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Por Sérgio Seloti Jr.
“A meninada precisa ser seduzida. Ler pode ser divertido e interessante, pode entusiasmar, distrair e dar prazer”
Lya Luft

Li um texto da Lya Luft na Veja . A frase que vai acima é parte do texto e reflete uma preocupação que tenho como docente. Pode ser algo pessoal, mas entendo que, como docente, tenho uma missão maior do que simplesmente ensinar um conteúdo. Acredito que tenho que instigá-los a investigar, pensar, questionar. Utopia ou missão, não sei e não me preocupo em saber. Ajo e ponto.

Um grande desafio é auxiliar na transformação de uma “geração 140″¹ em leitores. Indepentende da obra – eu mesmo não tenho paciência para alguns “clássicos” – o hábito da leitura tem vantagens inúmeras. Além de treinar a mente, enriquecer vocabulário, melhorar a escrita, a leitura pode proporcionar incontáveis horas de diversão a um custo muito baixo. Tão portátil quanto alguns celulares, um livro ainda tem a vantagem de não ser um objeto de desejo da maioria dos ladrões – o que é uma pena. Pode ser usado no metrô, em casa, na escola/faculdade, enquanto espera alguém no shopping… até mesmo no banheiro!

Há quase dois anos faço uma experiência com meus alunos de 2º período na FIT. Essa turma tem comigo a disciplina de Fundamentos de Tecnologia que, apesar de ser tecnologia, é um conteúdo um pouco cansativo, às vezes. Há alguns semestres, identifiquei que a média de leitura da sala era similar à média de leitura do brasileiro (algo em torno de 1,7 livros ao ano). O número não assustaria se não estivessemos falando de jovens com uma condição social estável e na maior capital do país. Eu me assustei. Esse número se repete em outras turmas e, por conta da missão que citei antes, propus a eles um trabalho: indiquei alguns livros de ficção científica e tecnothrillers e desenvolvemos um trabalho de análise do ambiente tecnológico… do livro!

Dan Brown, Michael Crichton, Asimov, Orwell tornaram-se nossos companheiros durante cerca de dois meses. Nas últimas apresentações, trouxemos de volta o “elemento 140″; com os slides online, fazíamos comentários e interagíamos com a apresentação através do Twitter. A experiência foi incrível!

É interessante notar que, ao contrário do que muito se fala por aí, esses jovens podem, sim, tornarem-se leitores assíduos dos livros – e livros não necessariamente de papel, mas e-books, blogs e outros. Concordo plenamente com Lya Luft: eles precisam ser seduzidos. Não enganados, mas apresentados a outras possibilidades de leitura.

Fazer isso sem preconceitos e entendendendo as necessidades dessa geração é uma tarefa difícil, mas recompensadora.

Sérgio Seloti leciona disciplinas relacionadas a Administração e Tecnologia, como TGA, Processos Administrativos, Estratégia Empresarial, Marketing, Análise de Processos e Tecnologia. Acreditando que ser professor é mais do que ensinar uma disciplina, oferece aos alunos uma oportunidade de aprender a aprender, permitindo, assim, que continuem sempre a fazendo novas descobertas por si mesmos. http://profsergiojr.wordpress.com/

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4 Responses to “Literatura em 140 caracteres?”

  1. Vânia disse:

    Olá!

    Gostamos do seu post e ele é um dos destaques de hoje aqui na home do Blogblogs.

    Confira!

    Abraços,

    Equipe Blogblogs.

  2. Bruna Paese disse:

    Muito interessante o texto. Gostaria se possível de fazer um comentário em torno do assunto “eles precisam ser seduzidos”.
    A cerca de 1 hora atrás, estava pensando sobre coisas que li e ouvi a respeito de nós jovens, que geralmente não somos fiéis a marcas, produtos e afins.
    A reclamação gira em torno de que nós abandonamos fácil as coisas, nos cansamos e as tornamos obsoletas em um piscar de olhos.
    Cheguei a conclusão que não é esse o X da questão. Porque posso citar aqui, centenas de exemplos de coisas que eu faço desde sempre e nunca me cansei de fazer.
    Pensei e cheguei a conclusão que mesmo algumas vezes essas coisas me causando desapontamento ou frustração, eu nunca as abandonei. Segundo a teoria da geração Y, isso seria motivo suficiente para largamos tudo e partirmos pra outra. Pensando um pouco mais, entendi que fui fiel a elas porque as amo, porque sou apaixonada por elas.
    Comecei a reparar nas coisas que meus amigos, da mesma geração que eu, gostam e fazem desde sempre, e pimpa! A mesma conclusão…
    Que quando acreditamos em algo, quando queremos algo verdadeiramente, somos tão unidos e inseparáveis que nos tornamos irreconhecíveis.
    O X da questão, então, é saber como nos conquistar, como fazer com que desperte esse desejo pelas coisas. Como nos seduzir?
    Essa é a grande questão.
    E a propósito eu AMO Lya Luft =)

  3. Olá, Vânia! Puxa, fico muito feliz em saber que gostaram!!

  4. Bruna, realmente Lya Luft é muito boa no que faz e ter comprado a Veja daquela semana presenteou-me com essa agradável surpresa.

    Sou um pouco Gen X, um pouco Gen Y – e não nego minha crise de identidade às vezes – e creio que entendo o que você diz sobre lealdade às marcas. Penso que essa questão é um pouco diferente do que se pensava até alguns anos. Quando alguém fala em sabão em pó, uma marca nos vem imediatamente à memória. É um produto consolidado para um público que o acompanha há muitos anos. Mas tenho dúvidas se o mesmo vale para novos produtos, que nasceram com a nova geração. Se um sabão em pó pode se vender só porque se diz bom, me parece que uma geração mais nova não necessariamente aceita isso passivamente. Por que algo que diz que é bom pode ser bom por testemunho próprio? Vamos pensar em algo realmente novo, um iPhone. Além da “novidade”, o que ele tem de tão… sedutor? A marca da Apple? É suficiente? Queremos um iPhone ou queremos ouvir nossas próprias músicas? Queremos um filme ou queremos nos divertir? Queremos um Twitter ou queremos fazer parte? Penso que a Gen Y apenas queira suas coisas independente da embalagem. E, se isso for verdade, a embalagem depois de rasgada perde a graça. Se o conteúdo não valer a pena, mudamos…

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