Por Valéria Lima
Tem uma teoria, que a gente aprende na faculdade de comunicação, chamada “Espiral do Silêncio”. Basicamente a hipótese, proposta por Elisabeth Noelle-Neumann diz que, aqueles cujas opiniões são minoritárias, tendem a se calar frente às opiniões da maioria. Ela relaciona tudo isso à influência dos meios de comunicação de massa na formação da opinião pública.
Eu acho que ela tem toda razão. Porque aquele que discorda da maioria, convenhamos, é limado. A sociedade quase nunca perdoa os que vão contra o senso comum. Mesmo pra quem não viveu aquela época, deve saber o que acontecia com os dissonantes na época da ditadura.
Mas isso é lá no mundo dos X, dos Baby Boomers, dos Veteranos. Porque no mundo Y, a teoria dela simplesmente não se aplica. Hoje, o que mais se vê é gente discordando por aí. E esses dissonantes, via de regra, são jovens. Muito jovens. Eles não têm medo do focinho do leão, como diz a Eline.
As comunidades e fóruns das redes sociais são a maior prova disso, e é de onde eu tiro essa conclusão. A galera mete o pau em empresa onde está fazendo processo seletivo. Fala o que pensa sem filtro algum. Que espiral do silêncio, que nada. O legal hoje é discordar! E as pessoas são, ao contrario do que dizia Noelle-Newman, admiradas por isso.
Em sua palestra, a Eline fala sempre que a geração Y quer ser diferente das outras. E nesse ponto é totalmente diferente. Eles não pegaram a época da censura (eu peguei o finalzinho dela…). Embora eu fosse criança, entendia que não se podia falar mal de tudo por aí. Tinha que olhar para os lados antes. E falar baixinho.
Hoje há uma liberdade maior pra falar o que pensa. E acho isso ótimo. Acho que a geração Y e as que virão depois dela gozarão dessa liberdade como nenhuma outra até hoje. E provavelmente não saberão o quanto isso é valioso. O quão amargo é gosto de não poder falar o que se pensa, como outras gerações experimentaram.
Enfim, acho que os teóricos de comunicação vão ter que silenciar por tempo indeterminado a espiral do silêncio.





O problema para nossa geração não é falar o que sentimos e acreditamos, mas é levar isso para o mundo corporativo e sermos limados pela geração X. Não nos intimidamos, mas ainda pagamos um preço alto por isso.
E sim, o Jack Welch não é um papa da administração como esse pessoal mais velho diz. O Jeffrey Immelt é muito melhor!
Acho que a espiral do silêncio ainda se faz sentir na política, por exemplo. Vá discordar que o atual é um bom presidente. Ou dizer que o bolsa-família é compra de votos.
Perfeitíssimo, Valéria! Concordo com você mas não acredito que isso seja completamente bom. Ainda mais agora que o governo federal transformou todo mundo que é capaz de pensar e opinar em jornalista, o direito da livre expressão será integralmente utilizado desde a idade da alfabetização pelas pessoas.
O risco disso é que o limiar que separa o direito de opinar do dever de respeitar, não vai mais existir… e lá vou eu com meu moralismo barato atacar “o novo ser” e a sociedade moderna, rsrs.
A palavra MORAL, que já está prestes a sair do dicionário para residir no museu da língua pátria, em breve terá a companhia da palavra LIMITE. Quando se dá liberdade, tira-se o limite… e isso é sinal de prejuízo social num mundo cada dia mais individualista, de menor respeito de um pelo outro.
Vou-me embora pra Pasárgada, rsrsrs…
Grande abraço!
Adriano
Eu concordo Val … só tenho medo da confusão entre liberdade e desrespeito.
Como um bom X com alma total de Y, sempre me pergunto onde estão certos limites.
Tenho medo da deseducação.
Ola,
Bom, como geracao Y que sou, concordo plenamente com a ideia de que queremos, cada ver mais, ser diferentes e unicos. Acho que e uma grande evolucao de nossa sociedade ter tantos espacos para debates, criticas, sugestoes. Porem, um problema que vejo nisso tudo e a questao do conteudo. Muitas pessoas, principalmente da geracao Y, estao tao preocupadas com discordar e tentar ser original que, muitas vezes, acabam se perdendo nos objetivos. Essas nao estao preocupadas em lutar por uma idea ou uma mudanca de fato e, sim, em simplesmente discordar, o que, em minha opiniao, nao e muito produtivo. E, nesta gana de querer se expressar, a capacidade de escutar e entender outros acaba indo pro espaco.
Abracos,
Deu boa repercussão o assunto, e fico feliz em saber que não sou o único preocupado com a falta de limites que a liberdade pode provocar.
Jalusa disse “… um problema que vejo nisso tudo e a questao do conteudo. Muitas pessoas, principalmente da geracao Y, estao tao preocupadas com discordar e tentar ser original que, muitas vezes, acabam se perdendo nos objetivos”. Isso já foi visto desde a geração X através dos caras pintadas durante o impeachment de Collor. Todos iam para as ruas em horário de aula nas escolas para protestar contra… contra o que mesmo? Ninguém sabia exatamente contra o quê estavam protestando, numa atitude alienada e apenas de volume, somando-se a alguém que os conduziu para protestar e discordar de algo…
A geração Y corre o risco de seguir o mesmo caminho pela falta de amadurecimento no campo da ética e valores sociais, que volto a dizer, é consequência do pouco acompanhamento recebido da parte de seus pais que trabalham mais do que camelos para se inserirem na sociedade moderna e de consumo.
Nós, da geração X e os Baby Boomers, temos total responsabilidade sobre a sociedade do futuro, pois erroneamente, muitos ainda pensam que educar é colocar seus filhos em boas escolas fundamentais e de idiomas, esquecendo que a formação de caráter e de valores pertence aos pais e é determinante para se estabelecer uma sociedade ética e justa.
Concordo com a Jalusa: a questão é o conteúdo. Todo mundo discorda, mas veja bem os argumentos deles. Exemplo? A MTV Brasil tem um programa chamado “MTV na Rua” (com a Penélope) e nele tem um quadro onde a pessoa vai pro microfone reclamar/protestar/desabafar sobre o que ela quiser. E o que a gente vê? Jovens/adolescentes que protestam sem saber porquê.
Outro fator a ser levado em consideração é que hoje é exigido do adolescente uma posição, um estilo, uma opinião, etc., sobre tudo. Todo mundo tem que ter estilo, todo mundo tem que ter opinião sobre tudo, todo mundo tem que ter definido tudo. Não sei porquê isto ocorre, mas é interessante analisar isto também.
Mas, claro, é ótimo que hoje a gente possa falar sobre o que achou de (quase) tudo, até deste post (e daquela notícia que eu acabei de ler…). Não é garantia de evolução, mas é uma oportunidade.
todos vocês que aqui opinaram concordam que atualmente a maioria fala o que pensa, busca o original e o diferente, busca o pensar contra, a discordância, sem medo de ninguém. se estiverem certos, então o conceito da espiral do silêncio continua. será que quem não é assim, como a maioria hoje é, não é criticado? será que quem não está nas redes sociais “falando o que pensa sem filtro algum” não está, digamos, isolado? talvez a frase da grande massa hoje é: se você é diferente você é igual a todo mundo.
Como você disse, hoje em dia, o negócio é discordar. A imprensa difunde o debate como forma de ganhar dinheiro vendendo seu produto e usando uma tática insidiosa chamada diaprax para moldar a opinião pública e manipulá-la. É uma forma de romper com o passado, induzindo discordâncias, demolindo valores e práticas, para que outros (a serem “ensinados” pelos intelectualóides desonestos de plantão) sejam aprendidos pela massa. O primeiro sintoma dessa imbecilidade é achar a própria geração melhor do que as anteriores (engodo comum entre jovens inexperientes e presunçosos), o que motiva, em parte, essa ruptura. O problema é o lixo que substitui essas crenças implodidas…Quanto à liberdade, filósofos e juristas de bom naipe atestam que a liberdade só existe para fazer o bem, não o mal. Basta ver as leis de trânsito que é fácil perceber como é possível ser livre cumprindo-as. A liberdade total é um dogma falso que ditam às mentes ingênuas, e os mais velhos sabiam disso e nunca permitiam tais imbecilidades (por isso a pretensa “falta de liberdade”, que nem os incomodava porque sabiam que isso é um conto da Carochinha). Temos poder de escolha mas temos que arcar com suas consequências. Como as más escolhas nos escravizam a consequências que nos aprisionam em malefícios, perdemos nossa liberdade. Logo, só se é livre para fazer aquilo que nos liberta através de boas consequências, isto é, o bem. Observe e medite a realidade e descobrirá o mau uso da liberdade.