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minisaia

Por Eline Kullock

Acabo de ler uma notícia da Folha On Line em que uma atriz vai a outras universidades (no curso de Direito da USP, na FMU, Universidade Ibirapuera e na PUC) com um vestido curto (nem tão curto assim para uma Baby Boomer dinossaura-sinistra como eu) e, despretensiosamente, faz perguntas como “aonde fica o banheiro”, só para perceber a reação dos alunos.

Ironicamente, a atriz sofreu a mesmíssima reação da aluna da Uniban Geisy Arruda, hostilizada pelos alunos quando usava um vestido curto, embora sem a mesma agressividade. No caso da Geisy, todos sabem, ela foi quase que atacada a ponto de ser necessário chamar a polícia.

Fico vendo isso e pensando na teoria do pêndulo. Os hippies apareceram como uma contra-revolução, um inconformismo com a guerra, uma rebelião contra valores da época.

No momento em que a humanidade adquire e adere a certos valores mais liberais, conquistados com toda a irreverência, tendendo o pêndulo para um lado, deve haver uma rebelião contra esses valores e uma busca do ponto central do pêndulo, onde nada seja extremado.

Será que a juventude que repudia o uso da mini-mini-mini saia, está discutindo novamente o que pode e o que não pode agora? Esta é uma geração que disse PODE TUDO. TUDO PODE. LIBERDADE TOTAL PARA AS PESSOAS.

Claro que isto não se refere a poder poluir, roubar, matar, mas sim a um comportamento das pessoas de se exporem nuas na Internet, ao abuso da exposição do corpo. Há filmes de pessoas transando na internet e parece que os jovens não se importam com isso. “O corpo é meu e eu faço dele o que eu quero”. Esta sempre foi a mensagem dos jovens da geração Y. Preconceito zero.

Digo até em minhas palestras que esse pessoal é menos preconceituoso do que a minha geração baby boomer. Aceita mais as pessoas como elas são. Aceita a diversidade.

Me espanto, inclusive, com o número de casamentos que vejo entre os jovens. Até bem pouco tempo, o casamento estava em baixa. Nós, os revolucionários, abrimos a porta para que as pessoas vivessem juntas, sem necessidade do papel assinado por um juiz de paz, um padre, um rabino, ou outro representante de uma igreja.

Os jovens da geração X passaram a morar junto e não ligar muito pra tradição de entrar de “noivinhos” na igreja. Até porque o conto de fadas da noiva virgem e casta não é mais uma realidade. Pois é, mas nos grandes centros (como São Paulo e Rio), vejo cada vez mais os jovens (os que já moram juntos e os que só convivem juntos na casa da família original de um deles) querendo aquele casamento considerado “careta” até algum tempo atrás.

Será isso tudo um movimento de contracultura, um movimento em que a geração atual está dizendo “basta” para determinadas coisas? Basta ao “pode tudo”? Só consigo entender o repúdio de todos os estudantes às moças que vão de saias curtas nas universidades (não falo só do caso Geisy, mas das universidades onde atriz esteve também) como um movimento do pêndulo. Caso esta não seja esta a explicação, fico completamente confusa com os sinais passados por esta geração e peço ajuda aos universitários

4 Responses to “A geração Y suspendeu a mini-saia”

  1. Elaine disse:

    De fato, estamos presenciando uma geração de múltiplas referências que ainda não encontrou em qual galho se agarrar para não ser levada pela corrente.
    Ótimo post!

  2. Mari Coimbra disse:

    Oi Eline!

    Muito legal a abordagem! Eu cheguei a achar que minha opinião era um pouco radical, mas depois de ler essa mesma reportagem da folha, percebi que é uma tendência dos Y’s questionar, não a atitute, mas os limites dela. Explico: A revolta (inclusive minha) não tem a ver com a nossa cultura do “tudo pode”!

    Apesar de sermos jovens despidos de preconceitos e extremamente liberais, acredito que estamos amadurecendo e percebendo que a liberdade tem um limite.

    No caso da minissaia, a liberdade de escolher a roupa que se quer usar tem seu limite no prejuízo que uma atitude dessas pode trazer à imagem dos outros milhares de alunos. Porque todos sabemos que a imagem acaba sendo vinculada. E nenhum daqueles alunos gostaria de ser visto com os mesmos olhos que olhamos alguém que não sabe se vestir para ir à Faculdade, uma instituição que vai representar a sua formação no seu currículo mais tarde.

    A revolta não tem muito a ver com a minissaia. A revolta tem mais a ver com as pessoas que estão confundindo a liberdade e distorcendo valores. A liberdade é valorizada e não podemos colocá-la em risco por não saber usá-la.

    Eu achei a reação do pessoal da Uniban exagerada, claro, mas acho que agiria da mesma maneira que os alunos agiram com a atriz contratada pela Folha.

    Na maioria dos cadastros, dizemos que noss profissão é ser estudante e, portanto, enxergamos a faculdade com profissionalismo e sabemos que nossa imagem está vinculada àquela Instituição. Da mesma maneira que os alunos da Estácio não queriam ser taxados de analfabetos (quando do escândalo do vestibular), os alunos da Uniban não querem ser taxados de “sem noção” (desculpe, mas não achei outra expressão para colocar aqui!).

    Beijos,

    Mari

  3. Gustavo disse:

    A matéria da folha fala sobre a reação dos jovens, mas foi uma reação diferente, (uma reação mais bem humorada), que em minha opinião é possível tanto na geração X como na Y. Acredito que a UNIBAN é um exemplo da reação de pessoas menos instruídas. A teoria do teoria do pêndulo realmente faz sentido, muitos dos jovens hoje em dia não precisaram lutar pela liberdade, ai o primeiro pensamento primitivo humano vem a tona, que é essa selvageria que nós humanos já fomos antigamente.

    Este caso da UNIBAN é uma demonstração de como é o caráter humano sem a educação. Muito se discute hoje em dia, para formar um profissional, mas quem se preocupa em formar um ser humano?

  4. Greyce Lopes disse:

    Oi Eliane! Parabéns pelo texto, gostei muito da sua crítica em relação ao fato ocorrido com a universitária. Penso que o vestir tem muito a dizer sobre a personalidade do indivíduo. Por isso, acredito que as pessoas precisam ter um certo bom senso na sua apresentação pessoal para se privarem deste tipo de situação. Porém, nada (nada mesmo) justifica como natural ou coesa essa reação medíocre dos universitários.
    O que temos aqui pode ser facilmente comparado ao Bullying, que normalmente acontece na infância e adolescência e de uma forma um pouco mais “amena” na vida adulta. Isso acontece por uma série de fatores, mas o que posso destacar aqui como sendo os mais fortes são a falta de compaixão e, principalmente, a falta de pensamento crítico, ou seja, de ter a capacidade de rever seus pré-conceitos e de ter opinião própria sobre as coisas. Sempre em uma revolução temos as pessoas que são mais influentes, os líderes de grupo. Provavelmente, nesse caso, havia alguns figuras “sem-noção” que lideraram essa ação ridícula. Mas o pior pra mim são aqueles seguidores que apenas seguem esses “laranjas-podres” sem capacidade de pensar.
    Me admiro isso acontecer com universitários, que teoricamente, deveriam ser pessoas mais críticas. Não me admiraria se isso tivesse ocorrido em um jardim de infância ou escol. Mas em uma universidade? É lamentável.
    Por isso meu questionamento é: será que o grande problema de grande parte dessa parcela de geração não está sendo a falta de pensamento crítico e falta de compaixão? Seria o motivo meramente educação ou uma tendência cultural?

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