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Edward_and_Bella_original

Liliane Fonseca
Hoje tive uma conversa com minha irmã Isabela que me deixou um pouco preocupada. Ela tem 16 anos e é viciada no sucesso teen “Crepúsculo” onde a mocinha se apaixona pelo vampiro Edward.

- Liliane, quero te mostrar uma música e ver se você sabe de onde é.
Eu com o fone ouvindo a música disse:
- Hum… isso é Clair de Lune, quê que tem?
Ela fez uma cara estranha.
- Isso é Crepúsculo! É a música que o Edward fez. Toca no filme!
Respirei fundo.
- Bela, isso é Debussy. Essa música deve ter mais de 100 anos.

Ela não acreditou muito em mim e saiu um pouco inconformada. Essa situação me fez refletir sobre algo curioso: a memória dos jovens. A quantidade de informação a que somos expostos é tão grande, que não fazemos questão de buscar o que veio antes.

Já temos muito para pensar e armazenar. Todo o dia surgem novidades que demandam nossa atenção (ou pelo menos conseguem atraí-la). Recentemente li um texto que dizia que de 100 anúncios, só conseguimos lembrar, mesmo que vagamente, de apenas 8. Imagina se os jovens vão se preocupar em fechar o MSN para procurar quem foi Debussy?

Acredito que em décadas passadas, havia muito mais preocupação dos pais sobre essa parte da educação dos filhos. História, música, arte, moda e comportamento (leia-se etiqueta) eram valorizados e muito cobrados. A preocupação de nossos pais agora é outra. Devemos ser livres dessas amarras tradicionais para sermos pessoas melhores, profissionais melhores e pautarmos nossas escolhas em nossas próprias experiências. Será esse o ideal?

É curioso observar que hoje em dia, esses itens da Cultura Geral, estão totalmente fora das grades oficiais de aprendizado e se tornaram diferenciais. Ninguém mais aprende piano no colégio e as pessoas me olhavam com cara feia quando eu murmurava que na minha escola as meninas podiam aprender bordado se quisessem (era um colégio muito tradicional).

Hoje, cultura geral é artigo de luxo vendido para quem vai prestar vestibular (e depois esquece tudo) ou para quem precisa falar algo bonito em um processo seletivo, porque na memória das novas gerações o espaço já está muito ocupado por tudo o que nós mesmos produzimos nos últimos anos, meses, semanas e segundos.

Fico triste que minha irmã não saiba quem é Debussy e fico mais triste ainda por imaginar quantas coisas já aconteceram e eu desconheço porque estou ocupada demais com a faculdade, a Internet, os blogs e o MSN. Lembro do meu avô me ensinando a jogar xadrez, falando sobre mitologia, cartas do céu e fazendo comigo rebu e criptogramas, e me pergunto como serão minhas conversas com meus futuros netos: se vamos trocar figurinhas sobre gadgets de blog ou se o volume de informações já terá corrompido totalmente a memória das futuras gerações.

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One Response to “A memória das novas gerações”

  1. Anna disse:

    Olá! tenho 27 anos e assisti o filme e li o livro. No livro eles falam claramente de Claire de Lune, de Debussy mais de uma vez, não entendi pq no filme isso foi ” maquiado”.

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