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Por Ines Schinazi

Como pequenos voyeurs, examinamos tudo por meio da televisão, fascinados por imagens dançantes, borbulhando de algum lugar vindo da telinha. O reality show atinge a mente humana assim como um ladrão nos ataca com um taco de beisebol, deixando-nos completamente inconscientes. Ele nos inflama um desejo animalesco, quase surreal. Imploramos por mais e mais… Alimentando o voyeur dentro de nós, tirando sarro daquele que nos olha lá de cima.

É claro que o nome “reality show” apresenta um abundante paradoxo. Poucas coisas são mais distantes da realidade do que Paris Hilton escolhendo uma melhor amiga em rede nacional, a vida de Lauren Conrad em “The Hills”, as festas de aniversário em “My Super Sweet 16”, e mais recentemente o programa “NYC Prep” (uma tentativa de criar um “Gossip Girl” da vida real.)

Programas como “O Aprendiz” e “America´s Next Top Model” trazem o aspecto um pouco mais realista da competição, insistindo no fenômeno de ter desconhecidos brigando desesperadamente por seus sonhos. Porém, o público continua assistindo a um programa de TV, geralmente editando dias inteiros para chegar a uma hora de duração.

Contudo, a demanda para esses reality shows obviamente continua a crescer, já que dominaram as televisões no mundo todo, deixando para trás muitas comédias tradicionais com um gostinho de “vida real”. Até mesmo a MTV não toca mais música. Ao invés disso, eles transmitem reality shows, e a música, às vezes, consegue se encaixar entre uma cena e outra.

Por que a sociedade moderna implora e curte tanto os reality shows? Eles existem desde a década de 40. “Candid Camera”, de Allen Funt, foi possivelmente o primeiro. Entretanto, os reality shows só começaram a atingir sucesso global no ano 2000. Desde então, eles vêm se multiplicando exponencialmente, como um marco visível, já que a sociedade assiste à televisão menos por escapismo e distração, e mais para uma espécie de espelho distorcido.

O sucesso explosivo dos reality shows coincidiram com o boom na comunicação digital e online. Curiosamente, as redes de relacionamento também tiveram uma explosão a partir do ano 2000. O MySpace foi fundado em 2003, o Facebook em 2004 e o Twitter, em 2006.

Os reality shows e as redes sociais online compartilham o mesmo aspecto do voyeurismo. Ambos permitem ao indivíduo observar os outros num anonimato passivo. Os dois tipos de mídia sugerem “vida real” mas, no final, oferecem uma versão idealizada desse conceito. Uma cena editada de um reality show pode se comparar a um perfil online cuidadosamente construído. Em ambos os casos, o que você vê nem sempre corresponde ao que é verdade. Assim, reina a ilusão da realidade.

O reality show aumenta nossa atração para as redes sociais online? Ou estas redes nos levam ao reality show? Ou ambos os tipos de mídia se alimentam uma da outra, refletindo o tipo de sociedade que nos tornamos?

As estatísticas de 2009 do Facebook revelam que “Mais de 120 milhões de usuários entram no Facebook ao menos uma vez por dia. Mais de 5 bilhões de minutos são destinados ao Facebook diariamente (no mundo inteiro), e mais de 30 milhões de usuários atualizam seus status pelo menos uma vez por dia”

Como as redes sociais se tornam cada vez mais “sociais”, substituindo inevitavelmente uma interação ao vivo, será que o apelo do reality show aumenta? Será o reality show uma tentativa de assistir à “vida real”, já que você não consegue aproveitar o suficiente da sua própria vida?

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