Por Flavia Vianna*
Nova ilustração criada e meu estagiário faz um sinal com a mão pra mim. Tira o fone de ouvido e, com um estilo pessoal todo próprio, pede para eu dar uma olhada na tela.
“Aê…(mascando chiclete)… dá um looks pra ver se rola.”
Bom, levantei e fui na tela dele dar o tal do looks. Não pude resistir ao MSN aberto com uma conversa que me parecia aramaico criptografado. Quase nenhuma vogal. Na barra inferior do Windows eu contei… eram 16 janelas abertas ao mesmo tempo. E quatro delas estavam piscando. A gente sabe que alguém é da geração X ou da Y pelo número de janelas abertas ao mesmo tempo na barra inferior do Windows. Não tinha nem dois minutos que eu tinha minimizado meu MSN porque mais de quatro janelinhas já me estressam. Piscando então…
“E aê… rola ou num rola?”
Ah, a ilustração. Sim, claro. Essa é mais uma das características dessa geração. Eles têm a compreensão do mundo em bloco, e acham que o universo funciona assim. Vai explicar que quem tem mais de 30 olha o MSN, depois olha as janelas da barra do Windows, depois vê que tem quatro piscando e, aí sim, consegue se concentrar no tal do looks solicitado.
“A ilustração está ótima. Adorei. Pode só colocar os traços mais colori…” Fui interrompida. O celular dele… tocou… tocou? Mas eu não escutei nada… Como é que é? Existe um ringtone que só quem tem menos de 25 anos escuta? #comoassim?
E o outro Y que senta na frente dele começa a rir … Hauiahuaihauia… sim, porque quem ri “hahaha” “hehehe” ou “rsrsrs” é totalmente Geração X. Eles riem com umas vogais desconexas intercaladas com o “h”.
Meu ilustrador favorito desliga o celular e me explica sobre o ringtone misterioso. O som é emitido em uma freqüência que, conforme o tímpano vai envelhecendo, não consegue mais perceber. Eles usam direto porque, em sala de aula, os professores não escutam os celulares tocando. Sim, a tecnologia pode ser cruel.
Enfim, aceito que meu tímpano já envelheceu, mas gostaria de deixar claro que minha alma é totalmente Geração Y. Peterpanizada pelo encantamento e constante curiosidade de saber como que essas criaturas pós 1980 funcionam. Seu constante interesse pelo novo e pela experimentação. E, de preferência, o maior número de experimentos ao mesmo tempo, por favor.
Outro dia me peguei em casa com a TV ligada, notebook no colo, MSN com duas janelas, skype com uma, mandando torpedo do celular e, pra completar o cenário nerd/geek, Twittando. Quando tocou o telefone, eu quase chorei. De emoção. A gente acaba tomando gosto pela coisa.
A verdade é que eu aprendo horrores nesse laboratório diário de convivência com criaturas Y super especiais e seus mundos tudoaomesmotempoagora. Só no meu trabalho são sete figuras dessas. Pra mim, eles já vieram com um chip que entende todas as informações disponíveis ao redor no melhor estilo Neo de Matrix: download em banda larga multimegabits e, em 20 segundos… “eu sei kungfu”. É mais ou menos assim que funciona. Pra eles.
Paralelamente a esta capacidade peculiar, vejo também muito profissionalismo, ética, comprometimento e criatividade no trabalho. E a vontade de saber cada vez mais sobre eles só aumenta. Bom, eu já tomei a #pílulavermelha. E vc?
Flavia Vianna é carioca, publicitária, sócia da agência Trafor Comunicação e, atualmente investe 2/3 do seu dia tentando acompanhar e entender o comportamento humano. No resto do tempo, ela dorme. Ou tenta. Recentemente iniciada no mundo 2.0, já descobriu que esse é um caminho sem volta. É Geração X porque nasceu na época errada. Totalmente encantada com a eumatia e modus operandi da Geração Y. Por filosofia de vida, uma eterna reaprendente.





gostei!
=)
Flavia!
O post ficou sensacional!!! Seu investimento de 2/3 do dia está valendo à pena. Acho que nem eu, Geração Y “autêntica” falaria uma linguagem tão Y quanto essa!!
Beijos,
Mari Coimbra
Retrato perfeito da relação instigante e de aprendizado que acontece entre essas “criaturas Y super especiais” e a autora do post. O esforço para interagir nesse mundo e “fazer download” das novidades exige muito mesmo, especialmente tempo. Contudo, eles sabem dar o peso devido a cada elemento. Estão sempre ligados as novas tecnologias e sua linguagem, sem perder de foco que o humano (pós-moderno e reinventado culturalmente) continua sendo o elemento mais relevante nesse processo (seja da geração Y ou X). Propiciar e explorar a interação dos valores e limitações de cada “geração”, sem anular suas singularidades é uma arte que fazem com maestria. Afinal, como diria Fernando ANitelli: “Por que é que não se junta tudo numa coisa só?”
Caramba! Parabéns. É um post delicioso. Adoro a geração Y. Mauro Segura.
eu sabia que te seguir lá no twitter ia ser interessante. adorei o post. mas to assustada. como assim que tem um ringtone que meu ouvindo de véia não escuta? to passada….
bj
Olá Mari Coimbra,
que bom que você gostou! E bom saber que meu investimento tá valendo à pena
Sabe que já tô quase rindo assim: “haiuahiuahiauai”?
Um dia eu chego lá.
Beijos e obrigada pelo retorno!
Oi Yuri!
Obrigada pelo comentário do post e pelo feedback personalizado no twitter também.
Assim vc me motiva a escrever mais heim, cuidado
BJs
Dani Rodrigues!
um comentário desses vindo de uma jornalista de mão cheia como você me motiva muito
Bjs
Excepcionalmente bem escrito! Meus mais sinceros parabéns!
E muito obrigado por me proporcionar uma leitura como essa – entretenimento de qualidade!
Abração!
Ah, mas é muito bom mesmo o texto, Flavinha!
Sabe o que mai me encanta na geração Y? Eles não têm preguiça de aprender. Acho que tenho uma tese vaga sobre isso. Acho que o povo pós-oitenta aprende tudo, mas bem raso. Nossa geração X não se conforma muito com isso. E sabe que pra apredner terá que or a fundo. Bem fundo. Do tipo onde a internet não chega, mas as pernas, caminhando à biblioteca mais próxima.
É aí que dá preguiça.
Agora, sobre sua multifuncionalidade de Skype, msn, tevê, sms, telefone, laptop…cara descobrio que isso é coisa de geração Y ou de mulher. Eu não consigo isso. E também fico louco com mais de quatro janelinhas na barra de ferramentas.
Caramba. Sabe o que acabei de pensar? Nessa minha teoria. Um menina ou mulher da geração Y então deve ser um caos!
Eu tenho mania de comentar sempre quando leio um texto. Seja bom ou ruim. Pra pessoa saber que seu blog foi lido!
Então to comentando aqui, esse texto ótimo! Gostei muito e confesso, embora eu seja um moleque de 33 anos, eu não tenho muito paciência com essas pessoas que riem com mais de 2 caracteres!
Só há uma coisa a dizer sobre seu post:
XXXXXXXXXXXXpetáculo!
Entendo, compreendo, assimilo, absorvo, compactuo e assino embaixo. Afinal, assim como você, sou da tal geração X, porém com um facilitador para os dias de hoje: já na quela época, era fascinada por gadgets, computadores e todas as facilidades high tech. Foi tão forte que escorreguei pelo mundo da informática, como você bem sabe… Por isso hoje em dia atuo em uma multinacional mexicana com escritório em Foz do Iguaçu estudando o comportamento da geração Y como agente infiltrada nos points locais. Ciudad del Este e Puerto Iguazu são minhas fontes inesgotáveis de pesquisas e valiosas informações. Ah, que mundo YYYYYYmpressionante!!!!
Amei o post! ;-********
Eu admiro você e a sua vontade de tentar compreender e interagir com o mundo “moderno”. Muitos chefes pararam no tempo deles e negam a evolução. O tempo é uma constante e todos deveriam aprender com você, a observar, procurar entender e saber que não precisa ter a mesma desenvoltura, mas que se interessa e procura falar a mesma linguagem, mesmo que com doses cavalares da experiência do mundo além do 2.0.
Parabéns, gostei muito do texto!
Depois desse tratado sobre um conflito pacífico entre gerações, só posso dizer que não sei a qual pertenço… Apesar de ter 16 anos e tentar me comunicar com todos ao mesmo tempo, como todos da Geração Y, ainda sou adepto ou guardo na alma características da Geração X. Sou XY. Multiplicação de resultado inexplicável. Vai saber. Acho que sou da Geração Z: confusa, presente e ausente, paradoxal
Flavita.
Você arrebentou!
Sua mãe coruja.
Beijos
Mother
O post ficou muito bom parabéns. Ae, role de você passar esse conhecimento para algumas pessoas da geração X, inclusive chefes!?!?!?!. Porque tem vezes que é muito difícil. Assim como aprendemos muito com a geração X, acho que eles podem aprender ainda mais com a geração Y. Mas que isso seja rápido!!!
Olá Mauro.
Que bom que você gostou.
Recentemente, li no site do Nós da Comunicação (que sigo no twitter) sobre sua apresentação no Digital Age 2.0 de SP falando sobre Corporação 2.0, redes sociais e o fim das fronteiras físicas e virtuais no mundo coorporativo. Super interessante.
Fico lisonjeada com seu post.
Obrigada pelo feedback.
Abs
Iaia,

acredite ou não o ringtone em questão existe!
Um verdadeiro avanço da tecnologia com um toque maquiavélico (com trocadilho, por favor) para a nossa geração X…
Mas começa a rir assim que melhora a situação: hauiahuaihaiaua
Beijinhos!
Olá Matteo!
Obrigada pelo comentário e pelos elogios!
Me motiva a continuar escrevendo sempre e cada vez mais.
Abração pra você também!
Fernando meu querido,
ouso dizer que aprendo com meus amigos redatores, jornalistas, autores, contistas, blogueiros e escritores espetaculares como você: meu Colunista Fantasma favorito e inteligente de doer!
Beijos beijos
E obrigada!
Oi Cláudio,
obrigada pelo comentário e pelos elogios ao texto.
Um riso bem geração X em homenagem a vc: rs
Abraço!
Dida Steiner!
Minha DJ favorita do twitter!
Esse post foi totalmente carioca, com sotaque da gema!
xxxxxxxxpetáculo! Amei!
Com a sua formação nerd/geek e com um laboratório desses em Foz do Iguaçu, não é à toa que se encanta com essa geração Y.
Mais uma que é Geração X com alma de Geração Y
;-************
Oi Bruno,
esse ponto é importante. Também concordo que algumas empresas e muitos chefes ainda não entenderam e não valorizam como deveriam o potencial desta geração. É uma visão muito míope ver a diferença como um problema e não como algo a somar.
Costumo dizer que aprendemos desde pequenos que temos que respeitar os mais velhos. E aprendemos durante a vida o quanto é bom respeitar e valorizar os mais novos. Tenho pena de quem não pensa assim.
Valeu pelo comentário! Visitei seu blog e achei o máximo!
Parabéns!
Bj
Vithor, me querido

você pertence a geração dos autores de livro com apenas 16 anos.
É isso. E isso não é pra qualquer um.
XYZ, não interessa! Sou sua fã. Já disse e não canso de repetir!
Bjs
Mother, mother,
comentário e elogio de mãe não devia contar… rsrsrs
Quanto mais de mãe coruja! rs
Filho de peixe, peixinho é. Vc tb arrebenta!
Bjs. te amo! Vita
Oi Glauber,
como falei logo acima pro Bruno Seixas: coitado dos chefes e das empresas que ainda não deixaram a ficha cair sobre a riqueza que é interagir de forma saudável e aberta com essa nova geração.
Aliás, ficha é bem coisa de Geração X arcaica. Enquanto vocês já estão viralizando o chip do cel do Pedroooooo na web, eles ainda estão esperando a ficha do orelhão cair. Por aí você vê quem tem que reciclar…
Com o tempo, quem não se ligar, vai cair antes da ficha. Fica tranks
bjs!
Flavia, sou geracao A pois entendo pouco do assunto. Voce me fez querer saber mais e ser geracao -Y,por enquanto.
Estou pasma com o tal sinal que exclui velhos!!!!
Parabens, adorei o texto.
Nilza amiga da Su
Ótimo post. Mas e a Geração M?
MATEUS
Muito bem colocado o enrredo de palavras, atitudes e comportamentos no blog!! Very Good!
oi Nilza,


também fiquei “bege” com esse ringtone que eu já não escuto
Saber mais sobre essa geração e, principalmente, como as diferenças somam entre as gerações: no fundo é isso que encanta
Então, mãos à obra. Pesquise os Y!
Beijos e obrigada pelo feedback!
Oi, Flavinha
Lí o seu texto e gostei muito. Aprendi muito com ele. Especialmente, sobre o “ring tone – só para geração Y”, muito criativo….. Além disso agora consigo entender a risada da minha neta (16 anos) no MSN, algo mais ou menos assim hasudasuhasudasu, que sempre me intrigava!
Obrigada por bons momentos de leitura. Como pode ver pertenço a geração V, a anterior ao X, ou melhor ainda, a de Vovó, por sinal muito feliz em se-lo. Ah, também sou muito amiga de sua mother. Bjs
Olá Mateus!
sobre a Geração M? Aaaahhh, isso já é um outro post (risos)
Obrigada pelo comentário e carinho.
abs!
Olá Lúcio Marcelo!
Obrigada pelo feedback. Escrevemos para melhor servi-los. E eu, particularmente, estou sempre em reforma
Abs!
Oi Márcia!!!!!!
você é uma das vovós mais enxutas e tecnológicas da geração V que eu conheço hehehe
Quando precisar, é só me chamar pra “apertar a tecla SAP” do MSN da sua neta, ok?
Beijinho carinhoso,
Flavinha
Flávia,
Adorei seu retrato, mas fiquei com uma pergunta que não pára em minha cabeça, ela quer sair e perguntar a vc – Já parou para pensar no % de absorção que a geração Y, cantada em verso e prosa têm das coisas?
Se não, vc já pensou nisto?
Pergunto isto porque sou professor da geração Y essencialmente, e em alguns casos percebo que a multiplicidade das informações leva a eles saberem superficialmente sobre tudo… E não saberem nada com aprofundamento, têm esta percepção também ou é só impressão minha…
Bjos e parabéns pelo belo blog…
Olá NAdre,
em primeiro lugar, me desculpe pela demora da resposta. Estive fora viajando à trabalho e alguns dias sem entrar no blog, ok?
Sim, já pensei sobre essa % de absorção de informação da Geração Y. Eu concordo que existe, mas tenho minhas reticências em relação à generalizações. A forma dessa nova geração perceber o mundo é diferente da nossa forma. Acho que ainda temos que desenvolver uma neocognição no sentido de entender como as informações deste mundo 2.0 funcionam para então podermos analizar a profundidade ou não do conhecimento de muitos Y. A exemplo de alguns que trabalham comigo, pelo menos. É uma quebra de paradigma. Ainda estou tentando organizar isso mais profundamente na cabeça…
Mas vamos trocando informações. Se você tiver interesse, me avisa e podemos trocar e-mails, ok?
Muito obrigada aí pela sua contribuição. E mais uma vez, sorry pela demora.
Abs!
Bacana! Seu texto é uma delícia, uma bela crônica social. É interessante se dar conta dos novos comportamentos, do abismo que separa, agora ainda mais rapidamente, as gerações. Mas eu diria que você chamou a atenção para o lado, digamos, glamoroso da geração Y. E o lado obscuro da força? Antes de dar minha opinião, gostaria de ter a sua. Investigue e, se puder, escreva sobre o que a incomoda na Geração Y.
Parabéns!
Charles.