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Papai sabe tudo?

Eu queria sugerir a vocês este vídeo. Eu assisti à série quando era muito pequena.

Esta família era a típica família da minha época, na qual papai sabia tudo.

O filme brincava com a nossa capacidade de decidir. Nós recorríamos ao papai quando queríamos alguma coisa.

Ele sabia sobre instrumentos musicais, sobre opções de carreira, sobre tecnologia. Papai ensinava.

É importante para todas as gerações este exercício de compreender como foi criada a nossa geração, os Baby Boomers, hoje ainda em posições de comando nas organizações.

Que estranho. Não ficávamos no computador (isso não existia). Nós enchíamos o saco dos nossos pais com outras coisas.

Notaram que, no filme, não há TV na sala?

Nem computadores? Viu que os filhos contavam tudo para os pais?

Percebam o telefone. Preto, de disco. Um na cozinha e talvez um na sala. Nada de telefone nos quartos.

E o papai sempre resolvia todos os problemas.

Quando poderíamos imaginar que a família não seria mais assim?

Fomos criados assim! Nossos pais foram criados assim.

Em preto e branco. Tudo era preto ou branco. Certo ou errado. Menina era séria ou fácil. Não havia meio-termo. Menino era malandro ou estudioso. Homem era galinha ou “pra casar”. Todos os contos de fadas tinham o bom e o mal. A bruxa e a fada. O mocinho e o bandido. Nós sabíamos qual era qual.

A minha geração, preocupada com essa “Ilha da Fantasia” (com freqüência esta harmonia não era real – eu a chamo de “pomada” – somente para uso externo) foi tendo a coragem de quebrar essa configuração de vida. Começaram os divórcios. Todas as Jeannies (Jeanne era um gênio – primeira série de 1965 a 1970) e as nossas Feiticeiras (Bewitched, também dessa mesma época), saíram das garrafas impostas pela sociedade, voltaram a fazer suas bruxarias (proibidas no filme Bewitched pelo marido), e começaram a trabalhar fora, a serem “auto-sustentáveis”(acho que foi daí que veio o termo). Samantha não abria mais mão de seus poderes para permanecer com o homem que ela amava. Os “perdidos no espaço”, série entre 1965 e 1968, ficaram para sempre perdidos na nova realidade.

Hoje papai não sabe mais tudo. E teve que aprender que não existem mocinhos e bandidos. Papai não entende porque seus filhos são tão apressados, não entendem essa história de “ficar” (afinal, é namoro, é amigo, ou um vale-tudo?), não entendem que o valor “respeito” tenha mudado. Não entendem sequer que eles não entendem tudo.

Mas é preciso que estas diferentes realidades com as quais conviveram as gerações possa ser explicada e compreendida, porque é a partir dessa realidade que se determinam usos e costumes, portanto “valores”.

Caso isso não seja discutido e vivenciado pelas diversas gerações (a começar pela própria família) não haverá chance de que um compreenda o outro.

Papai quer saber tudo, porque foi assim que ele foi criado. A Geração Y acha que ele não sabe muito, ou sabe quase nada. Podemos achar um ponto intermediário nesta questão? Se pudermos, talvez ela nos sirva de exemplo para a nossa convivência pacífica e construtiva nas organizações.

http://thejakartaglobe.com/opinion/as-the-generations-change-so-must-their-cultural-icons/18143
Neste artigo me dizem que os ídolos mudam com as gerações, a partir do que elas esperam, do que elas vivienciam.

O nosso filme era “The Graduate” , em 1967. “A primeira noite de um homem” , que lançou o Dustin Hoffman, assim como as músicas do Simon e Garfunkel, como “The sound of Silence” . Nossa música foi a Bossa Nova e Woodstock.

Qual é o filme que explica quem é esta geração? Qual é a música que demonstra como a Geração Y pensa?

3 Responses to “Papai sabe tudo?”

  1. Charles Schmidt disse:

    Este vídeo trouxe lembranças muito boas, e diferente de uma visão dialética simples da época, certamente vivemos no mundo mais complexo. Entretanto, fica claro um genuíno amor e interesse pelos filhos nesta série, e de uma entrega incondicional pela felicidade dos mesmos pelos pais. Como pediatra verifico claramente uma mudança de paradigma nas famílias, uma visão mais egocêntrica, mais narcisista e uma busca pela satisfação rápida por todos os membros, gerando um grau de frustração exacerbado quando não atendidos.
    Certamente o conto de fadas e a ingenuidade conceitual da época não são benéficas, mas o que encontramos hoje também não é. O difícil é conduzir o bom senso a estas novas famílias, e a discussão do “focoemgerações” pode ser mais uma ferramenta na elaboração deste processo. Parabéns

    • Eline Kullock disse:

      Charles,
      No texto to Erich Fromm, A Arte de Amar, ele fala da necessidade do Amor Incondicional ( normalmente da mãe, na cultura Ocidental) e do Amor Condicional, aquele que dá limites 9 normalmente incorporado pelo pai, na nossa sociedade) e o quanto estes dois amores são esseniais na formação de uma criança.
      Acho que este conceito continua valendo em qualquer geração. Nossos filhos e netos precisam disso para a formação do self.
      Concordo que o tempo da ingenuidade já passou. Mudar é preciso. Mas com Bom senso, como você disse.
      Se você quiser contribuir para essa nossa discussão sobre gerações e escrever um post, estou inteiramente aberta a cirar um grande local de discussão dessa assunto!
      Obrigada,
      Eline

  2. CRISTINA HADDAD disse:

    GOSTARIA DE ADQUIRIR TODA A SERIE DE PAPAI SABE TUDO,
    SEM ESTAR CONGELANDO AS IMAGENS, POIS A ULTIMA VEZ
    QUE ME ENVIARAM OS FILMES NÃO EXISTIU A POSSIBILIDADE
    DE ASSISTIR A NEHUM DOS FILMES.

    GRATA,

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