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Descobri um grupo de jovens que abriu uma empresa chamada
www.amigosdealugel.com.br

O serviço que eles oferecem não tem nada a ver com sexo.

São jovens que se dispõem a sair com pessoas que estão solitárias. Eles são aquele alguém para ir a um teatro, a um cinema, fazer compras, ir na balada, a uma formatura, etc.

A empresa existe há 5 meses, mas o site só ficou pronto há dois.

Os rapazes são jovens, com idade entre 21 e 24 anos e começaram por verificar que amigos os chamavam pra não fazer essas atividades sozinhos.

Conversamos com um deles, o Hallan, que nos contou detalhes. Hallan nos disse que quem os procuram, na maioria, são pessoas de mais idade (Geração Baby Boomer?) cujos filhos estão longe, ou mesmo não tem amigos(as) para fazer uma atividade.

Se for preciso, os Amigos de Aluguel até viajam com seus clientes.

Eles têm outros trabalhos, para enquanto o serviço da nova empresa não lhes toma o tempo todo. Mas as demandas estão crescendo.

Hallan nos contou também que os jovens, nas baladas, até gostam de apresentá-los como “Amigos de aluguel”. Os mais velhos não mencionam isso.

Existe até o serviço explicado em inglês para atender a quem vem do exterior e não tem amigos na cidade.

O que eu achei interessante, aqui pro nosso estudo de comportamento das gerações, é o tipo de serviço.

Eu já conhecia o serviço “marido de aluguel”, para quem quer pequenos reparos em casa, motoristas, compras em supermercado, serviços de banco e coisas do gênero. http://www.maridodealuguel.com/

Mas um amigo de aluguel, ah, isso é estranho pra mim.

A gente costumava ter amigos pra tudo. Os amigos pra festa, os amigos pra chorar junto, pra curtir uma “fossa” (acho que vou fazer um dicionário de termos da geração Baby Boomer), pra ir num baile de carnaval.

Nem era legal você dizer que não tinha amigos. Não pegava bem. Até, porque, pensando bem, a gente tinha amigos!

Você era um ser estranho se não vivesse pendurado no telefone, fofocando com as amigas. A gente não tinha outra forma de marcar um cinema, um teatro, um encontro na praia.

Para que a nova geração Y saiba, a gente tinha que conversar com o grupo inteiro pra acertar um encontro, descombinar e combinar de novo para que todos da “tchurma” pudessem se encaixar. E, na casa dos nossos pais, só tinha um número de telefone. Aliás, é importante ressaltar que, para que a gente tivesse uma linha telefônica, levava anos. Nos divórcios, os telefones eram listados como “bens” do casal.

Aliás, o telefone era um só, fixo, pra família toda. Então vocês imaginam nossos pais reclamando que a gente monopolizava o telefone? E os irmãos, reclamando que não tinham vez? E a briga toda, em função disso? Foram relações familiares que acho que poucos de vocês viveram.

Mas era assim que a família se relacionava. Entre brigas e beijos.

Hoje, percebo que os mais velhos são mais excluídos do convívio social e, portanto, procuram alternativas de companhia, porque não vão mais para os asilos, porque vivem mais tempo em melhores condições físicas e com uma cabeça funcionando fantasticamente bem!

Lembro de ir visitar minha avó, na casa dela, mas ela me parecia velhinha e a casa dela cheirava a naftalina.

Mas eu não ia passear com minha avó. Íamos almoçar lá nos finais de semana, pegando o ônibus ou o bonde (isso mesmo, o bonde!).

Minha mãe, hoje bisavó,  além de seu trabalho cotidiano, tem suas amigas, companheiras fiéis com quem vai ao teatro, ao cinema, quando não está num simpósio ou numa conferência. Deve ser assim que meus filhos, seus netos, devem se lembrar dela.

Também não acredito que minha mãe contrataria “amigos de aluguel”.

Talvez, com seus 84 anos, isso seja muita novidade.

Mas acredito que, agora, as pessoas tenham menos problemas em se aceitarem sozinhas, e podem até contratar um amigo. Na minha época, amigo não se contratava!

Talvez o comportamento tenha mesmo mudado. As pessoas não se sentem mais envergonhadas ou incomodadas com situações como essa. A geração Y é mais “descolada”. Não se importa em manter pública sua vida pessoal. Seus problemas e dificuldades são expostas para quem quiser ver ou ler.

A Paris Hilton pode estar bêbada e drogada e ainda assim ser um ídolo. As pessoas podem expor suas intimidades e comportamentos que não sejam “éticos” perante a sociedade e ainda assim não são excluídas dos círculos de relacionamento.

Então, por dedução, não ter amigos é absolutamente normal e você comparecer a uma festa da sua empresa, apresentando um “amigo de aluguel” para os seus amigos, é normal!

Como é esta consciência de que você não tem um amigo pra chamar de seu? Um amigo pra ir contigo fazer compras, “chorar as pitangas”, acompanhar um paquera, fofocar na praia ou nas lojas? Isso tem a ver com o crescimento de amigos de internet? Está todo mundo tão ocupado, todo mundo tão isolado em suas tocas, que é mais difícil sair para encontrar um amigo?

Vi um filme uma vez onde alguns amigos se falam muito por telefone, mas não encontram espaço nas suas vidas para se encontrar.

Será que os amigos agora serão só virtuais? Todo mundo na sua toca, ocupado, com medo da violência, enrolado em seus próprios problemas e mais individualistas?

Será que o fato das pessoas serem transferidas de cidade e de país mais facilmente faz com que a solidão aumente?

Não sei se isto é bom ou ruim. Aliás, digo sempre que alguns comportamentos são dados de uma equação, não são variáveis do problema. Estes fatos serão assim, cada vez mais, e não podemos fazer nada contra.

Podemos lamentar essa falta de convívio pertinho, cochichos, gargalhadas conjuntas, toques de mão amigos, olhares cúmplices, rostos expressivos que hoje temos que substituir por emoticons no MSN?

Como os jovens vêem esta questão? Ou será que isso não é uma questão? Eu espero sinceramente que o trabalho dos rapazes cresça, que a empresa prospere. Eles acharam um nicho de mercado.

Mas me preocupa que as relações sejam cada vez mais “pagas”, que existam por algum interesse maior, diferente do gostar pelo prazer de gostar, pelo prazer de ver outros olhos (que não são os seus) brilharem na gargalhada.

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3 Responses to “Até onde chega sua solidão? Você alugaria um amigo?”

  1. Hallan disse:

    Oi Eline, tudo bom? :D

    Gostei muito do post e me interesse também por um estudo de gerações e comportamentos. Afinal, esse tipo de estudo pode me ajudar muito a crescer como pessoa e profissional na área de tendências e marketing direcionado.

    Sobre o Amigos de Aluguel, primeiramente foi um prazer conversar com vocês.

    Sobre o fato de cada vez mais a amizade ser comprada e virtual, tenho algumas coisas a dizer:

    É fato que o dinheiro está mais presente em todas as relações intepessoais, seja por interesse direto ou indireto.

    No caso de uma empresa, faz-se necessária a cobrança de um valor pela hora do serviço, assim como todas as outas profissões: personal stylist, personal trainner, e até mesmo o “personal friend”.

    Eu sou Designer Gráfico e Digital (www.hallanmoulin.com), e este é meu trabalho principal. Aprendo muito com o perfil que atendo (senhores, senhoras e turistas), e isso interfere na minha vida e trabalho. Estou vendo nesse novo nicho de mercado uma oportunidade de crescer como profissional e como pessoa.

    Outra coisa que vejo em nosso serviço é que, cada vez mais, as pessoas se sentem mais seguras em conversar com desconhecidos sobre problemas pessoais.

    Já recebemos alguns e-mails de pessoas perguntando se poderíamos somente ser amigos virtuais, por msn.
    A resposta é negativa, pois tentamos tirar o virtual e incluir o físico novamente na vida dos “amigos”. Infelizmente em São Paulo, e em grandes metrópolis (acredito), o contato interpessoal se torna cada vez menor. Insegurança, Medo Generalizado são apenas 2 motivos para que isso aconteça, na minha opinião.

    Também creio que um serviço de companhia profissional (sem fins sexuais) pode ajudar (não sei a qual prazo) pessoas a se sentirem mais seguras de ter alguém REAL para conversar, e não somente uma janela de mensageiro instantâneo.

    Reforçando o meu pensamento sobre cobrança:
    Não cobramos pela amizade em si.
    Cobro o tempo/hora que gasto com aquela pessoa, até então desconhecida. Não descartamos a possibilidade de surgir uma amizade dessa relação, tudo é possível.

    Pelo que percebi desde que cheguei em São Paulo, cidade grande é assim…. é louca, arrojada e criativa.

    • Eline Kullock disse:

      Hallan,
      Que bom que você escreveu um comentário! Eu acho que esta questão ainda leva muitas horas!!! Sei o quanto é difícil ter amigos de verdade hoje em dia. As famílias já não representam uma garantia de amizade, o que dizer de amigos. Tenho muito interesse em saber como vai o trabalho de vocês. Acompanhar o desenvolvimento dessa experiência e, com isso, estudar comportamentos.
      Se você puder e quiser, eu te convido a escrever pro blog. Com o teu ponto de vista. Sobre todas essas experiências que você vem vivendo!
      Um beijo,
      Eline

  2. ivonecordeiro disse:

    acho otimo que as pessoas tenham comquem conversar, muitas vezes me senti solitária e não tinha com quem conversar, então passei a devorar livros de auto ajuda acontece que de nada vale ler livros se não voce não tiver como compartilhar suas experiencias, sentimentos e emoções. Nada subistitui a experiencia da vida real, e para isso e preciso ter coragem de sair da toca e enfrentar o mundo e os desafios que ele nos reserva. Compartilhar alguma das minha experiencias tem sido muito gratificante para mim. Hoje tenho muitas amigas e me falta tempo para dar atenção a todas elas. Sinto-me completamente aceita pelas pessoas que me cercam e sinto que posso ajudar pessoas que como eu um dia sentiram-se completamente sozinhas e esquecidas por todos. Cada pessoas humana é uma e especial,mas é preciso que tenha consciencia disso e um amigo nos ajuda a ter essa consciencia.um grande abraço e parabens pela iniciativa.

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