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Por Eline Kullock
Acabo de ver a apresentação do Mark Zuckerberg, criador do Facebook, na FGV.  Mark tem 25 anos e começou sua graduação em Harvard em Ciências da computação e Psicologia. Aos 19 anos, junto com amigos, começou a desenvolver um site “que conectasse as pessoas”. O Facebook tá aí, pra quem ainda duvida da capacidade dos jovens da Geração Y.

Vendo Mark falar temos mesmo a impressão de que ele é muito jovem. E nos questionamos como ele foi capaz de identificar uma necessidade de comunicação das pessoas e a partir daí criar uma rede de relacionamento, quando já existiam outras no mercado. E mesmo assim, caminhar na direção do sucesso.

Me impressionou muito como ele, assim como os jovens dessa geração, fala de transparência, de permitir que todos possam contribuir (criando aplicativos adequados para cada cultura/país), de compartilhar informações e processos na construção do produto.

Mas uma coisa em especial chamou minha atenção. Mark acredita que são as pessoas autônomas, e não aquelas que estão dentro de grandes organizações, as que têm mais condições de desenvolver os aplicativos mais requisitados, exatamente porque não estão com sua criatividade cerceada.

Assim como ele, outros jovens, de maneira verbalizada ou não, também acreditam que a empresa limita o poder criativo de cada um.

Ora, se Mark acha que pessoas não vinculadas a uma empresa provavelmente vão desenvolver aplicativos mais úteis e mais usados pelos que usam o Facebook, ele está dizendo “tentem sozinhos!”. Vocês não precisam de um grande sobrenome organizacional para criar o que eu criei …

Se isto é assim, que as áreas de Recursos Humanos têm um enorme trabalho a ser realizado junto aos gestores.

De qualquer forma, acho que fica a sugestão para que os diretores das organizações repensem o que este menino está dizendo.

Vai servir  para rever seus modelos mentais sobre como será possível permitir que isso aconteça, sob o risco de não termos, dentro das empresas, cabeças pensantes!

Se as empresas contratam trainees, tendo como uma das competências solicitadas a capacidade criativa e a organização vem restringir essa capacidade, como liberar outros “Mark Zuckerberg” dentro das empresas?

Este assunto deve ser levantado com os trainees e com os gestores, para que potenciais criativos não prefiram trabalhar sozinhos, com outros amigos criativos nos seus dormitórios das  universidades.

Mark não terminou Harvard e uma das perguntas que lhe foram dirigidas era exatamente se ele achava que seria necessário terminar uma graduação. A própria pergunta traz, em si, a dúvida sobre a capacidade da  universidade, hoje em dia, de agregar valor ao jovem de grande potencial para que ele seja capaz de desenvolver um produto ou serviço que se transforme em sucesso.

Mark respondeu que ainda não voltou a Harvard e não sabe se vai voltar.

Estas questões que vi, hoje, discutidas na FGV em São Paulo, me levantam vários questionamentos sobre a necessidade de se ter um diploma de uma instituição reconhecida – e esta questão está na cabeça dos jovens que se identificam completamente com Mark  e com a capacidade da empresa de reter esses talentos, permitindo-lhes explorar possibilidades algumas vezes consideradas “não importantes”, mas que podem resultar num produto ou serviço de 6 bilhões e meio de dólares.

Mark saiu apressado, no fim da apresentação, de calça jeans e camiseta, cercado de pessoas, para seu próximo compromisso.  Ele tem 25 anos, cara de menino, jeito de menino, tímido, ainda coçando a cabeça de forma simples e verdadeira quando não sabia bem como responder a alguma pergunta.

Lá foi ele fazer seus acordos com o Terra e com desenvolvedores de aplicativos específicos para o Brasil, bem como criar parcerias com anunciantes, provavelmente.

A pergunta que quero compartilhar com vocês é: suas empresas tem jovens de 25 anos criando e sendo reconhecidos por novos produtos ou serviços?

De que forma eles são valorizados pelos gestores mais velhos? A burocracia organizacional permite a visibilidade destes jovens que fazem a diferença?

Eles percebem esse reconhecimento e entendem a visibilidade que têm?

Este é o desafio dos gestores de RH. E não é fácil. Como se não bastassem todos os outros.

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2 Responses to “Mark Zuckerberg e a capacidade criativa dos jovens nas empresas”

  1. Filipe disse:

    Poucas são as empresas que consideram esses jovens. Estou incluído neste universo, tenho 23 anos, pedi demissão em 3 empresas em apenas 2 anos, simplesmente por acreditar que elas não me consideravam útil para desenvolver idéias e ser inovador. Atualmente trabalho em uma multinacional do ramo automobilístico, e estou no Japão, representando a filial brasileira (muita responsabilidade né rs), participando do processo de desenvolvimento de vários novos produtos até 2010.

    Duas dificuldades que encontrei ao longo dessas experiências:
    1. Empresas pequenas: os gestores se acham os donos da verdade e não querem assumir o risco de inovar, desta forma perdem boas oportunidades de melhorias em seus negócios e bons profissionais tbm.
    2. Empresas grandes e multinacionais: as aberturas para inovação são maiores e dependem principalmente do gestor, porém ficam presas às burocracias da empresa e/ou aos gestores dos outros departamentos relacionados à inovação ou à idéia. Principalmente em relação à inovação em processos da empresa ou a falta de atualização dos processos.
    Um fator (problema) comum à todas as empresas: a inércia das pessoas.
    Ninguém quer “arriscar” o emprego questionando, argumentando com o gerente ou com o superior ou até mesmo alertando-os de que estão errados. Para um jovem que mora com os pais, assumir tal risco é muito mais fácil.

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