Por Eline Kullock
Eu sou do tempo em que se paquerava “ao vivo”. Geração Y nem sabe o que é isso, capaz que nem existe mais “paquerar” no dicionário… Brincadeiras à parte, a paquera dava pra gente aquela possibilidade de perceber a magia do olhar do outro, o brilho nos olhos, aquelas “faíscas” que produziam paixões ardentes. Ao vivo podíamos ver as mãos nervosas que demonstravam que a conquista estava no ar. Mas hoje, tudo parece acontecer por uma linguagem diferente: SMS, Scrap, Twittada e Emoticon!!! Eu acredito que a comunicação é mutante mesmo, mas é uma pena que o gestual do corpo tenha ficado em segundo plano. Porque é raro as pessoas se encontrarem e terem a oportunidade para se expressar como eu tinha.
O antropólogo Edward Hall foi o primeiro, creio eu, a cunhar o termo “A Linguagem Silenciosa”. Hall se referia à linguagem do corpo: às expressões faciais, ao corpo que fala, gestos das mãos, postura, enfim, uma série de códigos “mudos” que expressam muito numa conversa ou discussão. Brincamos que, especialmente nós, brasileiros, não conseguiremos falar se nos amarrarem as mãos. Falamos dançando, andando, cantando, gesticulando, olhares, com trejeitos, muxoxos, olhares, sorrisos, expressões de todo tipo. Mesmo que estejamos dizendo uma coisa, sabemos que o corpo transmite mais, e nem sempre essas linguagens (do corpo e da fala) são congruentes. A emoção com a qual falamos também tem muita a dizer. Afinal, somos um povo emotivo.
Com essa nova cultura na qual os jovens trocam SMS o dia todo, se falam pelo MSN, pelo Facebook, pelo Twitter, pelo Orkut ou por qualquer outra mídia social (esqueceram que o telefone existe!), eu me pergunto: como será esta nossa comunicação que é mais do que texto ou imagem? Esta questão foi trazida num interessante artigo publicado no Wall Street Journal.
A linguagem corporal é frequentemente inconsciente. A minha grande questão é como esta emoção vai ser passada para as outras pessoas, para nossos interlocutores, pelos textos? Muito da liderança também vem da emoção, do carisma, da “causa” que o líder defende e consequentemente consegue engajar seu time.
Laurent Lapierre, Professor PhD Canadense, falava numa palestra que o verdadeiro maestro (ele foi membro do conselho de orquestras sinfônicas) está pronto para ser maestro quando pode reger sem as mãos, só pela emoção e a expressão do rosto.
Eu me pergunto como a geração Y poderá passar toda a emoção e força nos seus textos escritos em 140 caracteres? Sua energia, sua raiva criativa, seu senso de urgência, sua ansiedade, sua felicidade em alcançar objetivos … Como será possivel transmitir isso aos outros sem a presença física?
Eu já tenho várias questões com a liderança à distância, onde algumas dessas questões ficam prejudicadas.
Que alguém venha me auxiliar na análise de como esta forma de comunicação vai interferir na cultura organizacional.





Pois é, Eline, mais um excelente texto que nos leva à conclusão de que o calor humano será cada dia mais desnecessário. Lembrando que quanto às expressar emoções a Microsoft já arrumou uma saída através daqueles smarticons amarelinhos com expressões faciais para diferentes situações… você já pode chorar e até cuspir em alguém por e-mail!
Acredito que um dos aspectos mais preocupantes da geração digital é a insegurança. É muito mais fácil dar uma cantada por msn do que pessoalmente. E esse é só um exemplo… uma etapa importante do amadurecimento das crianças e adolecentes pode estar sendo pulada, e vai fazer falta na fase adulta onde terão que resolver situações mais sérias frente a frente com pessoas. E não serão poucas…
Grande abraço Eline!!
Oi, Adriano,
Você tem toda a razão. Eu me pergunto se a linguagem vai mesmo ser substituída pelos smarticons! Mas as emoções que são compartilhadas, essas sim eu tenho dúvidas de como será a vivência no futuro. Somos pessoas que compartilhamos a dor, a alegria, a ansiedade, a paixão.
Tomara que esta tropinha inteligente encontre uma forma de compartilhar os sentimentos!
Acho, como você, que a geração Y está sobrepondo etapas. São adolescentes e adultos ao mesmo tempo, criancas e adultos, uma espécie de síndrome de Peter Pan, querendo assumir muitas responsabilidades no trabalho mas ainda querendo curtir muito a vida.
E, talvez , a grande arte seja conciliar essas coisas!
Beijo,
Eline
Olá, Eline!
Acompanho o blog há algum tempo e gosto muito dos seus textos! Eu sou Geração Y dos pés à cabeça: twitter, facebook, orkut, SMS, aversão ao telefone.. Somos uma geração bem complicada, eu sei bem. Sofro muito por essa questão da aversão ao telefone, por exemplo. Sou responsável pelas vitrines de 19 joalherias e nosso meio de maior contato são os e-mails, mas muitos gerentes da Geração Baby Boom não dão muita atenção a isso, o que gera sérios problemas de comunicação às vezes. Aí tenho que deixar os dedos de lado e usar mais a língua para falar ao telefone. Acho que é tudo uma questão de adaptação: uma geração aceitar a outra e se adaptar. Sei que é muito fácil falar e muito difícil colocar em prática, mas é a maior verdade. Se todos tiverem uma mente aberta, com certeza fica mais fácil entender e aceitar as diferentes formas de lidar com as situações.
A única coisa com a qual não sei bem se concordo é com a sua resposta ao comentário do Adriano, quando você diz que espera que nossa geração consiga encontrar uma forma de compartilhar os sentimentos. Eu, pessoalmente, acho equivocado da sua parte dizer que não sabemos nos expressar. Somos a geração que mais sofre por questão de ciúmes, fins de namoros com barraco, por exemplo. Somos ótimos em expressar o que sentimentos, só não o fazemos de forma devida na maioria das vezes!
Particularmente, acho que às vezes somos incompreendidos por sermos tão rápidos e tão diferentes. Em alguns momentos somos muito valorizados – por exemplo, meu chefe me passa muitas coisas pois diz que eu sou muito “rápida e eficiente” -, mas em outros não tanto – como quando queremos algo muito rápido, um aumento, etc. Somos impacientes, sim, mas acho que temos muito a oferecer com essa nossa facilidade em aprender e fazer as coisas!
Como eu disso, tudo uma questão de ponto de vista!
Um beijo,
Marianne