Por Eline Kullock
Acabo de ver um filme muito bonito e que me traz de novo a reflexão sobre a geração Y. O filme em português chama-se “Três vidas e um destino” e em inglês “Head in the Clouds”.
A história se passa antes da Segunda Guerra Mundial e vai até o final dela.
É um filme romântico, mas consistente.
O que me impressiona nele, entre outras coisas, é como, antes da guerra, as pessoas provavelmente a previam, mesmo sem verbalizar o sentimento, e viviam cada momento como se fosse o último.
“Era um tempo onde as regras da sociedade estavam mudando…”, diz o trailer.
Eram muitas festas, muito glamour, muito sexo, muita bebida, uma permissividade grande.
“The past and the future are irrelevant. The moment is everything”, diz um personagem.
E então vem a guerra, que muitos se recusavam a ver.
Todos tinham “their heads in the clouds” e Gilda, a atriz principal, tem também a cabeça nas nuvens, com um receio enorme de que a vida a traga para a realidade. Recusa-se terminantemente a ver os perigos do momento, quer na Guerra Civil da Espanha, quer na invasão da Alemanha na França.
Como eu comparo isso aos jovens de hoje?
Pela vontade enorme de viver o presente. Como se não houvesse futuro. Estamos à beira de uma guerra que, provavelmente, eu e muitos nos recusamos a ver.
Os jovens saem para as baladas no meio da semana, quando têm aula no dia seguinte, como se essas fossem as regras de uma sociedade que já mudaram.
“- Mas você vai sair hoje, de novo, para uma festa?”
“- Mãe, mas pode ser a última balada da minha vida!”
“- Você vai surfar de novo? E a faculdade?”
“- Mãe, mas pode ser a última vez na minha vida!”
“- Mas quando você vai voltar da viagem? Você vai perder 10 dias de aula!
“- Pai, mas pode não haver outra oportunidade!”
Me pergunto que futuro vêem estes jovens ou que guerra vem por aí. Sou eu quem estou com “my head in the clouds”?
Preparamos um futuro pros nossos filhos?
Eu tenho a sensação que sim, preparamos. Mas talvez eu esteja enganada.
Eles vivem completamente no curto prazo e isso terá um impacto grande nas organizações. Já escrevi sobre a dificuldade que esta geração vai ter em aceitar planejamento estratégico de cinco, dez anos. Até planejamentos de um ano deverão ser questionados pela geração y, que nos perguntará:
“Mas, e se outra crise vier?”
“Como planejar num mundo onde tudo fica em “beta teste” porque não há tempo de se rodar versões mais atualizadas. Quando, a partir de uma versão “beta”, já se parte para um outro produto, software ou aplicativo?”
Quando falamos tanto num mundo onde não teremos capacidade para alimentarmos de forma satisfatória todo mundo, onde não teremos mais florestas e é necessário rever todas as políticas de emissão de gases na atmosfera, e mais as pandemias, as doenças, será que todas essas questões nos fazem revisitar o planejamento do futuro que estamos preparando para nossos filhos?
Não posso deixar de lembrar da frase do Mario Sergio Cortella que diz:
“O futuro que estamos preparando para nossos filhos são os filhos que estamos preparando para o futuro”.
Quando todo o consumo é imediato, quando todo plano de remuneração de bônus se faz por resultados em curto prazo, quando prestigiamos qualquer coisa breve, será que estamos dando uma visão de longo prazo para a Geração Y?
Será que nós também contribuímos para que eles tenham a cabeça nas nuvens?
Isto me lembra uma frase que me marca muito como empresária:
“Only great men can have their foot on the ground, and their heads in the clouds. But only great men.”





Adorei o texto e a comparação foi muito cabível. É assim que nos sentimos, ansiosos pelo momento. Só fica a dúvida: Quando e como esta guerra vai terminar? Acho que a resposta pode demorar alguns anos… e quem é da geração Y terá que esperar para ver!!
Oi, Tatiana, me desculpe pela demora na tua resposta!
É sempre bom receber um comentário de alguém da própria geração Y que pode confirmar uma hipótese levantada ou contrargumentar dizendo que os jovens não se sentem assim.
Realmente não sei quando e como as gerações vão parar de se sentir em clima de “viva uma vida inteira em 24hs”. Talvez nunca! Talvez possa haver um equilíbrio entre o imediatismo da geração Y e a paciência da Geração Baby Boomer e, provavelmente, seu conformismo.
Por favor, comente sempre que você puder os textos do blog e sinta-se à vontade em nos ajudar mandando textos teus sobre este tema!
Um beijo,
Eline