
Por Inês Schinazi
Em pé contra a parede em um minúsculo e estreito corredor, posso literalmente sentir o cheiro da corrida de antecipação, excitação e ansiedade circulando pelo ar.
Sinto como se estivesse num aguardado show da minha banda favorita, dividindo espaço num lugar lotado como faria um dedicado fã. Meu corpo se debate contra todos os outros esperançosos apreciadores.
O engraçada é que não estou em um show. São 10 horas da manhã de uma terça-feira, em São Paulo. Estou em pé, em um corredor lotado da Fundação Getulio Vargas (uma das universidades brasileiras de maior prestígio). Esse público não está aguardando uma estrela do rock, ou de cinema, nem mesmo um conhecido estudioso ou autor.
Estamos todos esperando por Marck Zuckerberg, o presidente e fundador do Facebook, que irá palestrar na faculdade (a palestra é exclusiva para alunos da FGV e Alumni). Depois de um tempo, finalmente alcanço o tumultuado corredor do quarto andar e, de alguma forma, consigo passar por uma mesa de seguranças portando uma lista de convidados, ligações telefônicas e coordenadores de eventos.
Esse corredor é onde tudo acontece. É um rito de passagem. Um ponto de encontro, um ponto de espera e a única forma de chegar a Zuckerberg.
Então eu espero e observo. Uma coordenadora de meia idade acessa sua conta do Facebook e parece estar escrevendo algum tipo de mensagem. Eu não sei, mas imagino se ela está tentando entrar em contato com Zuckerberg. De repente, pessoas começam a abaixar e uma enorme fila de indivíduos sem convites, mas desesperados, se forma exatamente atrás de mim.
A equipe do Facebook dá um jeito nisso. Pode-se reconhecê-la facilmente. São todos muito jovens. Todos se parecem com amigos meus. Mas a fresca juventude contrasta bruscamente com suas posturas profissionais. Eu acho que nunca tinha visto tamanha energia concentrada em um Blackberry.
Pessoas mais velhas parecem fora de lugar. É claro, eles são coordenadores e professores da Universidade. Mas percebe-se que nesta manhã de terça-feira todo mundo tem “vinte e poucos anos”.
Quase não entro. E então eu consigo. Assim que entrei na sala, Zuckerberg se dirigiu até o palco. Eu acredito que sua primeira palavra para a platéia foi simplesmente “Olá”.
Instantaneamente fiquei intrigada. Eu imaginava um nerd. Um tipo de cara desajeitado socialmente, e ao invés disso, Mark é charmoso, engraçado, carismático e, claro, extremamente inteligente. Ele fala com entusiasmo, faz brincadeiras, possui claro entrosamento com a platéia.
Olho aquela cabeça vermelha de 25 anos de idade, “uma criança”, (eu me sinto bem chamando ele de criança, já que eu mesma sou uma), vestindo jeans e uma camiseta preta. Ele foi capaz de cativar a atenção de uma platéia cheia de pessoas com pelo menos o dobro ou o triplo de sua idade, numa questão de segundos. Ele também foi capaz de cativar o mundo.
Por um segundo eu pensei apenas em como era surreal toda aquela situação. Isso inverte completamente os conceitos tradicionais de “jovem” e “velho”. Uma vez, quando meu irmão mais novo tinha cerca de quatro anos, ele tentou evitar uma punição alertando meus pais que ele deveriam “ser legais com ele”, porque algum dia as regras se inverteriam, e ele poderia ser ele mesmo o pai. Olhando Zuckerberg literalmente ensinar uma sala cheia de adultos de cabelos brancos, lembrei das palavras de meu irmão.
Eu estou surpresa por Zuckerberg ser tão social e espontâneo. Afinal, muitas pessoas usam Facebook pensando ser um substituto para a interação na vida real. Sempre fantasiei que seu criador era alguém não muito bom nas interações cara a cara e que, por isso, se agarrou ao mundo virtual. Obviamente esse não era o caso mesmo.
Mark explica como é sua missão de conectar pessoas e de encorajar e habilitar o compartilhamento de informações. Ele insiste no fato de que o Facebook permite ter “controle” sobre sua imagem, já que você pode constantemente monitorar e editar suas definições pessoais, tendo deste modo a palavra final sobre quem pode ver o quê.
Ele argumenta que o Facebook é diferente de todos os outros sites de relacionamento. Ao contrário dos outros, ele realmente apresenta você como você é (usando seu nome real, suas fotografias reais, etc) e (para a maioria) conecta você a pessoas que você já conhece.
Talvez o que realmente faz com que o Facebook seja único seja o fato de que a sua constante evolução é movida principalmente pelos próprios usuários. Os usuários do Facebook podem também ser criadores, já que Zuckerberg abriu a possibilidade para que todos criem “aplicações”. Esta abordagem extremamente “interativa” e “colaborativa” define que, de fato, o site vai além, permitindo que os usuários moldem o site para suas necessidades particulares, e não ao contrário.
Os olhos de Zuckerberg faíscam com intensa eletricidade, quando ele diz para a platéia, “sou um criador”. Naquele instante, é impossível não sentir sua paixão. Ele fala sobre o pequeno dormitório onde tudo começou. Eu o imagino, junto aos seus dois colegas de quarto, amontoados em beliches, no meio do caos e da bagunça que definem um “dormitório de faculdade”. Debruçado sobre seu projeto, entre aulas de “Ciência da Computação” e “Psicologia”, completamente óbvias frente ao futuro brilhante que possuíam. Um aluno que abandonou Harvard se transformou no fundador e presidente do Facebook. Agora isso é um conto de fadas moderno. Ver Zuckerberg pessoalmente é a prova de que alguns contos de fadas se tornam sim verdadeiros.





Muito… Mas muito bom mesmo e emocionante de ler !!!
Parabéns Ines.
Bjs,
LCC
Quero ter acesso ao e-mail de Mark Zuckerberg, desejo muito
me comunicar com ele através de mensagens por e-mails …por favor me ajudem a consegui-lo!!!!