
Numa palestra da Eline sobre geração Y, alguém da platéia levantou a questão sobre a falta de espiritualidade das gerações mais jovens.
E realmente nunca tinha parado para pensar nisso. Mas já tinha reparado bastante.
Se não for uma impressão só minha, os jovens de hoje estão mais afastados das religiões de seus pais, seja qual a for aquela praticada pela família. Posso falar com mais propriedade da religião que segui toda a minha infância e adolescência, o catolicismo.
Antigamente, os católicos iam à missa. Num país católico como o Brasil, os pais da minha geração levavam os filhos para a igreja aos domingos desde muito cedo, para que depois fizessem a primeira comunhão, o crisma, e seguissem “praticantes”.
De qualquer forma, já na minha época de adolescente (sou uma “X”), questionávamos muito aquele ritual da missa que nunca mudava, em que as pessoas repetiam as coisas que nem sabiam do que se tratava.
Nós, os mais jovens, criávamos nossos próprios rituais, mais com a nossa cara. A gente tinha tempo pra isso. Não existia internet ainda naquela época. Mas, claro, éramos vetados o tempo todo pelas gerações mais velhas que “faziam” a cerimônia. Éramos censurados e tidos como revolucionários. Até de arruaceiros éramos tratados muitas vezes. Porque a gente queria mudar o que já tinha sido instituído?
Hoje, se você entrar numa igreja católica na hora de uma missa, num domingo, vai ver que a maioria ali tem mais de 40 anos. Não posso falar de outras religiões, mas acredito que o movimento seja o mesmo. E pra mim é fácil entender o porquê isso acontece e vai acontecer cada vez mais: as religiões não entraram na “vibe” do jovem. Eles estão com outro “espírito”.
As religiões continuam repetindo rituais de milhões de anos atrás com os quais o jovem não têm a menor identificação. E o pior: continuam apoiando práticas completamente “démodé”, como diria minha avó. Criticam a maneira como nos relacionamos, como nos protegemos, como vemos o mundo. Não nos escutam, não mudam. Apenas impõem. E dessa forma vão perder cada vez mais seus jovens fiéis.
Se a espiritualidade puder ser vista pela variável “participação em igrejas”, ela vai estar cada vez mais ausente. O jovem prefere direcionar seu “espírito” para fazer parte de grupos com os quais mais se identifica, que entendem sua cabeça, onde pode falar o que pensa sem repressão, sem censuras. Onde pode encontrar a real ajuda que vem do compartilhamento de experiências.
Um jovem que dita suas próprias regras nunca vai aceitar uma instituição dizendo o que é certo ou errado fazer. Nesse ponto, o jovem evoluiu e cria seus próprios valores. É menos alienado e menos manipulável. A espiritualidade, para quem acha necessário, pode vir de outros canais, como a transmissão dos valores familiares e as próprias idiossincrasias. É um caminho sem volta. E eu acho isso bom. Bom não, é ótimo.





Tive a experiência de levar os filhos à missa dominicalmente, hoje vamos eu e a esposa, ou melhor ela mais frequente, mas não deixo de saber da importância deste ato de alimentar o espírito. Mesmo quando chegaram na idade das dúvidas ( e como não tê-las estudando MARX, ENGELS na Usp, Unesp?) meus filhos seguiram firmes na experimentação ou melhor convivências com os “grupos” das suas gerações, nós os pais ficamos tranquilos por que durante anos incentivamos eles abastecerem o espírito e acreditamos que quando os levamos em pensamento na comunhão, continuamos fortalecendo-os….Isto me traz a lembrança a oração dos anjos: Santo anjo do senhor… Geração Y, se liguem e dê um UP no espírito também, mas através das coisas que a gente não vê, mas sente!
Eu concordo com você que isso está acontecendo, e credito isso mais uma vez à força do capitalismo moderno. As famílias estão cada dia mais preocupadas com o amanhã, ou melhor, com a grana de amanhã… Afeto, sentimento e espiritualidade estão cada dia mais secundários na lista de prioridade das pessoas. E quem sofrerá as consequências (porque o vazio espiritual trará consequências ao desenvolvimento, maturidade e segurança interior) serão os filhos atarefados dos pais workaholics das grandes capitais. Estamos em tempo de reverter tudo isso, é só querer!! Abraços, Valéria!
Valeria,
Essa geração deve estar navegando em sites como este: http://www.cantodapaz.com.br/blog/category/papa-igreja-internet/
Inacreditável!
Será que o Papa realmente ficou pop?
Abc
Ercilia
Valeria.
Este seu post abre espaço para teses que devem ser discutida em cursos de teologia: A geração Y e os dogmas!
Numa época em que a igreja católica opta por um papa que, ao longo de toda a sua carreira explicou e defendeu suas posições baseado nos dogmas do catolicismo (de forma brilhante, argumentativa e precisa que seu idioma nativo lhe permite!) como atrair os jovens que cada vez menos aceitam dogmas?
Lembrei-me de um filme recente que vi (“New in town”) em que uma jovem proveniente de Miami se muda para uma cidadezinha do conservador estado de Minesota e, é recebida por sua secretária (uma aparente baby boomer). Esta, na tentativa de estabelecer as bases comuns para um relacionamento, a pergunta se ela já havia encontrado Cristo, ela, lídima representante da Geração Y, responde: “Mas eu nem sabia que ele estava perdido!”
Beijos.
Felizmente esse caminho está sendo trilhado por nós. E espero que meus filhos também o sigam. Estamos na era da informação, e como bem disse o (a?) Eloi no primeiro comentário, é dificil manter a fé (ou espiritualidade como queiram) quando se tem à mão todos gigantes pensadores. Somos diretos, objetivos e pragmáticos, não há espaço, em nossas mentes para a dúvida permanente.
Não penso que teremos algo à perder com esse movimento. Não vejo benefício óbvio na fé, em seguir cegamente os dogmas impostos. A história nos é testemunha. Tanto que o período em que a religião dominava o mundo e ditava as regras é chamado de “Idade das Trevas”. E afeto, sentimentos e amor não estão necessariamente ligados à religião…
Super legal, Marcelo! Adoro quando alguém da prórpia geração Y escreve porque é o exemplo direto de como a Geração percebe determinado conceito!
Você quer escrever um post pro blog, como legítimo representante dos Y?
Me fala!
Beijo,
Eline
Super legal, Marcelo,
Gosto quando alguém da Geração Y se posiciona porque me ajuda a entender como a Geração Y pensa!
E você, pelo visto, é um legítimo representante!
Você quer escrever um post pro blog mostrando a visão da Geração em algum campo? Educação, família, religião, aprendizado, empresa…
Me fala!
Beijo,
Eline