
Por Mauro Segura
Perguntei para alguns adolescentes com quantos amigos eles conversam, em média, todos os dias pela internet ou pelo celular via torpedo. A resposta foi “algumas dezenas”. Valia tudo: torpedo pelo celular, mensagens no orkut, posts e comentários em blogs, twitadas, etc. Valia desde um “olá” até uma conversa longa. As respostas confirmaram o que todos nós desconfiamos: os jovens tem um número impressionante de interações na web e em dispositivos móveis (diga-se celular) diariamente.
Vivo escutando que os jovens da geração Y têm relações humanas muito mais frágeis e voláteis do que os jovens do passado. Pode ser até que isso seja verdade, mas enxergo uma geração muito mais interessante, preparada, madura e preocupada em se relacionar do que a minha geração. Quando eu tinha 15 anos, a minha rotina era jogar futebol no final das tardes, estudar a enciclopédia Barsa e acreditar em tudo que o meu professor falava, achando que ele sabia de tudo e era o dono da verdade, incluindo que o presidente Médici era um bom camarada. Meu relacionamento se limitava aos meus colegas de escola, aos amigos vizinhos e à minha família.
A juventude de hoje sai para passear virtualmente pelo mundo todos os dias. Pessoas de todos os lugares, de classes sociais diversas, de culturas diferentes, numa intensidade que impressiona, vinte e quatro horas por dia. São jovens muito mais informados e atentos do que os da minha época. São pessoas mais conscientes dos dilemas e das mazelas do planeta, muito mais preocupados em serem transformadores do mundo e agentes de mudança.
O grande desafio que os jovens da geração Y enfrentam hoje é o tempo. Diante de tantas possibilidades e alternativas para se relacionar, o dia de apenas 24 horas parece curto. A conta é meramente matemática. Se o dia se mantém em 24 horas e o jovem tem muito mais oportunidades de falar com mais pessoas, obviamente que cada um destes relacionamentos, individualmente falando, será mais curto e, portanto, mais volátil. Mas não se iluda: os jovens de hoje continuam com as mesmas características dos jovens do passado: tem amigos confidentes, procuram se aproximar de quem mais confiam e se identificam e querem ser profissionais de sucesso.
Existe uma eterna discussão de que os jovens da geração Y não são preocupados com sua privacidade, que falam demais na redes sociais. que criam relacionamentos virtuais e abandonam as reais. Isso não é culpa da geração Y ou das redes sociais, a sociedade atual está assim, o país está assim. O Brasil é um país democrático, as coisas estão cada vez mais expostas, a mídia está mais ousada, cada vez mais as pessoas falam o que pensam ser a verdade e o que seus corações pedem. Então, essa “tal” perda da privacidade não é algo somente da geração Y, isso faz parte da transformação da sociedade, estamos todos “mais abertos”.
Aliás, toda hora que surge algo novo e impactante, levantam vôo os abutres de prontidão para dizer que aquilo vai piorar a sociedade, a família e as relações humanas. Foi assim com o rádio, com a televisão e a internet. Esta é uma balela. A sociedade está se desenvolvendo, se tornando mais justa e criando cidadãos melhores e mais conscientes.
O importante aqui, e por isso escrevo tudo isso, é dizer que a geração Y é muito mais interessante do que as gerações anteriores. Estamos criando cidadãos do mundo, cidadãos globais e transformadores da sociedade.
Para terminar, se você leitor é da geração Y, veja abaixo qual era o herói dos meus tempos. Em 1970, aos dez anos de idade, eu sentava na frente da TV para sonhar.





Caro, sua visão é generosa. Também desconfio que as críticas ao comportamento dos garotos geralmente é pânico de quem não consegue acompanhá-los. Eles sem dúvida são muito melhores que nossa geração Z (zzzzz…).
Adorei a lembrança do Nacional Kid.
Para fazer sessão dupla: http://www.youtube.com/watch?v=yj9uvfpdDEY
Não é de bom tom comparar gerações ou culturas. Nenhuma delas é melhor ou pior que outra. Cada uma delas viveu o seu tempo construindo relações a partir das tecnologias que tinham disponíveis, o que impacta no modo como vêem a vida e vivem em sociedade. A geração anterior (anos 40 – 60 do século xx) foi responsável pela criação do código binário que permite à geração atual (anos 10 – 20 do século xxi) se comunicar virtualmente.