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odeio videogame 2
Por Julianna Antunes

Diga lá: qual o perfil da geração Y? Nascidos de 1984 em diante, amantes de tecnologia, videogames e ficção científica, nerds com orgulho, aficionados por meios de comunicação virtual e ouvintes de sei lá o quê? E se eu disser que, com exceção de algum apreço pela tecnologia, não tenho nenhuma dessas características e mesmo assim sou uma típica geração Y?

A questão é que mais do que passar o dia inteiro no MSN rindo de forma esquisita (hauehauehauehauea ou algo parecido) o que vejo é uma infinidade de pessoas se forçando a um papel, simplesmente para serem enquadrados em determinado lugar, padrão, perfil ou geração. Gosto é pessoal e ano de nascimento é contingência. Mesmo sendo gen Y, não troco, por exemplo, meus filmes de serial killer por nenhum Matrix da vida!

O que marca uma geração é o seu comportamento, não seus gostos. Mesmo ouvindo rock dos anos 70 e 80 (perceberam que eu não tenho a mínima idéia das bandinhas da moda que a geração Y ouve?), minha urgência não é para ontem; é para semana passada. Mesmo achando videogames uma grande perda de tempo, cometa a loucura de não me reconhecer (e remunerar) depois de superar um baita desafio para a empresa!

Não tenho um dos principais defeitos da geração Y, que é a de ter sido recompensada na infância mesmo sem merecer. Ainda bem! Tive sorte de praticar esporte competitivo desde os oito anos de idade e isso me fez ver que nem todos recebiam medalhas, que elas tinham valores diferentes, e que para conquistar a mais valiosa eu tinha de ser a melhor. Mas nem por isso, hoje, me acho menos ousada ou faço o que não tem sentido para mim.

Troco qualquer bate-papo virtual carregado de risadas esquisitas por um bate papo real num boteco, carregado de risadas escandalosas. Mas para isso ligo do meu smartphone para os amigos marcando o encontro e, enquanto me arrumo, vou pensando na playlist (de músicas velhas, obviamente) que colocarei no iPod para ir ouvindo até lá.

Passo a quilômetros de distância de qualquer Campus Party ou festival de anime. Não li nenhum livro e nem vi nenhum filme do Harry Potter ou do Senhor dos Anéis. Acho a coisa mais esquisita do mundo aquelas pessoas que brincam de cosplay. Mas ainda assim, desafio todas as hierarquias simplesmente porque não acredito nelas. Quem quer meu respeito tem de conquistá-lo e não é um nome ou um cargo que faz isso.

É importante, sim, saber o que a geração Y ouve, assiste, ou veste. Mas é preciso, também encontrar meios de nos motivar no ambiente corporativo, já que em pouco tempo administraremos as principais empresas do mundo, aquelas criadas na época de nossos pais e avós. Talvez por ser da primeira leva de gen Y a sair dos bancos universitários, só me dei conta da bomba que estava explodindo quando efetivamente entrei no mercado de trabalho e o choque cultural foi inevitável. Se hoje as empresas ainda não estão preparadas para nos receber, imagine há seis anos?

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7 Responses to “Sou geração Y, mas não gosto de videogame. E daí?”

  1. Suzana Suzuki disse:

    Respeito sua opnião. Mas acredito que seu texto está carregado de preconceito. Por exemplo, como não assitindo nenhum filme como harry potter ou Senhor dos Aneis, ou até mesmo não fazendo um cosplay uma vez na vida, você vai poder saber como é e ter uma opnião consistente? Espero que entenda minha crítica.

    Beijos

  2. Julianna disse:

    Suzana, entendi o seu ponto, mas acho que você não entendeu o sentido do meu texto. Todo mundo diz que o perfil de geração Y é assim e assado baseado no que a maioria gosta. O que eu escrevi foi justamente colocando esse argumento abaixo, pois meus gostos são completamente diferentes do padrão GenY, e mesmo assim sou e me comporto como essa geração.

    E eu não disse que harry potter e senhor dos anéis são ruins ou não tem valor, apenas dei a entender que eu não gosto. Não preciso experimentar tudo para saber se algo faz ou não o meu estilo.

  3. Débora disse:

    Concordo com a Suzana. O trecho que salta aos meus olhos é este: “Quem quer meu respeito tem de conquistá-lo e não é um nome ou um cargo que faz isso.”
    Já fui chefe de Gen-Y e de Baby-boomers e percebo que as pessoas da Gen-Y estão perdendo o conceito de respeito mútuo. É tão fácil ser anônimo e a “segurança” dos Gen-Y é tamanha, que é fácil “desrespeitar”. Ví inúmeros casos de autoritarismo por parte dessa nova geração e até mesmo uma tendência maior à violência.
    Respeito deveria ser pré-suposto, não fruto de conquista. Em que mundo viveremos à partir do momento em que todos se agredirem mutuamente com o simples fim de “conquistar respeito”?
    Outra frase: “Mas ainda assim, desafio todas as hierarquias simplesmente porque não acredito nelas”: hierarquia existe em qualquer lugar, mesmo trabalhando como autônomo. Quem recebe seus impostos, é o Estado, que é superior hierarquicamente a todos no País em que vivemos. Você pode até não seguir a lei, mas as conseqüências podem ser um processo judicial e/ou uma indenização maior ainda.
    Discordo que a solução seja somente de motivação por parte das empresas. Acredito que a Gen-Y típica precisa se concientizar do mundo que está formando. Se a Gen-Y não amadurecer, podemos no mínimo, esperar um mundo com mais guerras. Além disso, acredito que a tendência é que as estruturas corporativas grandes acabem se desmantelando. Explico: primeiramente porque a Gen-Y típica não está se adequando e está montando as próprias empresas (a própria Julianna fez isso e é uma tendência já verificada na área de softwares e internet); segundo, porque há uma “pressão ambiental” em torno de produção local para diminuir a emissão de CO2. Mas minha previsão de “terceira via” é uma longa história para outro post.
    PS: O conceito de conflito de gerações deveria ser relativizado por desenvolvimento do país. Morei um ano na Alemanha, e pude ver uma diferença muito grande em termos de ambições, disponibilidade para o “trabalho duro”, e mesmo preferência por áreas de trabalho. O alemão de faculdade de primeira linha lá, pelo menos na minha área, fazia a faculdade em 7 anos em média, só fazia 6 meses de estágio em empresa. Acredito que as garantias sociais de lá se traduzam em realidades diferentes do brasileiro de classe média: inscrito no Pro-Uni que trabalha para ajudar nas despesas de casa e pagar a faculdade, quem sabe até comprar o próprio carro.
    Conhecí pessoas assim, e estes convivem bem com autoridade, valorizam o emprego, e fogem desse estereótipo freqüentemente apresentado ao qual a Julianna se refere.

  4. Julianna disse:

    Debora, talvez você não tenha entendido o sentido do respeito que eu coloquei. O que você está falando chama-se educação. E isso papai e mamãe me ensinaram muito bem. O meu respeito se refere, fundamentalmente, a admiração. Muitos genXs e muitos baby boomers ocupam cargos de liderança sem a menor competência e sem o menor perfil para isso. E sim, vou desafiar sempre porque não é o nível hierárquico que vai dizer o caráter, a ética e a moral de uma pessoa. Respeito valores, não cargos. E sempre muito educada.

    Só vi você metendo o pau nos genYs, mas também não seria o caso de você se adaptar a essa nova geração? Temos defeitos? Inúmeros, como todas as gerações. Mas temos muitas qualidades que as empresas ainda não sabem aproveitar, por isso o problema com a motivação.

    Como você mesma falou, o mundo está em formação. Paredes estão sendo derrubadas, mitos estão caindo e modelos estão ficando ultrapassados. Possivelmente ainda não estamos preparados, mas a velha fórmula também já deu.

    Sabe o Jack Welsh, o Deus supremo da administração? Por anos bateu de frente com um conceito, que ao ser abraçado pelo seu sucessor, rendeu à GE mais de 10 bilhões de dólares. E aí? Mas isso também é papo para um outro post…

  5. Débora disse:

    Julianna,

    Volto a citar: “Só vi você metendo o pau nos genYs, mas também não seria o caso de você se adaptar a essa nova geração?”. Lembra do que eu disse sobre respeito? Tem certeza de que a maneira como você se comunica está ok? Não acho que os Baby boomers sejam melhores, pois tive exemplos e contra-exemplos profissionalmente.
    Talvez a velha fórmula “já tenha dado”, mas que fórmula nova é essa onde falta respeito, ideais, humildade para aprender com os mais velhos e outras coisas no sentido do que eu falei no texto de cima. Ambição, competitividade é bom, mas sem sentido só leva ao vazio.
    Só para ficar claro: sou de 85.
    Abraços e boa sorte

  6. Bruno disse:

    Engraçado. Eu até tinha achado o post interessante, porque tenho alguns hobbies bem diferentes dos que são supostamente da “GenY”, como ler clássicos (li também Harry Potter, Sr. dos Anéis, Crepúsculo, Dan Brown, Khaled Houssein – gostei de uns e de outros não), assistir alguns filmes diferentes, museus e exposições, teatro, enfim. Ainda assim, claro que me interesso por tecnologia, quis por tudo comprar um iPhone e consegui… Enfim, entendi o ponto de vista da Julianna.
    Mas o que me chamou a atenção, realmente, foi o modo com a Julianna respondeu às críticas, de maneira ríspida, ou até agressiva. Também não consegui ver o respeito que ela diz ou até mesmo a educação em alguns trechos. No Orkut também percebi um tom que chega a beirar a soberba. Mas como ela disse, ela só respeita quem acha que merece. Fiquei decepcionado… Mas who cares about what I think, right? De qualquer forma, boa sorte pra vocês. Foi só um toque.
    Estou no fim de vários processos de trainee e tenho certeza de que algum vai me chamar! Estou confiante! E espero me adaptar…

  7. Ricardo Gonçalves disse:

    Débora,

    Excelente a sua colocação. Muito leio sobre a geração Y (sou de 84), e acredito que o estereótipo que surgiu sobre a nossa geração, está criando um perfil não muito amistoso entre os jovens, que estão iniciando no mercado de trabalho. Já vi estagiário chegar em setores exigindo coisas, como se fossem o diretor executivo da companhia, sem ao menos dar um bom dia. Creio que hierarquia exista em todo lugar, como você mencionou, e quem não a respeita não se adequará ao ambiente de trabalho. Gosto e utilizo todos os tipos de tecnologia, jogos, músicas modernas e filmes, e nem por isso deixo de possuir na minha essência o respeito e educação herdadas das gerações passadas. Creio que a nossa geração deva cultivar os bons costumes das gerações anteriores, porém, sem perder os encantos da nossa geração.

    Abraços!

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