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Carioca que sou, quando mostrei pro meu filho o Cristo Redentor, ele repetiu logo: Cristo Rebentou?
Quando minha neta me viu falando de maquiagem, ela perguntou o que era aquela “máquina”.
Conhecemos centenas de histórias como essas sem nos darmos conta que não são apenas histórias engraçadas, mas sim uma questão de modelo mental.
Como é isso?

A gente compreende coisas a partir das nossas experiências e vivências. Assim, meu filho Daniel conhecia o verbo “arrebentar”e o tempo do verbo “arrebentou” (provavelmente porque os brinquedos dele arrebentavam!) mas não conhecia a palavra “redentor”. Da mesma forma, minha neta conhecia a “máquina”, mas não conhecia a maquiagem.

É por causa disso que há tanto desencontro.
Ouvi uma vez o Max Geringher numa palestra dizer uma coisa que ficou marcada pra mim:
Quando você disser pro seu filho: – “Menino, saia do computador, você está aí há 3 horas” e ele te disser: – “Hã”?, isto não é um problema auditivo. Não é necessário levá-lo ao otorrinolaringologista (hã?)
É um problema de modelo mental.
Ele não compreende esta frase, porque não faz parte do seu universo.

E é assim que a gente age pela vida.
Pega esta url, atacha no arquivo, faz um upload, roda um script e usa uns aplicativos. Hã?
O único script que eu conhecia era de peça de teatro, de novela e coisas parecidas. Agora isto tem outro significado.
E assim, pelos modelos mentais, que as pessoas tem pela vida, há um enorme desencontro.
E na organização, acontece a mesma coisa.
Especialmente com advérbios de intensidade ou outros advérbios (será que esta geração sabe o que é um advérbio?)
Então, toda vez que conversarmos nas organizações, vamos ter certeza de que estamos falando com o mesmo modelo mental, ou, então, explicando novos modelos mentais.

Uma reunião longa, para aqueles da Geração Y, significa qualquer reunião com mais de 1 hora. Acima disso, eles começam a se mexer na cadeira. Se eu perguntar a um Baby Boomer, ele me dirá quer reunião longa é aquela que leva mais de 6 horas. Hã?
Se eu disser para um membro da Geração Y que ele precisa entrar em contato com uma determinada pessoa, ao invés de somente mandar um e-mail, ele vai me olhar e dizer…Hã?

Já aconteceu de um rapaz me dizer que quer sair de uma empresa porque ela está engavetando um projeto importante há muito tempo. Eu lhe perguntei há quanto tempo o projeto vem sendo adiado. Ele me disse: -“Três meses”. Hã?
Já aconteceu de um rapaz da geração Y ter pedido demissão depois da seguinte discussão com seu chefe:
- Chefe, eu trabalhei o final de semana inteiro naquele projeto. Entreguei tudo no domingo à noite. Então, hoje eu queria descansar. Não vou ao escritório, tá?
- Mas, João, você vai trazer um atestado médico?
- Hã?

É que, pelas normas da empresa, eu não posso deixar de explicar o motivo da tua falta!

- Hã? Eu é que não vou arranjar um atestado médico falso! Você me pediu pra terminar o projeto e eu terminei!
- Então eu vou abater um dia de suas férias?
- Hã?

Bom, o final da história é que este rapaz pediu demissão, e me disse que não conseguiria trabalhar numa empresa tão burocrática.
Se seus modelos mentais são diferentes, se os parâmetros de comparação são outros, o RH deve estar atento a essas “culturas”diferentes e dicutí-las com os grupos, na tentativa honesta de que um possa entender o outro.
Este tem sido o nosso trabalho no Grupo Foco.
Tirando os sapatos. Com a alma de ET.

PS: Não se esqueçam: Irado, para Baby Boomers, é que está com muita raiva. Foi assim que aprendemos.

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2 Responses to “O modelo mental de cada geração”

  1. Lili disse:

    Adorei!
    Agora, o termo “hã?” terá muitos outros significados para mim. É impressionante como um detalhe tão sutil tem tanta importância.
    Lembrei de umas discussões antigas sobre o “tá” e o “ok”, sempre presentes em tantas situações e indicando muito mais do que duas letras aparentam.

    Ah! Texto “irado”, Eline! =)
    Bjs

    • Eline Kullock disse:

      Lili,
      Eu acho o máximo este negócio de HÃ? Várias vezes eu me pego falando assim e sei que é um problema de compreensão, não de ter escutado mal.
      O “tá” tem muitos significados, né?
      Um dia podemos escrever um post sobre gírias da tua geração e da minha, falô? É papo firme!
      Beijo,
      Eline

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