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JessyHodges

Por Ines Schinazi

“Minha mãe sempre foi uma atriz para mim.” É dessa forma que Jessy Hodges explica que seu relacionamento com sua mãe não mudou, mesmo ambas tendo se percebido recentemente com planos de carreira similares, ainda que estejam em etapas completamente diferentes de suas vidas.

Enquanto a mãe retorna à sua carreira de atriz, sua filha está ainda bem no início do caminho.

O que torna essa história ainda mais interessante é o fato de que Jessy Hodges e sua mãe, Ellen Sandweiss (mais conhecida por seu papel no filme cult de horror “A Noite dos Mortos Vivos”) estão “aprendendo juntas” ao explorarem um território completamente novo na atuação em séries via web. Jessy atua em “Anyone but Me” (www.anyonebutmeseries.com) e Ellen em “Dangerous Women” (www.strike.tv/show/dangerous-women).

Em uma entrevista exclusiva, Jessy conta como descobriu o filme “A Noite dos Mortos Vivos” pela primeira vez e sobre seus momentos de espanto na adolescência.

Ao mesmo tempo em que se sente sortuda por ter uma mãe que pode lhe dar conselhos sobre carreira, também é realmente grata por seu namorado ser estudante de Direito, o que a permite ter um intervalo da “conversa ininterrupta” que é atuar.

Em “Anyone But Me” ela atua como a onipresente e misteriosa Sophie. Ainda que ironicamente, ela calcula que passou “… apenas 8 minutos na tela até agora.”

Conversando com Jessy, têm-se a impressão de que ela fica mais sábia ao longo dos anos. Repleta de instrospecção, atuar como Sophie trouxe a ela muito sobre o que pensar.

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Ines: Por causa da natureza tecnológica de uma “série via web”, e toda a publicidade que se espalha pelo Facebook e pelo Twitter, você se vê dando muitas explicações para sua mãe sobre como essas coisas funcionam?

Jessy: É realmente engraçado, porque nesse tema específico, eu a vejo por completo explicando coisas para mim. Ela tem o papel de produtora e editora em suas séries via web. É um tipo de pessoa cheia de energia e motivada a aprender, então as coisas de que precisava, descobriu muito rápido. Mas ao mesmo tempo, eu sou da geração do computador, então ela diz coisas como, “Espere… como eu ligo isso novamente?” Às vezes, ela não assimila o básico, mas sabe muito mais sobre MySpace e Twitter do que eu.

Ines: Eu li uma entrevista na qual você conta sobre ter crescido sem saber que sua mãe era muito famosa por seu papel em “A Noite dos Mortos Vivos”.
Jessy: Minha mãe foi estudar teatro e estava muito envolvida em atuar nos primeiros anos da minha vida. Depois, ela assumiu um certo papel de mãe, particularmente quando nasceu minha irmã mais nova. Ela também foi trabalhar com meu pai, e parou de atuar por um bom tempo.Eu a vi muito no palco quando eu era mais jovem. Mas o filme “A Noite dos Mortos Vivos” não fazia parte daquela conversa. Acredito que fiquei sabendo que ela estava no filme quando eu tinha 13 ou 14 anos. E eu disse, “O quê???” “Você fez um filme?” Eu não tinha percepção de que tipo de filme se tratava. Em seguida, eu e meus amigos achamos uma cópia antiga em VHS do filme atrás de uma fileira de livros numa estante. E nós exclamamos, “Oh! Meu. Deus”. Começamos a assistir por dez minutos quando ela tinha ido embora, e depois colocamos de volta na estante…Quando cheguei aos 15 ou 16 anos, finalmente assisti ao filme. Mas foi só alguns anos depois que eu compreendi que este era um filme de terror realmente importante. Sam Raimi (o diretor) uniu todas essas técnicas de câmera com uma porção de coisas legais.Eu só comecei a apreciar realmente o filme alguns anos após a faculdade. E toda vez em que assisto, eu amo e aprecio ainda mais.

Ines: Estou curiosa em saber como foi o processo desde olhar a carreira da sua mãe “de fora”, depois você mesma se tornar uma atriz profissional e agora acompanhar os trabalhos atuais dela. Como foi essa mudança para você?

Jessy: É tudo realmente intenso. Meus amigos irão comentar sobre meu relacionamento com minha mãe. Eles dirão, “Jessy e sua mãe são melhores amigas.” Mas essa é a relação que já tínhamos. Depois, veio o fato de minha mãe realmente voltar a atuar, e eu também começar nesse meio. Você sabe que tem sido maravilhoso e também difícil, e realmente interessante, e verdadeiramente estranho. Não tenho apenas o apoio de meus pais, mas também de alguém que sabe exatamente pelo que estou passando, e que pode me dar conselhos quando peço… coisas sobre as quais muitos pais de artistas jamais saberiam. Mas é compreensível que esse relacionamento seja muito importante. Uma sabe sobre o que a outra está passando, porque para cada pequeno sucesso que temos nessa carreira, há um milhão de decepções. É uma dificuldade real, mas um mundo muito gratificante para se viver. É uma conversa ininterrupta. Às vezes tudo que eu desejo é falar com ela sobre isso e fazer perguntas. Em outros momentos eu digo, “Oh… Deus! Eu não consigo mais falar sobre isso! Todos os meus amigos são atores, minha mãe é uma atriz… por sorte meu namorado é advogado…”

Ines: Obviamente você e sua mãe estão em fases completamente diferentes em termos de carreira, mas se as séries via web são completamente inovadoras, você acredita que a experiência de vocês como atrizes dessas novas séries sejam realmente diferentes ou similares?
Jessy: Podemos relacionar nossas experiências nisso o tempo todo. Ambas ficamos desconcertadas e confusas. Eu sinto que estamos num estágio tão iniciante com as séries via web, que não sei ainda realmente o que elas são. Quero dizer que as pessoas talvez dificilmente saibam como tirar dinheiro disso ainda. Estou aprendendo com todas as outras pessoas, inclusive com minha mãe.

Ines: Você pode falar um pouco sobre como é atuar como Sophie em “Anyone But Me”? Ela é uma personagem realmente interessante porque é um pouco fora dos padrões, mas temos a sensação de que ela será muito central na história toda…
Jessy: Atuar como Sophie é uma das coisas mais divertidas que eu já fiz. Talvez seja por causa do gênero das séries via web, mas eu passei provavelmente cerca de 8 minutos na tela atuando como Sophie até agora. Você tem pouco tempo apenas, então precisa fazer valer a pena. Em relação à personagem, eu a compreendo mais agora do que eu poderia ter compreendido no começo. Tem sido muito bacana, porque estamos preenchendo as linhas, dando cores à Sophie. Tenho certeza de que Susan Miller e Tina Cesa Ward diriam que, como nos conheceram como pessoas, isso definitivamente afeta a escrita. Eles estão constantemente escrevendo, mudando e editando. Em primeiro lugar, isso faz com que eu me sinta no colegial de novo, o que é algo louco. Também, eu nunca tive as experiências que a Sophie está tendo ou pode ter no futuro. Eu tive um número crescente de amigos gays próximos no teatro. Mas eu nunca tive alguém do mesmo sexo que eu, escolhendo namorar mulheres, numa idade tão jovem. Eu acho que isso seria confuso para mim, ainda que me considere inteiramente aberta e amiga dos gays. Eu pergunto como isso teria me afetado no colegial. Questiono como isso afetará Sophie, estando aberta a esse mundo, nos subúrbios, longe de uma grande cidade, especialmente nas circunstâncias do mundo real, longe de um caminho patético e unidimensional, cheio de estereótipos. Então é excitante, e isso me traz muito a pensar sobre a personagem, e sobre mim mesma de um jeito estranho. É sempre você atuando como a personagem. Eu sinto que você precisa estabelecer o seu ponto de vista, para então poder olhar para a personagem, estabelecer o ponto de vista dela, e ver como isso difere. Há sempre uma comparação, um contraste e uma combinação entre o ser humano que você é, e aquele que você está representando.

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