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Por Liliane Fonseca

Sou bem suspeita para falar desse assunto, mas admito: adoro jogos. Tirando aqueles muito violentos, eu gosto de tudo, desde baralho, palavras cruzadas, batalha naval de papel, adedanha, jogos de tabuleiro, de lógica, tetris, vídeo game e finalmente o computador, e sei que tem muito Y por ai que gosta tanto quanto eu, mas a questão que eu pretendo tratar vai muito além da diversão que isso tudo proporciona.

Hoje, fica bastante claro que esses anos de “jogatina” influenciaram muito a minha geração, e os reflexos podem ser observados no nosso modo de pensar e de agir.

Embora a história dos jogos seja muito antiga, na década de 1980 chegaram os primeiros videogames e é aí que começou o namoro. Enquanto os jogos engatinhavam, nós também dávamos nossos primeiros passos. Quando foi preciso aprender a controlar o joystick, também estávamos desenvolvendo nossas habilidades manuais – e muitos, como eu, tiveram como professor um encanador chamado Mário*! Tudo foi crescendo e convergindo para chegar no que hoje é o maior “point” da Geração Y: o computador.

Para aqueles que dizem que os Y são imediatistas e gostam de resultados (e recompensas) a curto prazo, eu pergunto: o que os jogos nos proporcionavam? Exatamente isso! Ficamos mal acostumados a nos empenhar, passar de fase* e ganhar um item*. Essa é a lógica mais básica de qualquer jogo de videogame. A alta competitividade atribuída a alguns da minha geração também pode ter origem nisso, afinal, a gente tinha que zerar* logo o jogo e comentar com os amigos…

Opa! Mas todas as vidas* que perdemos na nossa infância não deixaram apenas marcas ruins; pelo contrário. Acredito que muito da nossa agilidade mental e boa capacidade de pensar estrategicamente se devem à exposição constante aos estímulos dos videogames. Talvez tenhamos ficado um pouco competitivos sim, mas no mercado de trabalho agressivo que existe hoje, um pouco disso pode significar nossa sobrevivência.

Acredito que os jogos – quando utilizados com moderação – não são vilões. Na verdade eu os vejo como uma ferramenta poderosa para desenvolver habilidades divertindo. Além disso, a tecnologia evoluiu tanto que diversas áreas podem usá-los como mecanismos de otimização ou aprendizado. Tenho participado de diversos processos seletivos para trainee e algumas empresas já perceberam que podem nos atrair facilmente com essa abordagem lúdica.

Por enquanto não tenho tido muito tempo para me dedicar a essa atividade que tanto aprecio, mas estou curtindo os processos seletivos e no fundo, talvez eu enxergue tudo como um grande jogo, onde aplico conhecimentos técnicos, habilidades, mas não deixo de me divertir.

* Os itens com asterisco são termos comuns nos jogos de videogame. ‘Mário’ é um famoso personagem da Nintendo; ‘fases’ são as etapas a serem vencidas dos jogos; ‘itens’ geralmente são “presentinhos” que o jogo dá para te ajudar em outras fases; ‘zerar’ significa vencer e terminar o jogo inteiro; e ‘vidas’ são as chances que você tem de perder e retomar o jogo.

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