Este vídeo, pra mim, tem um impacto muito forte. E eu entendo que o jovem, no seu conceito de “velocidade”(que é diferente do meu) percebe a vida como uma coisa efêmera, rápida, que precisa ser aproveitada intensamente.
Mas outra coisa me chama a atenção no vídeo: a forma natural com que os jovens lidam com a perspectiva da morte.
Não quero aqui definir o que é certo ou errado, mas para mim, é angustiante perceber que esta geração visualiza a morte sem grandes sofrimentos.
Como esta geração vai lidar com o sentimento de morte?
Há uma série de questões levantadas quando se fala de valores para a Geração Y.
Valores são baseados em “usos e costumes”. Se eu não chamo mais meus pais como “Sr. e Sra”, isso não significa que eu os respeito menos.
E se um rapaz não abre mais a porta do carro para a sua namorada, isso não significa mais a falta de respeito.
Até por questões de segurança, quando o carro está estacionado na rua, talvez seja melhor mesmo que os passageiros entrem rápido. Desta forma, usos e costumes determinam alguns valores.
Mas, mesmo com todas estas explicações, continuo preocupada com a questão da morte.
Hoje em dia já existem velórios on line. E não falo de velórios on line fora do Brasil. Eles existem aqui!
Tenho certeza de que, concretamente, isso pode ajudar algumas pessoas que não podem comparecer a um velório, caso ele seja em outro país, ou para pessoas que não podem se locomover até o local.
O meu receio é que o conceito de morte e solidariedade estejam se perdendo.
Se minha neta, de 2 anos, aprende que pode assistir ao velório on line e não precisa comparecer (entendo também que a questão do tempo vai fazer com que, com a facilidade da Internet, um número menor de pessoas compareça presencialmente a eventos assim) na medida em que isto se tornar um hábito, qual será a noção de amizade e respeito à dor de um amigo? Qual será a compreensão que, nesta hora, tudo o que precisamos é do abraço amigo, da presença daqueles com os quais compartilhamos nossas dores?
Será que isto não existirá no futuro, pelo hábito das pessoas só comparecerem virtualmente ao velório de parentes de amigos ou de amigos? Como fica o sentimento de perda e dor, neste momento?
Verifiquei no “pai dos burros”, o Google, que o “on line” está se tornando mais comum e é anunciado como um diferencial competitivo em alguns cemitérios. Agora tem cemitério e igreja drive-thru. Será que este é o diferencial do mundo moderno?
De qualquer maneira, mesmo que o velório “on line” vire “uso e costume”, como as pessoas vão lidar com o sentimento de perda? De amizade? De solidariedade? Como será o abraço físico que nos ajuda a suportar a dor? Este abraço será on line?
Todo ser humano tem uma questão essencial com a morte. Todos tememos a morte como fim de todas as possibilidades. As pessoas que seguem alguma religião que prega a vida depois da morte, estão, de alguma forma, buscando um conforto para a questão da inexorabilidade do fim.
Todos precisamos, em algum momento, nos deparar com a morte e entender a nossa fragilidade.
Na minha opinião, quando esse dado de realidade começa a ficar on line, as pessoas deverão lidar menos com esse fato: a morte virá, em algum ponto, para todos.
Não é à toa que Peter Pan é uma história conhecida – aquele que buscava a vida eterna.
Não é à toa que há vários filmes que nos fazem sonhar com a possibilidade da vida eterna. Esta é uma grande questão do ser humano.
E como isso vai ser tratado pelas próximas gerações?
O que me assusta é que venha a gerar um sentimento de onipotência, de descolamento da realidade. De uma maior banalização da morte, já tão banalizada.
É difícil discutir com os jovens esta questão, já que eles já vivem nessa tribo e não percebem que há outras tribos diferentes das tribos deles! Para eles, o velório on line facilita a vida e elimina a perda de tempo.
Sei que no futuro os valores serão diferentes daqueles com os quais fui criada. É o ciclo da vida.
Mas alguns valores ainda me preocupam. Como o da verdadeira amizade, do suporte ao outro, da ajuda, da solidariedade.
Talvez seja por isso que a Geração Y é chamada de auto-centrada.
Mas o que podemos fazer para reverter ou ao menos tornar consciente esta questão
Qual é o nosso papel como pais e educadores?
Eu não tenho as respostas. Mas adoraria encontrar algumas com vocês.





Olá Eline,
já tinha percebido que a nova geração não comparece em velórios, mas é por “superproteção” dos familiares… poupar o filho de toda aquela situação triste é importante para alguns.
O jovem internauta recebe a informação de morte e já sabe utilizar as ferramentas para este momento. Existem comunidades para comentar o falecimento de amigos e o perfil no orkut de uma pessoa falecida vira espaço para comentários. Muito interessante observar o último caso, muitos internautas mandam mensagens para a pessoa falecida! (psicologia explica?!)
Existe uma geração que eu chamo de “Control+Alt+Del”. Eles podem se desligar de um assunto facilmente apertando alguns botões, seguir para outra pagina em poucos segundos, acreditam que mandar um scrap seja a melhor opção para casos de apoio e o e-mail é básico estas horas.
Vc viu a criação da comunidade/ Flash Mob em Homenagem ao Air France? (85.403 membros) ( http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=1536451)
Com a turma da tecnologia também surgiram as pessoas mais “espiritualizadas”, que acreditam em um plano superior e que o velório é desnecessário, já que a alma já esta em outro local.
Acho que o velório ficará somente para pessoas MUITO próximas e para resolução de papeis/ burocracia.
É muito bom receber o apoio de pessoas queridas pessoalmente e o uso de tecnologia para estes momentos já é um fato.
Eline,
Eu lembro que na época que estudava no colégio, o tema religião nas aulas de Historia, aqueciam a sala de aula. Eu já passei por alguns colégios e o tema religião era algo muito discutido, e a igreja católica era um alvo tanto dos professores quanto dos alunos. Fomos treinados para pensar e descutir sobre as ideologias da igreja e da religião. Os meus professores, eu achava que eram revolucionários, mas na verdade eles são de uma geração que contestou muito. Contestavam a ditadura, a igreja, as guerras, a política entre outras coisas. Fomos “criados” assim… prontos para contestar!
Esse desinteresse pela a igreja tradicional, migrou para a religiosidade. E essa religiosidade é um “famoso” Arquétipo do Inconsciente Coletivo, sempre esteve presente em nossas vidas…
Na época do Egito Antigo, precisávamos do Rei Sol para ajudar as nossas colheitas…. Já hoje, assim como o Renato explicou, surge uma pessoa mais espiritualizada, que sente sim…. mas de uma FORMA diferente a morte!
Tenho uma pergunta…. Porque algumas culturas no mundo, fazem festa quando um ente querido morre???