
Por Crystal Olig
Quando o blog “Talking About Generations” me pediu para escrever um post, no mesmo instante uma idéia brotou na minha cabeça. O tópico é bastante pessoal – minhas próprias experiências nos diversos papéis que desempenho como uma mulher da geração Y. Elas serão diferentes das de minha mãe e avó em muitos aspectos, e não apenas no ambiente de trabalho.
Quero colocar as minhas observações dentro de um contexto. Reconheço que cada membro da geração Y é distinto, e posso falar apenas de minha própria história.
Quem sou eu: 26 anos, caucasiana, já formada na Universidade, trabalho em relações públicas e também com Marketing. Sou casada há 10 meses com um querido que conheci na faculdade, mas nós estamos juntos há quase cinco anos. Sou filha de pais ainda casados, ambos com seus 50 anos; meu irmão tem 19 anos e está no segundo ano da Universidade. Meus melhores amigos são da escola primária de minha cidade natal ou do círculo estudantil feminino que freqüentei.
Esposa
Meu marido e eu somos “almas velhas” em alguns sentidos – e viemos do Médio Oeste, então o fato de se casar com meados de 20 anos não é algo fora do comum, ainda que esta seja uma idade mais jovem do que a média dos EUA costuma ter ao se casar. Uma das coisas que me fazem pensar em nossa relação e naquelas que tenho observado é a crença inquestionável na igualdade entre os sexos.
Minha geração deve um grande AGRADECIMENTO para as mães da década de 80 e 90 que ensinaram seus filhos não apenas a lavarem suas roupas, louças e outros rituais de limpeza, mas transmitiram também a idéia de que essa tarefa não estava abaixo deles e não era apenas uma “profissão para mulher”. Meu marido lava e passa suas roupas e, quando tivermos um jardim, concordamos que eu serei responsável por cuidar dele.
Outro acontecimento crucial nos relacionamentos da geração Y é a nova dinâmica da mulher como chefe de família e do pai que fica em casa, que se tornará uma realidade comum na próxima geração. Enquanto muitas conotações negativas ainda são oferecidas à expressão “Alpha Female”, o estigma continua a declinar quando as mulheres provam que podem ser provedoras e os homens demonstram que podem ser pais de uma família consolidada e forte.
Eu respeito e apóio com todo meu coração o desejo que meu marido tem de ser um homem de família antes de ter companheiros de carreira – e de fato, eu sou grata por isso, sabendo que posso ter a família dos meus sonhos e ainda alcançar minhas aspirações profissionais com toda a força.
Além disso, eu penso que os papéis tradicionais, divididos por gênero nos relacionamentos, têm um caminho oposto à aceitação da geração Y em termos de relações homossexuais e casamento. Nós sinceramente não nos importamos com as escolhas das outras pessoas. Se você é um bom cidadão, vizinho e pai, quem sou eu para interferir em suas preferências pessoais?
Filha
A geração Y é mais próxima de seus pais do que qualquer outra geração anterior. Bruce Tulgan cita em seu livro lançado em 2009, “Not Everyone Gets a Trophy: How to Manage Gen Y” que, “Os pais da geração Y sempre estiveram muito comprometidos com ela. Diferentemente das gerações anteriores, eles não expressam grande desejo de afastamento quando chegam à idade adulta.” É cada vez mais comum para os jovens morarem em casa por mais tempo que as demais gerações, às vezes mesmo depois que terminam a faculdade. O filme “Armações do Amor” (2006) lida com essa nova dinâmica entre pais e filhos de um jeito cômico, mas mostra uma situação real sobre gerações agravada pelos tempos de resistência da economia.
É interessante que esse modelo de família seja comum em mais culturas orientadas para o convívio em grupo, especialmente na América Latina, e os membros multiculturais da geração Y sentem um pouco de vergonha por morarem com seus melhores amigos, seus pais.
Meus pais são muito rápidos em tecnologia e eu mando e-mails para minha sogra freqüentemente. Eu telefono para pedir conselhos sobre trabalho, dinheiro e, às vezes, sobre relacionamento ou conselhos espirituais. Eles são minha fonte de salvação e apoio, meu elo para um relacionamento duradouro com minha família, amigos e minha cidade natal. Eu só queria que meu pai entrasse no Facebook.
Não é coincidência que os pais ligados à carreira que são geralmente reprovados por produzirem uma geração “Eu-eu-eu” também têm laços emocionais mais fortes com seus filhos do que tiveram com seus próprios pais. Há os dois lados da moeda, mas enfim, eu contribuo mais para a sociedade com meus pais ao meu lado.
Irmã
Como parte da Geração Y, enxergo duas dinâmicas. Eu me encontro num dilema esquisito com meu irmão de 19 anos. Estou no limite da geração Y, já que nasci em 1983, e ele está no final dela, pois nasceu em 1989. A diferença de idade é facilmente vista, se olharmos para o fenômeno do MySpace/Facebook, e para as mensagens de texto no celular.
Eu tive meu primeiro celular com 16 anos, mas não enviava mensagens até a época da faculdade. Seu grupo de amigos teve celular alguns anos antes, e eu juro que eles possuem polegares mais musculosos que os meus – vocês pensam que eu digito rápido, vejam como eles mandam mensagens.
As relações no Facebook viveram e morreram de um jeito mais público do que eu jamais havia lidado, já que não havia entrado na esfera das redes sociais de hoje até começar a faculdade.
Essa divisão tomará novos rumos. Meu irmão é mais consciente de sua imagem pessoal e do conteúdo que ele disponibiliza online. “Filhos legais” estão resistindo às redes sociais via web já que estas se tornaram populares demais.
Em termos de papéis exercidos como uma irmã da geração Y, eu honestamente ainda não tenho certeza. Eu sei que eu estava realmente excitada e orgulhosa quando meu irmão me tomou como confidente pela primeira vez, ligando para o meu celular numa manhã durante a semana para falar de problemas com a namorada. Nós temos um relacionamento baseado em rápidas mensagens do tipo “E aí?” e posts ocasionais no mural do Facebook. Como a geração Y continua a crescer como a primeira geração “digitalmente nativa”, os significados da conexão entre irmãos e família irão mudar junto conosco.
Amiga
Os membros da geração Y que são conectados têm uma dinâmica de mudanças de amizade, que é motivada por se tratar de uma geração fisicamente móvel, hábil e que deseja se mudar para o outro lado do país por causa de um trabalho ou de algo significativo. É tão fácil basear amizades em e-mails, ligações ilimitadas no celular aos fins de semana, mensagens de texto, e acompanhando a jornada de vida de um amigo por suas fotos no álbum do Facebook.
Às vezes eu lamento a distância física entre nós quando me sinto tão emocionalmente próxima de meus amigos que estão longe – e isso torna mais difícil a conexão com outros amigos em uma nova cidade. Redes sociais variadas via web e também cara a cara são a norma para a maioria de meus amigos.
A geração Y valoriza honestidade e transparência na amizade, e é menos propensa a tornar sua imagem pública apenas para não ficar de fora. O valor individual é superior. A expressão pessoal é crucial. Observe a ascensão do fenômeno da marca pessoal e assista aos marketeiros focando nos produtos que expressam um projeto de estética que corresponde às necessidades dos clientes de uma geração expressiva. Eu respeito os amigos que são originais, têm paixões e pontos de vista claros e desejam compartilhá-los comigo.
*Crystal Olig bloga no whY genY, discutindo assuntos da Geração Y – reagindo a notícias, pesquisas e comentários de sua geração. Ela se formou em 2006 na University of Nebraska-Lincoln com bacharelado em jornalismo e major em publicidade. Após sair cedo do jornalismo, ela começou a trabalhar em relações públicas e marketing para empresas em Denver e Phoenix. Com uma recente mudança para Columbus, Ohio, ela está em seu terceiro destino pós-faculdade e espera ficar pelo Médio Oeste, e achar um emprego em relações públicas, Você pode se conectar com ela no Twitter: @sparklegem, LinkedIn, Facebook ou via e-mail.




