A música de autoria do cantor Belchior, que ganhou vida na voz de Elis Regina, se analisada verso a verso, mostra o imenso gap entre a cantora, seus pais e os jovens e pais da Geração Y… É engraçado…
Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos…
(Essa geração praticamente nem conheceu os “discos”, que marcaram a vida das gerações passadas. A atual é a geração CD, Chip, Pen Drive. Imagine se aprenderiam alguma coisa com isso? Essas modernidades são apenas ferramentas para os jovens de hoje! Conteúdo é outra coisa…)
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa…
(Amor? É um tema pouco frequente na vida da Geração Y. A questão pra eles é muito mais diversão, aqui e agora. Amor é lá pros pais deles… Ou para o futuro, quem sabe…)
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens…
(Para os jovens de hoje, não há sinais fechados. Tudo é permitido! Nada é obstáculo. Nada é dificil, eles podem tudo…)
Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz…
(Beijar na rua já é perigoso. Hoje é melhor beijar no shopping, na escola, ou em outro lugar mais seguro que a rua)
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração…
Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais…
(de novo mostra a mobilização dos jovens daquela época, o que praticamente não existe mais hoje. Hoje eles são mais individualistas e se reunem virtualmente.)
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais…
(Taí o trecho que mais difere dos nossos dias, dos nossos pais. Ninguem dessa geração vive como os pais. E o pior: não fizeram nada para ser diferente deles. As gerações anteriores não queriam se parecer com os pais, faziam tudo para serem diferentes. E é natural querer ser diferente. Mas acho que essa geração é a que mais conseguiu, sem fazer muito esforço. Tem um gap natural, que vem “incluso”)
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando…
(Idolos? Quê isso? Essa geração tem poucos. As aparências realmente não deixam duvidas sobre quem é de qual geração. A expressão: “estar por fora” é outra que não existe mais. Quem ainda usa demonstra que realmente “está por fora” da “turma”. A expressão equivalente seria “você pode até dizer que não estou na vibe”)
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem…
(desde a época da Elis, os mais velhos não conseguiam encarar o novo).
Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal…
(Papagaiada – expressão da minha mãe, que é Baby Boomer! Quem deu a idéia de uma nova consicência e juventude pros jovens da geração Y não foram os pais, ao contrario da época da Elis. Eles aprendem mais com os amigos e menos com os pais. É fato. E também os pais dessa geração já não tem esse perfil de “ficar em casa sendo guardados por Deus”. Eles estão na luta ainda, trabalhando muito. Para desespero dos filhos…)




