Feed on
Posts
Comments

Yes, we care!

Wecare

Eu tenho lá as minhas explicações sobre o motivo pelo qual ganhamos a possibilidade de sediar as Olimpíadas em 2016. Talvez, por trás dessa análise, exista uma baby boomer idealista. Se existe, ainda bem. Não quero perder nunca meu idealismo.

Vamos comparar a delegação brasileira que foi até Copenhagen com as outras? Sabe quem foram os brasileiros que representaram o Brasil na Dinamarca?

Eu não me lembro de todos, mas acho que até a faxineira do Planalto estava lá. Estavam o presidente do Comitê Rio-2016 Carlos Nuszman, o secretário-geral Carlos Roberto Osório, Lula e Marisa emocionados, Guga, Pelé, Hortência, eterna musa do basquete, o ministro dos esportes, o governador Sérgio Cabral, o prefeito do Rio Eduardo Paes, João Havelange, César Cielo, nosso medalhista nadador, Paulo Coelho, o presidente do Comitê Paraolímpico, Dayane dos Santos, a velejadora Isabel Swan e tantos outros. Fomos em peso pra lá. Claro que devemos ter feito um exagero aqui, outro ali, típico do Brasil.

Mas o que quero ressaltar é que não pegamos um avião e chegamos duas horas antes de nos apresentarmos, como fez o Obama. Ele deve ter tido lá suas razões, que desconheço, mas não agiu como se realmente quisesse sediar as Olimpíadas.

Me lembro, há muitos anos, quando eu estava começando a Foco, ainda numa ruazinha de pedestres do centro da cidade em São Paulo (Barão de Itapetininga) e fui indicada para conversar com um consultor belga sobre uma possível parceria para atuar em uma grande indústria multinacional na sua filial brasileira. Este consultor ia conversar com três possíveis parceiros e decidir quem seria o escolhido.

Eu estava nervosa, é claro. Queria desesperadamente essa parceria. Me arrumei toda e esperei o consultor, que foi muito educado e muito sensato nas suas perguntas. Quando ele terminou a entrevista comigo, fiquei desconfortável. Eu era melhor do que eu apresentara. Eu sabia que tinha me saído mal na entrevista. E não me conformava. Ele me disse em que hotel estaria hospedado e que ficaria no Brasil por mais dois dias.Eu não tive dúvidas: liguei pro hotel e pedi pra falar com ele. Expliquei que eu sabia que era melhor do que tinha me apresentado, que eu queria muito aquela parceria, e que queria a chance de conversar de novo com ele. Ele deve ter me achado meio maluca, mas topou conversar comigo novamente. Eu vibrei!

Fui conversar novamente com o Marnix e foi uma conversa excelente! Ficamos muito amigos e rimos muito do ocorrido. Essa parceria, de fato, não aconteceu por fatores externos à nossa vontade. Mas sou amiga dele até hoje e sei que ele me indicou para o cliente em questão.

E o que isso tudo tem a ver com as Olimpíadas? É que o Brasil queria muuuuuuito ser a sede das Olimpíadas. E levou isso com a raiva criativa necessária pra ganhar. Aquela raiva que nos empurra pra frente, que nos move na direção da ação!

Quando queremos muito alguma coisa, não chegamos no país duas horas antes da apresentação. Obama falou do quanto as Olimpíadas seriam importantes pra Chicago. E o Brasil disse o quanto as Olimpíadas seriam bem feitas e alegres no Rio.

Mas o que isso tudo tem a ver com a geração Y e as organizações?

É que acho que a geração Y precisa mostrar que quer muito entrar nas empresas e mostrar a sua cara. Não é só a empresa que precisa dessa juventude. Ela também precisa muito da experiência das organizações, nem que seja pra aprender e tornar-se um empreendedor depois, se a organização não souber cativá-lo.

Os jovens têm que mostrar essa raiva criativa, essa vontade, esse desejo de aprender, de colaborar, de integrar-se, de pertencer.

São essas as grandes competências que as organizações querem ver. Essa paixão pela vida, essa tenacidade, esse comprometimento, essa vontade louca de acertar, esse bom humor carioca, essa emoção que jorra pelos poros.

Os jovens da geração Y precisam mostrar que, “Yes, we care”, que é muito mais importante do que o “Yes, we can”.

Mas será que a geração Y se importa, mesmo?

Related Posts with Thumbnails

2 Responses to “Yes, we care!”

  1. Mais uma vez perfeita em sua colocações, Eline, parabéns! O Brasil realmente mostrou toda sua ânsia em sediar os jogos (se eu concordo que estamos prontos para isso são outros quinhentos…) através de sua comitiva e apresentação impecável do projeto como um todo. Se eu pudesse contribuir com sugestões teria levado também o renomado cineasta Fernando Meirelles, além do cavaleiro belgo-brasileiro Doda, o iatista sueco-brasileiro Torben Grael, e o inesquecível piloto Emerson Fitipaldi, todos com reconhecimento internacional, prata da casa, que somados aos demais presentes são ícones da nossa sociedade multi-cultural e multi-nacional além da polivalência esportiva, mesmo que em tempos distintos.

    Mas o foco da discussão é que a delegação agiu de fato como alguém da geração Y, com ousadia, coragem e despeito diante de “adversários” tecnicamente, financeiramente, socialmente e estruturalmente superiores do que nosso amado Rio de Janeiro nesse campo. Se tivéssemos tido o conservadorismo e a racionalidade madrilenha, certamente teríamos ficado nos boxes desde o início, sem chances de competir.

    Por isso acredito no cidadão-camaleão: aquele capaz de distinguir entre a hora de agir como um Y, a hora de agir como um X e a hora de agir como um baby boomer…

    Forte abraço!
    Adriano

  2. Hehe.

    Essa é uma pergunta difícil. Uma parte quer, outra parte não liga e outra parte ainda não caiu na real.

Deixe Seu Comentário