Por Tatiana Penteado*
Não adianta querer descobrir novos caminhos com velhos mapas. Li essa frase uma vez e posso dizer que tem tudo a ver com o desafio de pertencer a uma geração e gerenciar pessoas de outra…
Sou uma X e tenho sob minha subordinação autênticas mulheres Y. Imagine que combinação explosiva. É um perfeito gap de gerações que gera um caldeirão de idéias diferentes! Costumes distintos, maneira de trabalhar muitas vezes oposta.
Nosso time é composto por cinco pessoas. Uma fica comigo no escritório em SP e outras três, em vários cantos do Brasil.
Nosso dia-a-dia não tem atividades rotineiras – e elas adoram isso. Não há horários fixos, escritório, padrões… Na mesma semana pode-se estar em três estados diferentes, além de cidades que nem sequer imaginávamos que existissem. O encontro presencial acontece duas vezes por ano. Sendo assim, minha gestão é remota, feita por todos os meios de comunicação possíveis: e-mail, MSN, telefone, redes sociais… Hum, começaram os desafios pra uma X como eu. Quando eu poderia imaginar que a relação no trabalho seria tão virtual, sem o face a face próprio da minha geração?
Mas a grande batalha diária é: como integrar, desenvolver, avaliar essa equipe, jovens profissionais, cheias de energia e com muito sangue Y na veia? E o pior: à distância?
Elas são cheias de disposição, com urgência por resultados rápidos e novos desafios, conhecimentos sobre informática que, por mais que eu tente, não consigo acompanhar.
Pra fazer a gestão dessa turma, comecei repetindo o modelo que conhecia, no qual fui educada. Não fez direito? Bronca. Não cumpriu o prazo? Puxão de orelha. O cliente queixou-se do atendimento? Dá-lhe punição.
Óbvio que, dando a mesma resposta que eu quando estava em tal situação (afinal, faço parte de uma geração que presenciou a transformação de antigos padrões sociais e culturais), elas contestaram, reclamaram, reivindicaram. O questionamento aos velhos hábitos continua, a ânsia por mudanças mantêm-se presente.
Resolvi mudar de estratégia e passei a desafiar, incentivar. Criei competições mensais com pequenas premiações, reformulei processos, sistematizei etapas, pedi sugestões. Desenvolvemos hábitos diários, com trocas e avaliações freqüentes. Qual o resultado? Deu muito certo! Bingo!
São competitivas e me ligam cobrando suas premiações. Participam e expõem suas idéias. Usam de tecnologia sem manual, têm liberdade para organizar suas atividades (ficará off line mais cedo por conta do MBA? Sem problemas, recebo e-mails nos horários mais improváveis de se imaginar).
Desta forma temos trocado experiências, vivências e aprendizado. A energia, o ritmo, o foco frenético no resultado permanece, incita, mas em equilíbrio com certa quietude, uma paciência para ensinar e fazer respirar.
Estou tomando sangue novo e exercitando meu lado Y, para conseguir tirar o melhor delas. E tem feito muito bem. Pra todo mundo.
*Tatiana Penteado é coordenadora de projetos no Grupo Foco e responsável pelo cliente Avon





Sou da geração Y (23 anos) e passo pelas mesmas situações relatadas, porém do lado oposto. Atualmente trabalho com desenvolvimento de produto no Japão e o projeto é coordenado por gestores geração X na Itália, Brasil e EUA. Não bastasse a diferença no fuso horário de cada região, todos os gestores são geração X, ou seja, não muita familiaridade em gerir a distância via e-mail, IM, telefone, rede social interna (via Microsoft Office SharePoint que a empresa “utiliza”).
Tento de diversas formas agilizar nosso projeto, propondo idéias novas para compartilhar dados e facilitar as tomadas de decisão.
Parabéns a Tatiana Penteado por ter percebido essa diferença na gestão de diferentes gerações.
Sou suspeita para falar, mas independente de qualquer coisa, afinal sou adepta do “amigos, amigos, negócios (e opniões) a parte”, adorei o texto e concordo em gênero, número e grau.
Adaptações são necessárias para o convivío e o conflito entre gerações sempre existirá, justamente pela diferença da forma de educação, visão de mundo e necessidades, que estão sempre mudando.
O mais interessante disso tudo é ver o engajamento das gerações em tentarem se entender e se mostrarem dispostas a aprender uma com a outra, como é o caso da autora do texto!
Parabéns!
Tatiana. Você já é Y e não sabe ainda…