
Por Eline Kullock
Ontem estive em Porto Alegre fazendo uma palestra no Seminário de Gestão de Pessoas da Amcham, junto com José Tolovi Jr., presidente do Great Place to Work Institute e com o Carlos Faccina, presidente da BSP e ex-Diretor de RH da Nestlé. A mim, coube a parte das gerações e suas relações, meu assunto favorito.
Uma platéia de mais ou menos 350 pessoas nos prestigiava e, como sempre, o pessoal de Porto Alegre é extrovertido, realmente “alegre” .
Fui preparada para um frio danado mas o clima estava agradabilíssimo!
Quando começamos a discutir a nova liderança para as empresas do futuro, a questão foi dando um nó na minha cabeça…
Na minha palestra, falei sobre como esta geração é tida como mais imediatista. Que não viveram o tempo da carta que levava vinte dias para chegar ao seu destino final, não viveram um mundo de um ritmo mais calmo, que nos permitia fazer grandes reuniões de planejamento estratégico/ operacional. Se eu propuser a um grupo geração Y um planejamento de cinco anos de um produto ou serviço, vou ser tratada como um ET.
O Faccina falou que liderar é ser humano, reconhecer as pessoas como indivíduos, cuidar delas.
E diante dessas nossas reflexões ali, diante de tanta gente, fiquei me perguntando como fazer para que os jovens da geração Y se tornem bons líderes. Eles tiveram bons modelos na escola? Na religião? Nas suas casas, nas suas famílias, algumas desfeitas e refeitas tantas vezes?
Como vamos prepará-los para exercer a liderança de uma equipe num mundo ainda mais competitivo que o dos Baby Boomers, no tempo do futuro, que é diferente do meu tempo, onde a tomada de decisões se torna ainda mais rápida, eventualmente com um número menor de informações do que já temos hoje para nos auxiliar nesse processo?
Sabemos que estes jovens estão acostumados a conversar virtualmente, a serem mais auto-centrados e também a serem muito questionadores.
Como eles vão exercer esse papel tão complexo de serem um exemplo para sua equipe?
Que maestros serão esses, de uma orquestra questionadora e desobediente (característica marcante da geração Y), convencendo-os por seu carisma, por sua energia, por sua postura, por sua generosidade, a tocar projetos ousados, que exigem dedicação, atenção concentrada, resiliência, extenso planejamento para permitir tomadas de decisão adequadas?
O evento contou ainda com a participação do professor Laurent Lapierre, Ph.D. em Leadership no Canadá, que falou do verdadeiro líder, que se conhece, sabe seus pontos fortes e conhece suas fraquezas. Sabe que não é onipotente e por isso mesmo não cai na impotência. Sabe usar as emoções para gerir pessoas e tomar decisões.Sabe reconhecer em si mesmo quando toma suas decisões pautado num processo emocional. Sabe que o papel de líder inclui ter dúvidas e conviver com elas. Sabe-se humano, falível, e a partir de suas conferências internas, sua conversa consigo mesmo, toma suas decisões.
Afinal, ser chefe não é somente ocupar a cadeira mais bonita. Ganhar um salário melhor. Mandar fazer. Certo?
No final da palestra, quando conversei com Faccina, falamos um pouco do nosso papel de formadores, orientando essa tropinha para difícil tarefa “aprofundar o superficial”, num mundo onde a velocidade talvez não lhes permita essa visão.
Como educadores, este é, sem dúvida, nosso maior desafio. Como gestores de hoje, é nossa maior missão. Dar-lhes exemplo. Dar-lhes visão de longo prazo, presenteá-los com generosidade, orientá-los para que não sejam onipotentes, de forma a não cair na impotência. A serem maestros de uma orquestra que vai tocar brilhantemente em meio ao caos.
Saí de Porto alegre com o olhar perdido nas minhas reflexões. E impressionada com o atendimento de um hotel que já citei aqui… Dá pra acreditar que a recepção sabia, quando eu cheguei para fazer o check in, que eu ia pedir um balde de gelo, porque gosto de coca-cola com muito gelo? Quando subi pro meu quarto, o balde estava lá. O rapaz que me acompanhou com a mala (Geração Y), sorria de orelha a orelha, feliz pela minha expressão de espanto e admiração… Fiquei pensando quem seria o líder dele…





Boa tarde Eline, estive na palestra de ontem em Porto Alegre, sou do final da Geração X, nasci em 1978, tenho alguma(muita) da geração Y comigo, e tenho um filho de 13 anos, bem geração Y, fiquei “matutando” o dia todo, e a noite tudo que tu disse, e me questionando, o que estou ensinando para o Hariel?(meu filho)
Que mundo estou deixando, que exemplos ele vai ter de mim, se me vê 4 horas por dia no máximo, se ele tem seu próprio iglu, eu o meu, e meu esposo o dele. Confesso que não cheguei a nenhuma conclusão, mas que vou fazer o possível para que as lembranças que ele tenha, e exemplos que eu venha a deixar sejam de valia para o futuro dele.
Esses dias ele me questinou o por que de eu e meu esposo não sairmos mais, disse que quando começamos a namorar nos divertíamos mais, que ele queria que voltássemos a sair. Na hora eu achei graça, afinal, o tempo passa, hoje temos ainda mais atribuições que a 6 anos atrás, mas me fez pensar como ele me enxerga, e te ouvir me fez refletir ainda mais.
Obrigada pelas palavras ditas, pelos ensinamentos que me deixaste, vou te seguir no twitter (minha parte geração Y hihihihihi),
Um beijo, com carinho
Luciana Lagoas
Luciana,
Que bom que a palestra ajudou! Este é o objetivo! E, na verdade, sempre que faço uma palestra, vejo que o conteúdo serve pra vida organizacional e pra vida pessoal. Interessante, né?
Um beijo grande pro Hariel, que aos 13 anos ele sabe muito!
Um beijo carinhoso,
Eline
Eline, boa tarde!
Assisti tua palestra, na AMCHAM, dia 13/08.
Sou da geração “Baby Boomer”, nasci em 53. Sou advogada e exerço o cargo de Gerente de RH na empresa onde trabalho já faz um longo tempo ( mais de 35 anos). Continuo estudando, faço inglês e pós graduação em Gestão de Pessoas, participando de Fóruns como este que a AMCHAM promoveu enfim, buscando estar em sintonia com nosso mundo atual.
É sempre muito bom ouvir falar bem do estado da gente. Obrigada.
Porém, tua palestra me levou a refletir bastante,não só sobre meus filhos, um do final da geração” X” e o outro da geração Y, nas diferenças entre os dois, mas também sobre meus colaboradores os quais também são desta geração “Y”. Entendi melhor o comportamento deles, a forma com que se comunicam, o aparente descomprometimento, que agora me parece ser apenas força do imediatismo, uma das características desta geração.
Com certeza muito temos a aprender com eles, mas para isto precisamos nos “abrir” e buscar entendê-los.
Espero poder assistir mais algumas palestras tuas, sobre este e outros temas contemporâneos.
Tua empatia é imensa e foi muito agradável te ouvir.
Um grande abraço e desejo muito mais sucesso ainda do que já conquistaste.
Suzana
Suzana,
Então somos quase da mesma idade. Eu tenho 54 anos, um filho de 31 e um de 25. Completamente diferentes.
Você tem toda razão quando diz que temos muito o que aprender com eles. E eles também tem muito o que aprender conosco. Se perceberem que nossas vivências são diferentes e que todos podemos agregar muito para o sucesso da Organização, estaremos focando no mercado, nos produtos, nos Clientes, na concorrência e não em conflitos internos.
Obrigada pelo carinho.
O que você precisar pode me escrever pro e-mail elinek@grupofoco.com.br
Estamos na era do compartilhamento!
Um beijo carinhoso!
Eline