Por Julianna Antunes
Sim, vou escrever este texto em primeira pessoa, pois, por mais que tenha indícios em mim de geração X e algumas coisinhas dessa tal geração Z, sou, de fato e de direito, membro da geração Y! X, Y, Z… afinal, onde nós, jovens que há pouco entramos no mercado de trabalho, nos encontramos nessa sopa de letrinhas? O que queremos, quais são os nossos anseios, quais são os nossos valores? O que esperamos das empresas que nos contratam?
Nós, geração Y, crescemos com a auto-estima lá em cima. Mas ao mesmo tempo, crescemos com o peso e a responsabilidade por décadas e décadas de excessos cometidos por nossos irmãos mais velhos (geração X), nossos pais (baby boomers) e nossos avós (a geração deles tem nome?) Temos plena consciência de que é responsabilidade nossa mudar a forma de produzir, consumir e se relacionar. Caso contrário, não existirão gerações A1, B1 ou C1 para contar a história.
Uma pesquisa conduzida pela MTV e pelo Instituto Akatu no ano passado gerou um documento chamado Dossiê Universo Jovem 4. Dentre diversos assuntos, falou-se de sustentabilidade corporativa, desenvolvimento sustentável e consumo responsável. De acordo com o documento, aquecimento global, poluição, escassez de água e desigualdade social são alguns dos temas que mais preocupam os jovens brasileiros.
Comportamentos comuns até muito pouco tempo atrás, como lavar a calçada com água potável ou queimar as folhas caídas no chão, já não fazem o menor sentido para a nossa geração. Pelo contrário, nos incomoda. Segundo o Dossiê, 66% já repreenderam ou chamaram a atenção de alguém por jogar lixo na rua, gastar muita água, ou energia, além de 52% já terem plantado ao menos uma árvore.
Não aprendemos os valores inerentes ao desenvolvimento sustentável em casa, mas sim na escola, na mídia, na internet. Mesmo não sendo valores que nossos pais nos ensinaram, eles se refletem tanto na nossa vida pessoal, quanto na profissional e impactam ainda mais a forma como lidamos com o mundo corporativo. Se já somos exigentes por natureza, questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável entram no “bolo” para dificultar ainda mais a forma como as empresas se portam diante de uma geração que põe em xeque teorias administrativas até então intocáveis.
Empresas americanas de petróleo e gás, por exemplo, encontram dificuldades em recrutar os melhores talentos por conta de a atual geração ter uma imagem negativa dessa indústria. Segundo estudo da Accenture, 75% dos alunos de MBA das principais escolas dos Estados Unidos consideram receber salários de 10 a 20% inferiores para trabalharem em empresas responsáveis.
No Brasil ainda não há pesquisa que forneça dados concretos sobre a influência da sustentabilidade na escolha profissional do jovem, ainda mais com o alto índice de desemprego para os recém saídos dos bancos universitários. Mas mesmo com todos os percalços inerentes à nossa economia, faço a pergunta para quem, assim como eu, é dessa geração que vem tirando o sono dos RHs: você gostaria de trabalhar em uma empresa que nada faz para mitigar o seu impacto no meio ambiente, que não respeita o consumidor, ou as comunidades no entorno de suas instalações? Você teria satisfação de trabalhar em uma empresa que não mantém uma boa relação com os fornecedores ou não ouve o que os funcionários têm a dizer? Eu não.





Juliana ótimo post.
Bem,assim como você também faço parte desta geração Y. E com certeza também não trabalharia com uma empresa que tem este perfil, mesmo que o salário seja superior aos valores do mercado. Acho bem difícil uma empresa dessas ainda mais em nossa geração conseguir sobreviver por muito tempo se não começar a ter novas atitudes. Será necessário que as organizações se adaptem ao perfil dessa geração para que os jovens se interessem em trabalhar nestas empresas. Caso contrário, é irão perder para concorrência.
Bom saber que não estou sozinho nesse barco! Estou saindo da graduação em RP e já penso nessas questões; minha resposta também é “não”!
Satisfação zero em despender esforços para uma organização sem tato para questões de RS, comunicação responsável e afins. Aff…
Penso em valorizar menos o terninho e valorizar mais a calça jeans (parafraseando Aislan Greca), em prol da cidadania ativa, da governança corporativa aplicada de fato, das ações pautadas pelas relações públicas comunitárias, e por aí vai (ou melhor, e por aí vou…)
Bacana – e eu também não.
Mas o que eu queria saber mesmo é o universo do público destas pesquisas, porque de certa forma, é menos difícil – para não dizer “fácil” – que se o universo dos entrevistados for exatamente aqueles que saem de uma boa instituição de ensino, é quase natural este anseio de mudança.
No dia-a-dia, não vejo os privados de informação/conhecimento deixando de lavar calçada com água, jogar guimba de cigarro no chão, papel e/ou outras coisas “pequenas” parecidas.
Qual é a mentalidade acerca do tema dentro deste universo que é o maior – quantitativamente e em termos de potencial de consumo equivocado?
Sensacional Post.
Parabéns !!!
Glauber e Estel, fico feliz em saber que não sou a única a levantar essa bandeira. E sei também que nós três não estamos sozinhos nessa. Mas precisamos lutar para que as empresas realmente mudem sua postura. A comunicação responsável é o primeiro passo, mas o mais perigoso, pois muitos ficam apenas nele e fazem um discurso bonito, porém vazio. Precisamos cobrar atitude!
Barbara, como sempre, tudo começa pelas classes mais altas. Há, inclusive, diversas pesquisas que associam a degradação do meio ambiente à pobreza. De qualquer forma, é preciso começar de algum lugar. E aí cabe a nós, pessoas esclarecidas, cobrarmos educação de sustentabilidade aos que não tem acesso às informações como temos. Mas isso é um trabalho de formiguinha, de pessoas que sejam agentes da mudança. Pois para essas pessoas, não sei até que ponto a escola realmente faz um trabalho efetivo. Talvez fosse mais interessante uma conscientização dentro das comunidades.
Excelente colocação a sua!
Brigada, Diego!
Julianna, a mudança não precisa se iniciar nas comunidades mais ricas. TODOS devemos agir com o mesmo objetivo, mas da melhor forma possível.
Se em comunidades ricas é possível usar aquecedores solares, coleta seletiva, criação de créditos de carbono, entre outros, ótimo. E nas comunidades pobres usaremos garrafas PET, mangueira e tecido para os aquecedores, vamos formar uma associação de catadores e de coleta de lixo no bairro, vamos incentivar o plantio de árvores através de doação.
A sustentabilidade é fenomenal por isso: dinheiro não é fator limitante, apenas facilitador, e em alguns casos.
Excelente artigo. A geração Y veio mostrar que lucro puramente financeiro não compensa, se o lucro social não existir.