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Por Mauro Segura

Lembro que há alguns anos, num treinamento gerencial, o instrutor pediu para que cada participante trouxesse consigo uma imagem que tivesse marcado a adolescência e que ainda continuasse na mente. A maioria levou fotos da família, da primeira namorada ou namorado, do cachorro e até da escola. Eu fui o único que levou a imagem da pegada do primeiro homem na Lua.

Eu tinha exatos 9 anos quando o Neil Armstrong pisou na Lua pela primeira vez. Aquilo parecia um sonho. Eu ficava olhando a Lua, tentando ver a silhueta do homem que naquele momento estava por lá. Passei parte da minha infância sonhando em ser astronauta, adorava brincar de foguete e estudava astronomia. Eu sabia de cor e salteado os nomes das luas de Saturno, os nomes das galáxias no céu e todas as missões lunares.

Nem passava pela minha cabeça que a corrida espacial não era algo somente idealista e desbravador. Era, na verdade, uma das frentes da intensa batalha política e militar entre americanos e soviéticos. O mundo estava na Guerra Fria enquanto minha cabeça estava na Lua. Meu interesse pelo assunto foi despertado quando li que a URSS tinha enviado, em 1957, o primeiro ser vivo para o espaço. Era a cadela Laika. Na minha imaginação, eu pensava numa cadela linda, entrando na aeronave espaçosa, com o rabo abanando de alegria e voltando do espaço, feliz, para o seu dono. Somente décadas depois é que fui descobrir que a Laika foi enviada pelos soviéticos para morrer no espaço. Ela embarcou numa cápsula super-apertada, numa viagem sem volta, já programada dessa maneira. Não foi acidente. Essa era a missão. Enfim, ela era uma mártir e eu não sabia.

Na minha cabeça de hoje, a pegada lunar é a imagem de um tempo onde eu sonhava. Sonhava com um mundo diferente, num futuro distante e quase inatingível. Depois que virei adulto, a vida e a dura realidade cuidaram para eu guardar essa imagem no fundo do baú da minha memória.

A imagem da pegada lunar voltou a tona nesse mês de julho, quando todas as mídias ainda comemoram os 40 anos da conquista da Lua. A foto da marca deixada pela bota de Armstrong inundou todas as mídias e me fez sonhar de novo, mas só um pouquinho, é verdade.

Tenho a impressão que a juventude dos dias de hoje sonha pouco. São menos idealistas e, talvez, mais tristes. Será mesmo? Quando sonham, o futuro sonhado é mais próximo e pragmático. É um futuro quase imediato. O mundo apressado, conectado, online, com abundância e acesso fácil à informação faz a gente não se desgrudar da realidade. Quando a gente começa a sonhar, aparece algum torpedo de SMS ou twitter para fazer a gente pousar de novo na Terra. Ou seja, o módulo lunar não decola rumo ao seu destino. No mundo atual, certamente eu não levaria décadas para saber que a Laika decolou rumo à sua morte. Talvez alguns minutos.

Na minha infância, eu brincava nos terrenos baldios, nas praças e nos parques. Era lá que encontrava meus amigos e falávamos da vida. Era sempre a mesma turma. Quase sempre jogando futebol com bola murcha e tênis velho, as vezes jogando bolinha de gude. Viajar era algo especial e, quase sempre, inesquecível.

A infância de hoje é repleta de tecnologia. Os orkuts e redes sociais são os terrenos nada baldios de hoje. Falamos com um número enorme de pessoas que não conhecemos e que, muitas vezes, são chamados de amigos após poucas horas de relação virtual. Joga-se games tecnológicos o tempo topo. E viajar… bem, viajar, é algo que fazemos quase todos os dias na internet. Estamos o tempo todo descobrindo o desconhecido na rede. O mundo perdeu suas fronteiras.

Por favor, não entendam mal. Eu não estou afirmando que o mundo de hoje é pior que antigamente. Longe disso. Acho que vivemos num mundo mais democrático e mais consciente de suas mazelas e desafios. Mas não posso deixar que senti, dias atrás, ao ver a imagem da pegada da lua, que o mundo está menos sonhador.

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2 Responses to “1969: O mundo estava na Guerra Fria enquanto minha cabeça estava na Lua”

  1. Bill disse:

    Amigo virtual, acho que você deveria nutrir seu sonho de ver algum dia um outro, NEIL ARMSTRONG pisando na lua, quem sabe um do qual milhares de pessoas não tivessem duvidas quanto a este acontecimento. Tavez eles não contassem com a expanção da internet, que como você bem coloca tornou-se o mundo sem fronteira. Digo isso baseado nos relatos de pessoas que questionam se este fato realmente ocorreu. Como você mesmo diz vivia-se numa guerra fria e paradoxalmente bem quente onde tudo valia.
    Um abraço ,Bill

  2. Vitinks disse:

    Espero que seja mesmo verdade, e tudo isso aconteceu apenas por causa de uma guerra, a guerra fria. Os EUA apenas queria que ficasse na frente da URSS para ganhar a corrida aeroespacial

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