
Por Sam Davidson*
Eu comecei de forma bastante inocente. Vi uma frase aleatoriamente e pensei que poderia se tornar uma camiseta para a turma de colégio (renegada ou não). Imaginei o emblema em camisetas branco e preto pelo mundo afora. Era de fato baseado em palavras já ultrapassadas, mas cuja definição qualquer pessoa entre 2 e 92 anos entenderia. Estava nascendo uma revolução social disfarçada em uma camiseta 100% algodão. Eu mal podia esperar para vê-la sendo usada por milhões de membros dos diferentes grupos (cada pessoa me pagaria $12,99 pela camiseta). Todo mundo poderia, de forma que só as camisetas legíveis conseguem, orgulhosamente declarar: “Pessoas Descoladas Se Importam”.
Porém, como os grandes movimentos de mudança social, as primeiras gotas de chuva não podem indicar o luar de criatividade que ainda virá. Após compartilhar essa brilhante frase com um amigo, iniciou-se um brainstorming e, após algumas horas, tínhamos uma lousa repleta de idéias. Nós havíamos criado uma revolução.
Nosso primeiro passo seria um site, coolpeoplecare.org, repleto de dicas práticas para pessoas comuns que desejavam fazer a diferença. Assim como nós, apostamos que houvesse milhões de pessoas querendo tornar o mundo um lugar melhor, mas não tinham horas a fio disponíveis, ou dinheiro para gastar em filantropia. Mas nós tinhamos, por exemplo, cinco minutos que desejaríamos disponibilizar para uma causa social justa, e pensamos que outros também teriam. Nós sabíamos que os cinco minutos daqueles dois rapazes não pareceriam muito – mas cinco minutos de um milhão de pessoas? Agora aquela era uma revolução aguardando para se tornar real.
Estando em um mundo não-lucrativo por um tempo, na tentativa de nos alinhar às tendências de captação de recursos e voluntariado, eu sabia que tínhamos algo a fazer. Anos atrás, agentes de mudança de sucesso eram aqueles capazes de encontrar dez nomes ricos que assinassem um cheque de 1 milhão de dólares. Mas, o futuro das doações, eu sentia, seria achar um milhão de pessoas que pudessem assinar um cheque de $10 cada. As duas tarefas eram desanimadoras, e ambas levariam aos 10 milhões. A diferença é que eu não conhecia ninguém que pudesse assinar aquele cheque de 1 milhão, mas conhecia diversas pessoas (inclusive eu mesmo) que poderiam, e iriam, assinar um de $10.
Quando estava me formando no colégio, era a chamada “primeira jornada” até concluir a faculdade. Diferente dos meus amigos, eu não estava procurando emprego. Mas em relação àqueles que procuravam, eu estava incrédulo pela quantidade deles entrando em empresas não-lucrativas por pouco ou nenhum retorno financeiro. Diversos deles estavam pensando em se associar às Corporações de Paz, querendo cuidar dos pobres nos países de baixa economia.
O que estava acontecendo? Por que relativamente poucas pessoas estavam tentando fechar negócios com grandes agências corretoras? Onde estavam aqueles que buscavam fazer carreira em vendas, propriedades ou grandes empresas? Era esse o panorama do momento? Ou seria algo maior? Seria um grande movimento de jovens que compreenderam a necessidade de mudanças e sabiam que eles precisavam fazer isso, além de cuidar de seu casamento, das crianças e comprar uma casa?
Mas não parecia haver ninguém para organizar essa massa de idealizadores. Eles se assemelhavam a soldados sem diretrizes em um campo de batalha social. Cada um deles entrava no Google em busca de oportunidades. Alguns foram premiados com um ouro não-lucrativo e realizaram seu desejo não tão chamativo – entrar sem remuneração nas empresas, trabalhando à noite em cafés, e dedicando os dias a mudar a política que não levaria seus nomes aos livros de história.
Para os impossibilitados de estagiarem nas Corporações de Paz ou em outras empresas conhecidas, estes geralmente iam para um escritório em algum lugar, lutando contra o relógio, servindo não ao interesse público, mas aos prazos. Porém, seus sonhos de um amanhã melhor não haviam se quebrado. Eles ofereceriam todo o seu fim de semana para a construção de uma moradia, para trabalhar em uma ONG ou em toda instituição de caridade que encontrassem. A grandeza da generosidade não se desvaneceu. Estava bem e viva.
E eu sei que há milhões nessa mesma situação. Há pessoas de todas as idades e da minha geração em particular, que desejam fazer algo todos os dias para tornar esse mundo melhor. Alguns doam sangue, outros cedem suas roupas, alguns reciclam, modificam suas lâmpadas para economizar energia, alguns vão de bicicleta para o trabalho, outros adotam um animal de estimação, alguns adotam um amigo num orfanato estrangeiro, e outros ainda precisam de idéias.
Para esse fim, a Cool People Care visa motivar as pessoas a fazerem a diferença. Mostramos a elas como se envolver sem precisar de dinheiro, e como mudar o mundo com menos de 5 minutos por dia. Nós conectamos esses indivíduos inspirados com organizações que já estão no campo das comunidades próximas. E nós revelamos como é fácil o retorno. Acreditamos que há tempo suficiente para se fazer tudo. Acreditamos que qualquer um pode se engajar na revolução dos 5 minutos, desencadeando a corrente de milhões de pessoas oferecendo 5 minutos ou mais, todos os dias.
Porque as grandes pessoas que eu admiro são aquelas que possuem a causa, a visão ou um sonho maior que si mesmas. No fundo, eu realmente acredito que as pessoas descoladas se importam.
*Sam Davidson é conferencista, escritor e sonhador que conta histórias para motivar quem deseja mudar aquilo que deve ser mudado. Nos últimos três anos, tem atuado como presidente da “Cool People Care”. Ele bloga no SamDavidson.net.




