo”, pause, ou coisa parecida. Esta geração também sabe disso. E tem pressa.





Sabem como vai ficar a comunicação nos próximos anos?
Do mesmo jeito que estava há 5, 10 ou 15 anos atrás. Eu me lembro que quando eu fazia o curso primário, minha mãe já criticava a nossa forma de expressão e os erros que cometíamos ao escrever…
Ela lembrava da professora do curso primário, D. Luizinha, que usava palmatória para fazer com que as crianças aprendessem corretamente o que ensinava…
Quando me formei e fui trabalhar como consultora interna numa grande empresa no Rio de Janeiro, me assombrava como as pessoas que estavam se formando, junto comigo, escreviam errado, não sabiam expressar, por escrito, os seus pensamentos.
E nos anos seguintes e até hoje o “problema” persiste.
Será que isto ocorre porque os jovens estão sempre Cheios de pressa? Parar para escrever e ainda ter que pensar em regras de ortografia e gramaticais… que chatisse…
Não é uma justificativa. Mas tentativa de entender o que acontece.
O problema não é novo. Só muda a forma de se expressar, com erros da moda!
É isso mesmo, Ruth,
Eu nem me lembrava mais da palmatória, mas se perguntarmos a alguém da Geração Y o que é a palmatória, eles não compreenderão.
Imagine a palmatória hoje em dia!
Como você dissem o problema não é novo!
Nem a falta de soluções é…
Beijo!
Eline