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supersuper

Por Eline Kullock

Na minha época (lá venho eu com os dinossauros…) a gente tinha o maior cuidado ao falar sobre uma pessoa.

Falar mal poderia magoar alguém. Podia ferir. A gente dizia: palavras soltas ao vento nunca mais são recolhidas. Palavra proferida é como um prego na madeira: a gente tira o prego mas o buraco fica lá… aberto.

Fazer um “ataque” a alguém sempre representava um risco. Seu amigo ficava “de mal” contigo, saía briga, os namoros terminavam, seu chefe mandava você embora!

Parece-me que a Geração Y não pensa da mesma forma.

Que eles são ávidos por falar, por “ter voz”, isso nós sabemos.

Mas parece que se tornou comum a fala, a crítica sem a mesma noção da conseqüência que tínhamos no meu tempo.

Fala-se, a meu ver, de forma pouco conseqüente, fala-se muito, fala-se o que der na telha*! O mais importante é falar! Falo, logo existo!

Um exemplo recente é o que aconteceu no caso da estudante da Uniban, tinham alunos a favor (surpreendemente!) da expulsão e teve gente contra, chamando o outro grupo de Talibãs.

Aí virou um evento, todo mundo quis participar. Igual na musica do João Bosco: “Veio o camelô vender anel, cordão, perfume barato, baiana vai fazer pastel , e um bom churrasco de gato” (De frente pro Crime).

Não só pelo caso da Uniban, mas posso dizer que vejo cada dia mais a moçada da geração Y falando o que quer. Pra quem quiser ouvir. Parece que o superego de Freud sumiu e ele está se revirando na tumba!

Não há controle, há verborragia.

E o que tem isso? É que isso pode interferir drasticamente na vida das organizações. Vamos lembrar que essa moçada esperta vai negociar, falando em nome da Empresa, dando suas opiniões pra mídia, se expondo…

Mauro Segura, você que é da área de comunicação da IBM, se sente confortável com isso? Como se sentirão as empresas, tendo como responsáveis pela área de comunicação, pessoas da Geração Y que falam o que pensam?

Se o negócio é falar, se o negócio é dar uma opinião, eu dou uma opinião e depois mudo, ué.

Será que é assim mesmo? Será que, com isso, a demanda por advogados vai crescer? Vai ser todo mundo processado pelo que diz?

Nossos super-homens (e mulheres-maravilha) talvez precisem repensar o tal do superego.

Minha Wikipedia define superego da seguinte maneira: representa a censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao id, impedindo-o de satisfazer plenamente os seus instintos e desejos. É a repressão….. Manifesta-se à consciência indiretamente, sob forma da moral, como um conjunto de interdições e deveres, e por meio da educação, pela produção do “eu ideal”, isto é, da pessoa moral, boa e virtuosa.

Alguém ainda sabe o que é superego? Podemos retirar do dicionário?

*E afinal de contas, algum Geração Y sabe a origem da expressão “dar na telha”?

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10 Responses to “Super-homem sem Superego”

  1. Mari Coimbra disse:

    Eline!

    Excelente post! Por coincidência, meu primeiro post para o Minha Carreira foi sobre o Super Ego da Geração Y e a necessidade de crescer!

    Quando souber quando vai ao ar, te aviso!

    Beijos,

    Mari

    • Eline Kullock disse:

      Que bom, Mari. A gente pensa de forma parecida, né? Mesmo sendo de gerações tão diferentes, a gente vê o mundo da mesma maneira, né? Viu como é possível este encontro de Gerações?
      Um beijo carinhoso!
      Eline

  2. Indira Hansen disse:

    Sabendo disso tudo, como eu, da Gen Y, posso me policiar? Como posso evitar ferir os outros, ou estragar relações profissionais…
    Se sou aquela de quem sempre é cobrada a pró-atividade, as idéias e as criticas, como separar o que constrói do que destrói? E mais, saber que o que é normal pra mim, pode não ser para o outro…
    Parece-me que o modo de ser que a cultura me impeliu durante o crescimento trás, além de todas as coisas boas que minha geração tem, também as ruins, e o desafio é separá-las.
    Dar sugestões e participar se tornou tão obrigatório que às vezes dizemos algo só por dizer, só para não passar em branco… Acho que é melhor passar em branco às vezes…
    Se o superego se manifesta inconscientemente e não o possuo – não explicitamente ao menos – como posso fazê-lo aflorar?
    Acredito que nisso vale aquela velha frase da minha mãe: “não faça aos outros o que não quer que façam a você”. Mas isso é uma coisa que quem tem, tem, e quem não tem dificilmente terá: consideração pelo próximo. Não somente porque te beneficia… Não porque é necessário manter a aparência… Sim porque você espera que as pessoas sejam assim com você também.
    Minha avó (60 anos) ensinou minha mãe (40), que deve-se pensar no que dizer na base das surras com uma variedade tão grande de coisas que eu até desconheço… Minha mãe me ensinou (20 anos), com algumas palmadas e chineladas esporádicas, além de longas conversas que faziam meu coração doer de tanto remorso…
    Resta-me descobrir como fazer meu filho (2 anos), entender que as palavras proferidas não podem ser apagadas… Melhorando o processo de 40 anos atrás… =)

    Parabéns Eline, pelo blog que acompanho sempre desde que descobri!

    Abraços…

    • Eline Kullock disse:

      Indira, Tuas observações são fantásticas! Estou usando seu comentário no meu próximo post, tá?
      São perguntas lícitas de toda uma geração sobre como não fazer com que os outros se sintam magoados com as coisas que a gente diz. Na verdade ninguém, de geração nenhuma, quer magoar alguém de quem gosta. A não ser pessoas com sintomas mais doentios, né? E esta observação da tua mãe, “não faça aos outros aquilo que você não quer que façam a você”é completamente coerente e saudável. Mas como segurar a língua, eu perguntaria a esta geração. Você mesma colocou, de forma brilhante que, às vezes, a geração Y fala só pra dizer alguma coisa, pra não passar em branco”. Esta é a parte que gostaria de usar no post de amanhã.
      Talvez a Geração Y devesse repensar essa frase. Falar por falar. Sei que a Geração Y tem inúmeras qualidades. Sei que é proativa e rápida. Mas isso não é sinônimo de se falar tudo.
      Realmente a palmatória ( vixe, lá vem o dinossauro de novo!) ou o castigo talvez não sejam as melhores formas de resolver esses problemas. Acho que só o diálogo construtivo, acho que só o exemplo, só o amor e o respeito podem mostrar aos nossos filhos ( no meu caso são netos!)que algumas coisas machucam, que devemos refletir sobre o que falar.
      Você escreve tão bem!!! Você gostaria de colaborar com o blog? Escrever um post? Que tal? Sem precipitação!!! Mas acho que você pode trazer excelentes contribuições para o blog!
      Um beijo carinhoso!
      Eline

      • Indira Hansen disse:

        Olá Eline!

        Primeiramente, desculpe-me pela demora em responder, pra ser bem sincera, fiquei com medo de ter escrito bobagens! E é claro que pode usar o que escrevi, sem restrições!
        Segundo, quero dizer que estou extremamente lisonjeada de receber um elogio vindo de você… E que adoraria escrever para o Blog, só não sei se tenho algo a acrescentar a este time incrível que você tem… Mas com toda certeza aceito o desafio e o prazer que será contribuir aqui!
        Acredito que você tem acesso ao meu e-mail, espero seu contato!

        Obrigada, abraços…

  3. Clara Zaiantchik disse:

    Muito interessante o seu ponto de vista, Eline.
    Ontem mesmo estava conversando sobre isso com minha filha. Falamos do quanto a mídia precisa de espetáculo hoje em dia e que a Geração Y deve pensar melhor sobre os valores com os quais decide se conectar.
    Parabéns!
    Clara

    • Eline Kullock disse:

      Obrigada, Clara,
      Como mãe de 2 rapazes da Geração Y e avó recente, também acho que eles mesmos não podem ser um espetáculo. Cada atitude, conversa, explicação precisa ser bem pensada. Ainda mais agora, onde o mundo 2.0 nos permite falar pro mundo todo ao mesmo tempo! Vamos lembrar de algumas observações feitas em público que ficaram gravadas nas nossas mentes pra sempre? A Marta Suplicy dizendo “relaxa e goza”, quando houve o problema do caos aéreo? O Fernando Collor dizendo “Duela a quie duella”? Será que nossos filhos sabem como as pessoas ficam marcadas pelo que dizem?
      Um beijo carinhoso!
      Eline

  4. Flavia Vianna disse:

    Oi Eline,
    muito bom o post, pra variar, né?
    Mas ainda acho que devemos pensar que o superego da @chapeuzinho (Y) e diferente do superego da @FlaviaVianna (X) … rsrsrs :-)
    No meu ponto de vista, o que diminui não é só a censura em si, e também O QUE a pessoa censura. O superego do jovem de hoje atua em outras esferas de comportamento deles, mas não na liberdade de expressão do que pensam. Nasceram em um mundo que ensinou de cara pra o ID deles que não é amoral criticar. è cool, aliás ;-) Ao mesmo tempo que a Geração X se acostumou a valorizar que falar mal do outro podia magoar, a Geração Y se sente mais confortável com o amigo que se expressa, que fala o que pensa, mesmo que seja uma crítica dura. Por isso, acho que a questão é mais de valores diferentes entre gerações do que propriamente ausência de censura. Bem verdade que, muitas vezes, eles abusam do direito, né? rsrsrs
    Obrigada por nos brindar com mais um texto divertido e inteligente. Parabéns!
    Beijos,
    Flavia

    • Eline Kullock disse:

      Bem colocado, Flavia,
      Mas o que me pergunto, então, é porque os valores das Gerações mudam tanto? Se foram criados pelos Baby Boomers, se viram em seus chefes, irmãos mais velhos, primos da a Geração X mais cuidado com o que se fala, pelo receio em magoar, como não é possível transmitir esses valores aos mais novos? Essa pergunta fica no ar, porque sei que não consiguiremos responder a todas as questões. Como eu mesma digo, “Isto é um dado do problema, não uma variável da equação!”.
      Um beijo carinhoso e muito obrigada!
      Eu é que me divirto pra caramba coom seus textos!
      Eline

  5. Muito bem escrito Eline.

    Como você colocou, acredito que temos uma necessidade impulsiva de expor nossas opiniões. Ao meu ver, as empresas se dividirão em dois grupos; as silenciadoras e as “wiki-empresas”. As silenciadoras agirão como se cada funcionário fosse uma pessoa não complexa, alguém que apenas executa sua função profissional e vive por ela e elas tentarão reprimir qualquer atitude que pode abalar o status-quo da empresa. Já as “wiki-empresas” buscarão aproveitar a inteligência coletiva dos funcionários que engloba não apenas o seu cotidiano no trabalho, como também os seus outros conhecimentos. A partir de pequenos mencanismos de controle, como moderadores de fórum e redes sociais, media tranings, entre outros, as “wiki-empresas” poderão finalmente extrair quase todo o potencial dos seus empregados.

    Vale lembrar que não é apenas a cultura corporativa que define se uma empresa será wiki ou silenciadora. Fatores como o porte da empresa, a sua indústria, a sua idade e o tipo de trabalho em si, também são decisivos para a formulação de uma estrutura de comunicação vertical e unilateral ou horizontal e bilateral.

    Abs,
    Gui

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