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Por Eline Kullock

Fico me perguntando se o que o mundo virtual chama de “comunidades” são, de fato, comunidades. As comunidades, como eu entendo, são grupos que se ajudam, se protegem, se dão e se exigem limites, também. Têm sempre uma causa comum a todos.

Pense nas comunidades que conhecemos. O AA (Alcoólicos Anônimos) é uma comunidade? Tem um objetivo comum? Se ajuda, quando necessário? Quando alguém a ataca ele se une “contra” o atacante?

De que comunidades, baseadas neste conceito, você já participou? Da turma da escola? Mesmo que você já não faça mais parte, deixou saudades? Você a defende como se estivesse dentro, ainda, da turma? Quando você se lembra delas, com momentos tristes ou alegres, acha que marcaram você? Dá peso de saudade, peso de tristeza, leveza de passarinho?


Pois é. Aí eu queria falar das comunidades do mundo 2.0. Você faz parte de alguma comunidade do Orkut? Ela, de fato, representa alguma coisa pra você? Se você sair dela, vai fazer alguma diferença? E assim como eu disse comunidade do Orkut, pense se você faz parte de uma comunidade do Facebook? Do LinkedIn?

Será que isso é comunidade? Pra mim, isso é agrupamento. Tanto faz se você estiver lá ou não. Na verdade, a comunidade não mexe contigo e você não mexe com a comunidade.

E o que tem isso a ver com a vida? Tem tudo a ver.

Eu acho mesmo que o conceito de “croudsourcing”, do qual já falei aqui muitas vezes, elogiando o livro “O poder das multidões”, que mostra como as comunidades vão mexer com a vida da gente. O poder dos grupos na disciplina, na ordem, na pesquisa, no trabalho conjunto ou compartilhado vão acontecer mais devagar do que eu imaginava. Preciso ser menos idealista. Não são essas pseudo-comunidades que, de fato, fazem a diferença.

Algumas vezes acredito até que estas comunidades se unem por um motivo torpe, um motivo destrutivo, mas que, no dito “poder do consumidor”, da multidão, acabam fazendo um trabalho pouco profundo de análise do que está sendo discutido, vendido, exposto, do que está sendo venerado, do que está sendo pixado. E expõe em praça pública pessoas e instituições que precisariam de mais respeito

Vou fazer uma provocação que eu sei será enorme!

A comunidade de Trainee Brasil, do Orkut, colocou uma enquete pra saber qual a pior consultoria de RH do Brasil. E muitas pessoas vão lá e votam, como se isso não representasse nada. É como se eu perguntasse: “Esse cachorro da rua é mais bonito que aquele? E aquela menina gorda, é estranha?”

O que quero dizer aqui é que, algumas vezes, os pseudo-grupos se unem e podem ser perversos, simplistas, mordazes e destrutivos.

Assim como Hitler se firmou no poder num minuto de descontrole geral, é assim que surgem os grandes erros da Humanidade.

Esse é, de fato, um grupo lutando por alguma coisa? Defendendo interesses? Definindo com as empresas como devem ser os processos seletivos? Com a profundidade e consistência pra poder avaliar alguma coisa?

Li hoje no blog “O Cappuccino” sobre o poder das mídias sociais nos produtos. Questiono muito se essas análises são consistentes ou se só caíram no gosto da piada, da vida vivida pelo momento.

Fica aqui o meu protesto. Um protesto de quem já foi difamada (pelo Sr.Pedro Ethos) sem motivo algum. E, se ele estivesse numa comunidade, seria capaz de levantar uma multidão. E que, se essa multidão, por não necessariamente ser uma comunidade, não compreender sua importância e força como grupo, poderia fazer um mal danado. Algumas vezes irreversível. É essencial que esta geração se pergunte se está participando de comunidades, de agrupamentos inconseqüentes, e se tem noção disso.

Somos agrupamentos? Somos grupos? Qual é a diferença? Queremos estar em comunidades? Ou preferimos o anonimato dos agrupamentos? Eu levanto esta questão porque participei e participo em vários grupos que, no meu ponto de vista, fazem a diferença. Constroem. Sou da geração Baby Boomer e acho que isso era mais comum nos anos já passados.

Fica a minha provocação para a geração Y: a que comunidades vocês fazem questão de pertencer? De quais realmente pertencem e por quê? E, se você está em agrupamentos, está lá por qual motivo?

Agrupamentos e comunidades: onde realmente podemos fazer a diferença?

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4 Responses to ““Comunidades” podem ser construtivas ou destrutivas. Qual é a sua?”

  1. Cintia disse:

    Olá, Eline.

    Em tempo. Hoje a Rosana, do blog Querido Leitor, fez um post bastante oportuno diretamente ligado ao seu. Nele, ela comentou o caso da “estudante da Uniban” e o que ocorre quando uma multidão se deixa ser incitada por uma pessoa perversa.

    Do mesmo modo que você fez um paralelo com Hitler, ela fez uma comparação ao nazismo, citando o filme “The Wave”. Nele, o professor propõe uma experiência para explicar o nazismo: uma turma de uma escola é propositalmente tratada como superior às outras. As consequências são perturbadoras.

    Esse é um problema antigo na humanidade (basta lembrar a multidão instigada a optar pela soltura de Barrabás no lugar de Cristo). O que a Internet faz é amplificar e expor de modo extremado esse comportamento deplorável.

    Quando os jovens se reúnem em dinâmicas ou outras situações propícias ao tema, é inevitável o surgimento de comentários e críticas sobre as consultorias de seleção. A grande questão é que a geraçãoY não percebe a Internet como um veículo diferente da conversa, não vê que se trata de um registro documentado, e que como tal deve ser tratado.

    Como foi discutido aqui há poucos dias, no post “A cultura do tédio gera a falta de ética”, as críticas devem ser feitas de maneira respeitosa e embasada. Caso contrário isso passa a ser um problema moral.

    Que não tarde a evolução dos “agrupamentos” a “comunidades”. O mundo precisa disso.

    Segue o link do post da Rosana: http://blogs.r7.com/querido-leitor/2009/10/30/a-aluna-da-uniban/

  2. Olá Eline! Estou de volta para te parabenizar sobre esse texto mais uma vez interessante e que nos põe a meditar.
    Acredito que o termo “comunidade”ganhou muita força com o orkut, onde as pessoas passam a se auto-esteriotipar sem medir muito as consequências e as discrepâncias dos grupos dos quais fazem parte.

    Digo isso porque há os que participam ao mesmo tempo de grupos antagônicos, que falam de amor e de guerra, por exemplo. Uma pessoa que faz parte de 200 comunidades pode ter o seu perfil levado a sério? As pessoas realmente participam dos fóruns criados nas comunidades para debater assuntos em comum? Muito raro… Existem sim alguns convictos onde você vê alguma lógica nas comunidades que acompanham, e esses parecem coerentes, e não usam a rede social por simples passa tempo.

    Acredito que a geração Y encontra-se em fase de auto-definição: quem sou eu? Gosto de quê? Qual é a minha tribo? E o pior: como eu quero que as pessoas pensem que eu sou?! Porque o mundo digital nos permite parecer e ser quem nós não somos de verdade. E esse é o pior legado que a tecnologia vai deixar num futuro muito próximo… A geração Y sabe o que é e o que quer ser como pessoa? Ou espelha-se em personagens e se moldam através dos recursos da internet, que os tornam indivíduos virtuais e imaginários? Quando perceberem que não são felizes por não serem o que tentam provar que são (embananei sua cuca…), correm o risco de entrar em depressão e sair por aí buscando uma resposta tardia: afinal, quem sou eu?!

    Chico Science escreveu uma música, cujo início era assim: “nada como o firmamento para trazer ao pensamento a certeza de que estou sólido em toda a área em que ocupo…”. A lição é essa, somos carbono, e não silício. Quem for mais silício que carbono, terá dificuldade em se encontrar como pessoa e como membro da sociedade de carne e osso. Para mim esse é o maior prejuízo que o mal uso das redes sociais pode causar. Acho bastante perigoso o mergulho que a geração Y está dando nessa praia… E portanto, algumas redes sociais são prejudiciais para o desenvolvimento social.

    Grande abraço!
    Adriano

  3. Karen M. Chequer disse:

    Oi, Eline! Faço parte da geração Y e adorei sua reflexão sobre o que realmente são comunidades, sobre as comunidades do orkut e sobre o poder (construtivo ou destrutivo) que elas exercem. Faço parte da comunidade citada TRAINEE Brasil e a utilizo para me manter informada sobre os processos e para aprender mais sobre eles. Contudo, vejo que muitos membros a usam para fazer afirmações preconceituosas ou pejorativas, sem embasamento. Quanto à enquete, qual a pior consultoria de RH do Brasil?, a meu ver, nem conhecimentos suficientes para responder a ela nós, candidatos temos. Além disso, é uma pergunta muito geral e, a princípio, não traz melhorias para os processos. Acho que a comunidade é, sim, um espaço para darmos opinião sobre os processos e as empresas, mas de forma que, as que queiram nos ouvir, possam encontrar soluções e se sintam também respeitadas. Uma enquete, por exemplo, que perguntasse, o que você achou do uso desse recurso no processo A? ou o que você achou do teste B?, seria mais interessante. Parabéns pela reflexão!

    • Eline Kullock disse:

      Karen,
      Estou completamente de acordo com você. Acho que a comunidade ( ou agrupamento ) tem uma porção de vantagens,
      Os candidatos se enc0ontram, tiram dúvidas, aprendem, trocam experiências. Isto é uma das vantagens do mundo 2.0.
      O que eu acho inadequado e perigoso é que o grupo se sinta forte para usar esta força na destruição de alguma coisa, empresa, consultoria, pessoas, sem critério. Simplesmente pela força da multidão. Como aconteceu com a moça da Universidade UNIBAN , ou como o estupro coletivo nos Estados Unidos recentemente.
      Mas se o grupo usar sua força para aprender, para criar processos novos, para ensinar às empresas e consultorias, seria um uso mais generoso do mundo 2.0.
      Mais construtivo. Obrigada por sua colaboração.
      Um beijo,
      Eline

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