
Por Mauro Segura
Essa foi uma pergunta que sempre me perseguiu e me persegue até hoje. Na verdade, a pergunta original é mais abrangente: o que eu quero da vida para mim? Essa questão, aparentemente filosófica, deveria ser a pergunta da vida de cada ser humano. Não sou da linha do “deixa a vida me levar” do Zeca Pagodinho, mas acho que a maioria das pessoas caminha por esta estrada.
A minha geração foi evangelizada para o sucesso baseado no binômio “carreira sólida no trabalho” e “família estruturada”. Carreira sólida no trabalho significa ter um emprego estável, numa empresa “boa”, com carteira assinada e alguma especialização. Família estruturada significa casamento “até que a morte os separe”, de papel passado e com filhos. Junte tudo isso e acrescente uma casa própria para a fórmula da felicidade ficar completa. Essa era a vida “sonho de consumo” do passado.
Olhando todos os dilemas da vida moderna, eu fico me perguntando se esta fórmula de sucesso ainda vale para os dias de hoje.
Certamente, para a geração mais nova, essa proposta de vida não vale mais. Talvez a grande mudança seja o sentimento de realização. Estou falando de realização pessoal e profissional. E, neste contexto, os tais “carreira sólida’ e “casamento de papel passado” parecem não fazer mais tanto sentido assim. Até porque os futurólogos de plantão dizem que o emprego formal vai diminuir e que o “casamento amarrado pelo papel” está sob abalos sísmicos acima de 10 graus da escala Richter. Hoje em dia, a gente fica junto para ver primeiro o que acontece, depois a gente pensa no casamento, se pensar.
Acredito que a grande diferença entre a minha geração e a geração mais nova é que nós vivíamos para construir o futuro, enquanto a geração Y vive para fazer o presente.
Minha geração sempre fez tudo com base num futuro melhor. E a fórmula do futuro, já falada, era:
Futuro = “carreira sólida” + “família estruturada” + “casa própria”.
A prioridade da geração Y é… viver. Claro que com um futuro legal e com realização, mas um futuro muito mais próximo do que um futuro de longo prazo. Poderíamos até dizer que esta geração também quer construir um futuro, mas um “futuro pertinho”.
Vivo ainda me questionando sobre o que eu quero da minha vida. O sentimento de realização é muito particular para cada um de nós. A sensação de se sentir pleno e realizado parece ser uma busca quase inalcançável, o que gera frustação e conflitos. Por outro lado, cada vez que conquistamos algo, nós já pensamos na próxima conquista. Somos seres insaciáveis por conquistas, o que faz o homem ser, provavelmente, o animal mais infeliz da face da Terra.
Colocamos como prioridade de vida comprar um carro, depois queremos comprar uma casa, depois queremos viajar para o exterior, e, sendo assim, a busca por conquistas não termina nunca. Queremos sempre algo mais. A geração mais nova aparenta ser menos preocupada com essas conquistas, aparentemente, voláteis. Posso até estar enganado, e quase sempre estou, mas eles estão muito mais antenados com o propósito de suas vidas do que com a caneta Montblanc.
Enfim, olhe-se no espelho e responda:
Qual é a vida que você está buscando?
Qual é o propósito de sua vida?
O que é sucesso para você?





Muito bom o seu texto Mauro. Acho que traduz perfeitamente o que nós sentimos em relação ao futuro e o que é sucesso para nós, dessa geração atual.
O conceito de estabilidade do casamento, do emprego com carteira assinada e até da casa própria, pelo menos na minha opinião, não diz nada sobre felicidade.
Saí há pouco tempo da casa da minha mãe para viver com as amigas de aluguel em outra cidade. Me perguntaram outro dia se eu não deveria ter optado por ficar lá e guardar mais dinheiro para casar e comprar minha casa própria futuramente. Fiquei pensando: “mas nem sei se e quando vou casar. Como posso postergar a realização de liberdade e de me sustentar, que sempre sonhei e que para mim é prioritária, pensando num futuro tão incerto?”.
Claro que esse é o meu pensamento e nada garante que não mudarei de ideia daqui um tempo, mas por enquanto, estou satisfeita com a minha decisão, e finalmente tendo a vida que queria. Para mim, isso é realização, diária e presente.
Para que deixar para ser feliz amanhã, se posso fazer isso hoje?
E como será depois? Também não sei, tanta coisa pode acontecer. O que sei é que hoje me sinto feliz por ter conquistado o que almejava. E claro, acho fundamental guardar dinheiro para o futuro, mais aí o desafio é outro, trata-se do desafio profissional, de crescer e sustentar todas essas vontades. Mas quem disse que é impossível?
Puxa, Manuela. Adorei seu comentário. Especialmente quando você escreveu: Para mim, isso é realização, diária e presente. Para que deixar ser feliz amanhã, se posso fazer isso hoje? E como será depois? Também não sei, tanta coisa pode acontecer.
Acho que é por isso que admiro tanto a geração de hoje. É a geração do “vamos fazer isso agora”. A minha geração era a geração do “vamos fazer depois”. E aí está o mundo que a minha geração entregou para vocês. O planeta está morrendo? Depois a gente vê. A sociedade está insatisfeita? Fica para depois. Existe um tremendo desequilibrio social no país? Depois alguém resolve. Enfim, peço desculpas pelo país e pelo planeta que deixamos para vocês, e incluo meus filhos nisso, mas creio que temos chance de virar o jogo, especialmente pela nova geração que vai comandar o mundo nas próximas décadas, que é mais consciente, impaciente e com “senso de urgência” apuradíssimo. Abraçosssssss para você. Mauro.