Por Mariana Coimbra*
Eu sou uma estudante prestes a me formar em Direito, tenho 25 anos e faço parte da famosa geração Y. Leio tudo o que escrevem sobre a minha geração, e aproveito para me conhecer melhor e entender algumas das minhas próprias características e atitudes.
Quando fui convidada para escrever para o Foco em Gerações, fiquei extremamente feliz e honrada, porque acompanho sempre o blog e o considero uma fonte excelente de “conteúdo relevante”, como diz a Lili Fonseca (também colaboradora do Foco em Gerações). Confesso que um turbilhão de idéias tomou conta de meus pensamentos, tamanha era minha felicidade e, porque não dizer ansiedade, em escrever alguma coisa legal para postar aqui.
Por sorte, algo me chamou a atenção durante o feriado de 7 de setembro. Esse “algo” se chama Luis Felipe e tem 14 anos.
Primeiro preciso fazer uma análise de quando eu tinha essa idade:
Quando eu tinha 14 anos, a Ovelha Dolly estava sendo clonada, Central do Brasil e Fernanda Montenegro estavam representando o Brasil no Oscar, a Princesa Diana morria em um acidente trágico, estourava a crise do Sudeste Asiático, o Brasil perdia a copa de 1998 para os pés de Zidane e ter um celular que fazia apenas ligações era um luxo! Não ousávamos imaginar um celular touch screen, com conexão wi-fi que tira fotos e faz vídeos. Na verdade, naquela época, a internet era tão lenta que poucos desfrutavam das maravilhas que ela proporciona hoje.
Naquela época, Luis Felipe tinha um aninho, mas posso dizer que nossos anseios eram quase idênticos. Eu não pensava muito além do meu mundinho. Estava preocupada com baile de 15 anos que, na verdade, era o sonho da minha mãe e que tirou de mim a desejada viagem para a Disney. Estava preocupada com as Olimpíadas do Colégio e com as notas de matemática.
Eu tinha acabado de me mudar para Palmas (a capital do Tocantins) e via sempre na televisão a propaganda que dizia: “Tocantins, o estado da Livre Iniciativa Privada!” e eu não fazia idéia do que era aquilo!
Luis Felipe tem 14 anos e passou o feriado na mesma casa de praia que eu. É claro que ele jogou bola, foi pra praia, brincou com outras crianças, afinal, ele tem 14 anos! Mas o que me chamou a atenção foi a conversa que tive com ele no finalzinho da tarde.
Ele sentou ao meu lado e foi logo ligando seu notebook com conexão 3G porque precisava estudar. Perguntei qual a matéria que ele ia estudar e ele respondeu:
- Português. Odeio essa matéria, mas para me dar bem no mercado de trabalho preciso estar em dia com essa ela.
Hã??? Mercado de trabalho??? Pra piorar ele continuou:
- Eu até sei que Mandarim é a língua que eu deveria aprender além do Inglês, mas eu prefiro Italiano porque quero ser Engenheiro Mecânico e trabalhar na Ferrari.
Tá certo que os planos daquele menino de 14 anos ainda tinham muito de ilusão e sonho de criança, mas eu me assustei com o realismo com que ele encara seu futuro profissional.
Com ele conversei de tudo. Ele queria saber, inclusive, sobre meus processos de seleção para trainee. Por um instante esqueci que aquele menino tinha apenas 14 anos e nossa conversa fluiu naturalmente.
Entretanto, não posso deixar de destacar que nele estavam presentes características muito atribuídas à minha geração, mas de uma forma muito mais marcante.
Os próprios pais me confidenciaram que o maior medo deles é que o filho se torne muito arrogante, afinal ele age como se soubesse mais do que todos ali, independente da idade ou de qualquer outro fator.
Foi por meio do Luis Felipe que pude perceber que nós, geração Y, não precisamos agir como arrogantes, porque a internet e sua avalanche de informações não nos ensina tudo.
Existem coisas que só prendemos com os mais experientes, com as outras gerações. E são essas coisas, esses princípios, valores e verdades que só aprendemos longe do mundo virtual é que fazem toda a diferença na hora de enfrentarmos o competitivo mercado de trabalho.
São esses princípios, valores e verdades que serão capazes de transformar Luis Felipe em um verdadeiro mecânico da Ferrari, porque são os pais dele que o ensinarão que não vale à pena ser arrogante e que isso a gente não aprende nem com internet de 1000 Mb!
*Mariana Coimbra nasceu em Belo Horizonte (MG), passou a infância em Ouro Branco (MG) e a adolescência em Palmas (TO). Atualmente vive em Recife-PE, mas costuma dizer que também tem uma casinha em Nova York (onde mora sua mãe). Já foi bartender, atendente de loja, decoradora de árvores de natal, aprendiz de sonowboard, projeto de atleta, babá, atendente de padaria e estagiária. É Geração Y, futura trainee, determinada, adaptável, flexível, síndica, dona de casa, blogueira, graduanda em Direito e a princesinha da mamãe. Sonha em um dia saber tudo de tudo, mesmo sabendo que isso é impossível, mas gosta de sonhar grande e para ela só existe uma coisa melhor do que aprender: compartilhar o aprendizado! Acompanhe Mariana em seus blogs: http://porquenaopassei.blogspot.com e http://pontodotrainee.blogspot.com ou pelo Twitter





Querida Mariana.
Que post lindo!! Já comecei a acompanhar o seu blog “Por que não passei?”. Fiquei com vontade de conhecer o Luis Felipe. Quem sabe eu poderia entrevistá-lo por email? Eu adoro a geração Y. Abraços e visita meu blog: http://www.aquintaonda.blogspot.com
Mauro.
Muito legal o texto, Mariana, e o que se viu com Luis Felipe coincide com a idéia que tenho sobre a nova geração: maturidade precoce. Namoram, decidem, vão e veem para onde e quando lhes convém, argumentam com autoridade e “pensam” que sabem onde querem chegar. Quando chegarem à idade certa, lá pelos 18 anos podem ter novos ideais e objetivos, espelhando-se nos colegas, nos relacionamentos mais profundos com um parceiro e nas informações infinitas que vão ainda encontrar no mundo real, mas baseadas nas informações rápidas do mundo digital. Menos romantismo e sensibilidade e mais planejamento e racionalidade. E vão nos achar caretas, como de repente achamos nossos pais… Esse é o futuro que vejo para a geração de Luis Felipe, não especificamente, mas de uma forma mais generalizada.
Grande abraço, e parabéns pelo lindo texto!
Meus primos um de 18 e outro de 20 são iguaizinhos. Já entendem de bolsa de valores e já fizeram intercâmbio durante 1 ano em outros países há mais de 2 anos. Mas realmente, certas coisas a gente só aprende com os mais experientes.
Para os que não sabem, estão falando que a nova geração é a G, G de (generosity).
Para mais informações:
http://trendwatching.com/trends/generationg/
Abraços!
Nossa, eu tenho até vergonha de vir aqui…
e comentar no meio de tantas Gerações X. Mas acho que o MEU caso é parecido com o do Luis felipe. Isso foi provocado porque, eu cresci no meio de adultos. E sei exatamente o dia em que minha infancia acabou. E isso é horrivel, eu tive que crescer rápido pra acompanhar as situações que a vida me dava. Quando estou com meus amigos, sou aquela pessoa engraçada, que faz piadas. Mas quando estou sozinha, ou no meio de estranhos, sou mais reservada, e fico observando as ações das pessoas. Tenho até um blog que fiz pra “depositar” o que eu observo. Até já citei o Foco em Gerações lá.
Beijos