Feed on
Posts
Comments

penelopetrunk6

Por Ines Schinazi

Conversei com Penelope Trunk, a fundadora e presidente do Brazen Careerist.com

Ines: Você fala que sua própria carreira nunca teve uma trajetória em linha reta. Como você teve a idéia do seu blog? Foi alguma experiência particular que fez com que você decidisse criá-lo?
Penelope:
Eu era colunista no “Boston Globe” e estava escrevendo uma coluna sobre blogar, já que muitas pessoas estavam falando sobre isso. Pensei que a coluna seria sobre a perda de tempo que é isso, porque tenho muitos amigos gastando todo o seu tempo em seus blogs e não ganhando dinheiro algum com isso. Mas quando estava fazendo as pesquisas para a coluna, percebi que os blogs estavam ajudando-os em algumas coisas que não eram monetárias, mas que eram muito importantes para suas carreiras. Terminei escrevendo que se você quer realmente quer ter uma grande carreira, estável e lucrativa, então você deveria blogar. Foi então que percebi que eu mesma não tinha um blog e que deveria ter antes da coluna ser lançada. Então criei um muito rápido, e assim é mais ou menos como eu comecei a blogar.

Ines: Como você teve a ideia do Brazen Careerist?
Penelope: O blog se tornou grande muito rápido, por conter conselhos sobre carreiras para a Geração Y, quando não havia ninguém fazendo isso. Quer dizer, estavam fazendo, porém eram terríveis conselhos. Então, companhias começaram a me pedir consultas sobre como recrutar e reter a Geração Y. Eu dizia às empresas, “vocês precisam conversar com a Geração Y. Vocês não podem simplesmente enviar a eles spams com ofertas de emprego”. As organizações perguntavam, “onde teremos essas conversas?” e eu respondia, “online”. Mas aí eu percebi que não havia realmente um lugar para se ter uma conversa online com alguém de vinte anos, a menos que você fosse ao Facebook. Mas no Facebook todo mundo tem um jeito muito informal. É muito pessoal e não é uma forma muito profissional de se apresentar. Então eu lancei o Brazencareerist.com para pessoas de vinte anos se apresentarem profissionalmente.

Ines: No post “Meu nome não é verdadeiramente Penélope” você explica como sua carreira se tornou tão estreitamente vinculada com a marca “Penélope Trunk” e que você se tornou na verdade a marca chamando você mesma de Penélope (tanto na vida profissional quanto na pessoal), sendo a única forma de deixar as coisas menos loucas.
O post me deixou pensando sobre identidade na idade digital. Na sua opinião, como o conceito de identidade tem sido envolvido e modificado com a evolução da tecnologia? Você sente que essa identidade tem ficado mais fluida, flexível e aberta? Ou a tecnologia tem nos amarrado, em uma rígida e permanente identidade?
Penelope:
Pessoas que crescem online são muito melhores para administrar identidades online. Elas não cometem os erros que as pessoas mais velhas cometem.

Elas são também menos “broncas” online. Algumas pessoas mais velhas sentem-se como se possuíssem anonimato online, então elas não percebem que tudo pode ser rastreado. Pessoas mais jovens têm um comportamento online muito melhor, porque eles pensam nisso como algo público e não anônimo. Acredito que, em geral, pessoas mais jovens são boas em saber quem são elas, tanto offline quanto online, não se comprometendo em algum caminho esquizofrênico e desarrumado.

Ines: Qualquer um que lê seu blog sabe que você é realmente interessada no estudo da “felicidade”. No post “A conexão entre um bom trabalho e felicidade é superestimada” você expressa a idéia de que “a qualidade dos relacionamentos impacta seu nível de felicidade mais do que seu trabalho”. Minha pergunta é: nessa “idade digital”, quando muitas de nossas interações sociais acontecem via internet, você acredita que haverá uma diminuição significativa nas relações pessoais, diminuindo deste modo nosso nível de felicidade? Ou iremos simplesmente estabelecer relacionamentos significativos através destas novas tecnologias?
Penelope:
Bem, o que nós vemos com a geração Y é que eles são muito melhores offline, tanto para se comunicar quando para manter os relacionamentos. Então, acho que há mais que se trabalhar com as experiências de gerações do que com “online” ou “offline”.Uma coisa que se pode ver é como é diferente o uso do Twitter entre pessoas jovens e mais velhas. Acredito que isso é um tipo de metáfora de como gerações estão utilizando tecnologias online. Pessoas mais velhas o utilizam como uma forma de conversação e para evitar a conexão. Pessoas mais jovens estão utilizando isso para estabelecer conexão quando estão offline. Este é o caso de diversos meios de comunicação como, por exemplo, o Facebook. Pessoas mais velhas o utilizam para obter novamente contato com pessoas com as quais perderam, e provavelmente nunca irão ver novamente.

Os jovens utilizam para manter contato com pessoas as quais eles já têm relações significativas. Em geral, acredito que pessoas mais jovens são melhores se comunicando do que pessoas mais velhas. Acho que não tem nada a ver com tecnologia. Quando vocês estavam tendo uma ditadura no Brasil, todas as donas de casa americanas estavam no Valium, porque elas não podiam cooperar sendo donas de casa. A cultura de esconder o que não está indo bem, ou esconder o que você não quer que as pessoas vejam, é algo que não prevalece tanto para a jovem geração. Eles são mais dispostos a dividir.

Ines: Você frequentemente fala sobre como blogar faz você se sentir inserida numa comunidade. Em sua opinião, estamos caminhando para um mundo no qual as comunidades serão maioria no mundo online do que no real?
Penelope:
Sabemos que os humanos são fundamentalmente sociais. Então não importa o que você faz com os humanos, eles irão querer socializar. Nós sabemos que se você não toca nos bebês, eles morrem. Devido à nossa necessidade humana fundamental, tanto de sermos sociáveis quanto de sermos tocados, nós nunca poderíamos “não estar” em comunidades com pessoas. Se isso acontecesse, nós não seríamos fundamentalmente humanos. Então é como não haver questões.

Ines: Em sua opinião, o que concretamente podemos fazer para conseguir que veteranos, baby boomers, geração X e geração Y coexistam mais pacificamente e produtivamente no local de trabalho?
Penelope:
Despedir todas as pessoas que não queiram colaborar. O empregador tem toda a autoridade agora no mercado de trabalho. Estamos numa recessão. Todos que não estão se dando bem entre as gerações devem ser simplesmente despedidos.

Ines: Mas você não acha que a maioria de baby boomers é que terá problemas com a geração Y?
Penelope:
Só porque você está chateado por uma outra geração assumir as coisas não significa que você não está trabalhando bem com eles. Em geral, a geração X é a mais irritante de todas. Os baby boomers pensam que estão reinventando o mundo. Eles pensam que reinventaram a idéia de trabalho em equipe, estão cuidando das pessoas e tendo significado na vida. Eles não reinventaram. Seus filhos, a geração Y, são muito assim. O resultado disso é que os baby boomers e a geração Y neste ponto de suas vidas querem a mesma coisa. Acontece que os baby boomers perderam 40 anos querendo coisas egoístas, grosseiras e ofensivas antes de conseguirem essas coisas realmente. Mas neste ponto os baby boomers e a geração Y são muito alinhados. É a geração X que incomoda completamente a todos. Em geral, a geração X é quem deixa a maioria do trabalho feito, que é a forma como tem sido todo o tempo com baby boomers e geração X no local de trabalho. As pessoas, nesse ponto, não conseguem se entender, estão tão longe, atrás da curva, e por isso deveriam ser demitidas. A indústria de consultoria para fazer com que gerações se entendam é de 10 anos. É uma indústria de 50 bilhões de dólares. Se as pessoas não podem ter esse controle, elas são tolas.

Ines: Seu blog ofusca a linha entre o público e o privado. Recentemente vi uma exposição de arte da artista francesa Sophie Calle, que transformou um e-mail de rompimento de seu namorado em uma obra de arte. A exposição me lembrou o seu blog, no sentido de que Calle também não mantém segredos e revela sua vida pessoal de forma muito aberta. O que você pensa sobre a concepção de “público” e “privado” na idade digital?
Penelope:
Estou numa situação única, pois sou paga para navegar nas fronteiras entre o público e o privado. Eu vou mais além do que as outras pessoas fazem. Recebo para contar às pessoas como construirem ótimas carreiras, e elas vêem a minha carreira como ótima. Então eu posso apenas contá-las como ser eu mesma. Tenho uma fronteira muito mais sombria do que as outras pessoas.

Ines: No post “O que fazer na universidade para obter sucesso em sua carreira”, você aconselha estudantes universitários a tomarem aulas de teatro. A necessidade de “atuar” tem contribuído para o melhor uso da tecnologia?
Penelope:
Hoje, como as coisas são mais abertas e transparentes, autenticidade é o que tem sido recompensado. Aulas de teatro ensinam você a ser mais autêntico.

Ines: Muitas pessoas dizem que estamos experimentando a maior lacuna entre gerações já existente. Essa lacuna ficará ainda mais larga? Ou você acha que essa irá diminuir?
Penelope:
Nos Estados Unidos, algo em torno de 60% das pessoas jovens voltaram a morar com seus pais. Então definitivamente não existe uma lacuna entre gerações. Os filhos e pais têm se dado muito bem. A geração Y ama seus pais. A lacuna entre gerações é no trabalho, onde pessoas mais velhas escalaram a ladeira e venderam suas almas para poderem alcançar o topo das corporações e agora pessoas mais jovens não estão mais escalando, o que deixa os mais velhos muito bravos.Mas em casa pais e filhos têm valores muito similares.

Ines: Certo. Mas o que acontece quando os valores da geração Y aprendidos em casa não são levados para o trabalho?
Penelope:
Não há uma lacuna muito grande entre gerações. É uma falha na vida das empresas. A idéia de você vender a alma para uma corporação e ela tomar conta de você pelo resto da vida é ultrapassada.

Related Posts with Thumbnails

Deixe Seu Comentário