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Valores
Por Mariana Coimbra*

Depois de ler os posts da Eline sobre a minissaia , resolvi falar da minha visão acerca do tal vestido rosa.

Como geração Y assumida e questionadora que sou, acho que posso falar um pouco sobre esse espisódio e dizer que, por mais que a reação tenha sido exagerada, devemos perceber que ela foi motivada pelo sentimento dos alunos de estarem sendo desrespeitados. Se a reação também foi um desrespeito eu não vou discutir, mas acredito na frase que diz: “se dê o respeito para ser respeitado”.

Ao contrário do que muita gente pensa, eu acredito que os valores são imutáveis. Valores são conceitos universais e atemporais e sua verdadeira natureza permanece intacta em todas as gerações. Ferir os sentimentos de alguém, prejudicar alguém de propósito, desrespeitar o outro, agir com má-fé e etc, serão sempre sinônimos de desvio ou ausência de valores.

A geração Y é analisada, estudada, criticada, moldada e rotulada o tempo todo, mas quase sempre como se fosse uma geração imutável. É preciso perceber que os nascidos a partir de 1980 já estão no mundo há, no mínimo, 29 anos. Não somos mais as crianças mimadas que recebiam troféus e faziam birra no shopping, apesar de alguns se recusarem a crescer! Hoje estamos em processo de amadurecimento e, por mais que esse processo possa ser lento, atrasado e difícil, já podemos notar que, muita vezes os valores estão ali, intactos. Já somos capazes de entender como funciona muita coisa e a maioria de nós já absorveu valores. Não é raro ver alguém da geração Y citar alguma lição que aprendeu com seus pais ou com seus avós. Essa pessoa absorveu valores.

A revolta dos alunos da Uniban não tem a ver com o microvestido cor-de-rosa, mas sim com a imagem que queremos passar da nossa geração. Nós temos valores e somos conscientes de que o ato da aluna Geisy foi uma afronta à imagem da instituição Uniban. A liberdade tem limites e já estamos aprendendo isso. Como dizia minha mãe: “A sua liberdade acaba onde começa a do outro”. Adaptando-se ao caso da Uniban: a liberdade que a aluna tinha de usar um vestido indecente acaba quando começa o direito dos outros milhares de alunos de terem a sua imagem preservada.

Posso escolher se quero ou não frequentar uma casa noturna onde mulheres de saias curtas não pagam para entrar. Sei que, a partir do momento que escolher frenquentar um ambiente desses, minha imagem será vinculada. Entretanto, esse conceito não se aplica às universidades, ambientes que representam a universalidade, onde TODOS devem ser respeitados. E respeito, pra mim, é considerar o outro e se colocar no lugar dele.

Da mesma maneira que os alunos da Estácio de Sá não querem ser rotulados pelo episódio de 2001, quando um analfabeto passou no vestibular, os alunos da Uniban não querem ser vistos como pessoas sem princípios, não querem ser rotulados, querem preservar a imagem. Sim, porque não saber respeitar a instituição onde se estuda, usando trajes não compatíveis com o ambiente, é uma deturpação de valores. É praticamente uma irresponsabilidade com a imagem dos outros milhares de alunos da Uniban, não é? Qual seria a consequência para a imagem de milhões de brasileiros se D. Marisa, acompanhando o nosso presidente Lula em um encontro de lideranças políticas internacionais, resolvesse usar o vestido da Geisy?

Não vamos ser demagogos a ponto de acreditar que a imagem não vincula. O exemplo da Estácio tá aí para comprovar! Até hoje os alunos de lá sofrem com a imagem que ficou depois do espisódio. Sobre a Uniban, na própria reportagem da Folha on line, uma das meninas diz: – “Xiii, só pode ser aluna da Uniban”. E essa vinculação é natural. Não vou entrar no mérito de ser justa ou moral, mas podemos dizer que é humana.

Enfim, será que o direito da Geisy em usar o tal vestido e expor seu corpo, deve ser maior que o direito que toda a geração Y tem de se mostrar uma geração de valores? Fica a pergunta.

*Mariana Coimbra nasceu em Belo Horizonte (MG), passou a infância em Ouro Branco (MG) e a adolescência em Palmas (TO). Atualmente vive em Recife-PE, mas costuma dizer que também tem uma casinha em Nova York (onde mora sua mãe). Já foi bartender, atendente de loja, decoradora de árvores de natal, aprendiz de snowboard, projeto de atleta, babá, atendente de padaria e estagiária. É Geração Y, futura trainee, determinada, adaptável, flexível, síndica, dona de casa, blogueira, graduanda em Direito e a princesinha da mamãe. Sonha em um dia saber tudo de tudo, mesmo sabendo que isso é impossível, mas gosta de sonhar grande e para ela só existe uma coisa melhor do que aprender: compartilhar o aprendizado! Acompanhe Mariana em seus blogs: http://porquenaopassei.blogspot.com e http://pontodotrainee.blogspot.com ou pelo Twitter

19 Responses to “Eu tenho valores!”

  1. Eline Kullock disse:

    Mariana,
    Você sempre me faz pensar. Sempre traz um ponto de vista novo e coerente. Mas, para mim, ainda ficam umas perguntas: Porque a Geração Y não reclama da “calça cofrinho” que vários ( as) usam? Por que então, isso é permitido?
    Eu que sou uma dinossaura “sinistra”, como dizem meus filhos, não entendo outra coisa: a minha geração queimou o sutiã. Disse não ser obrigatório o uso dele. Fez vários movimentos nesse sentido. Então, nas faculdades, o sutiã é, aora, obrigatório?
    Quem define isso, na tua Geração?
    Adoraria ver a tua opinião e a opinião de outros jovens!
    Um beijo,
    Eline

    • Mari Coimbra disse:

      Oi Eline!

      Eu gosto mesmo de ver os dois lados da situação! =D
      Na verdade eu entendo que tudo tem muito a ver com o bom senso. Pra mim não existe muita ligação com a roupa, e sim com a atitude. Realmente, a calça cofrinho é comum em algumas meninas, mas por entender que o objetivo não era “mostrar o cofrinho” acho que muitas não são criticadas. Mas, mesmo em relação a essa peça de roupa existe um certo preconceito.

      Tudo depende da atitude e da intenção daquela pessoa ao agir de determinada maneira ou vestir um certo tipo de roupa. A própria Geysi assumiu para o Fantástico ontem (15/11/09) que ela gosta de chamar a atenção. Mas, se esqueceu que aa Faculdade não é lugar para isso.

      É desse desvio de valores que eu to falando. Se ela mesma nào respeita a Instituição que frequenta, como pode exigir que concordemos com sua atitude?

      O sutiã, na verdade, significava a igualdade, a liberdade, os direitos a que nós mulheres temos hoje. Mas sair de casa para a faculdade com uma blusa transparente não significa nada disso. Pelo contrário, pode trazer uma visão deturpada da mulher.

      É por isso que eu sou a favor do conceito de que a liberdade de um termina quando começa a de outro. E esse limite, quem determina é o bom senso. O direito de não usar sutiãs está presente nas faculdades todos os dias! Ele é a própria Universidade, ou universalidade de valores, raças, sexos, conceitos, classes, idades… Desde que o todo seja respeitado.

      Acho que é bem isso que eu penso. Eu realmente fico chateada com atitudes de alguns da Geração Y que acabam prejudicando o todo. Mas isso eu acho que se deve ao idealismo que herdei dos BB’s!

      Beijos

      Mari

  2. Mariana, sua abordagem está em perfeita sintonia com o meu ponto de vista! Apesar de ter sido criticado em muitos blogs onde falei sobre valores morais, ainda insisto que muitos membros da geração Y são mal influenciados pela mídia, pela TV, e pelo pouco esclarecimento que recebem dos pais modernos (trabalhadores full time), e por isso apresentam distorção de comportamento, excesso de individualismo e falta de pensamento no coletivo. Enfim, existe ausência de embasamento a respeito de valores morais.

    A menina do vestido curto, pensando só em si, foi vestida adequadamente para a noitada após a aula (como ela mesma afirmou), e segundo alguns depoimentos ainda procovou os ânimos da rapaziada facilitando a exposição da sensualidade durante a subida na rampa.

    A rapaziada tratou de manifestar-se de forma desordenada, e acredito que a grande maioria estava é gostando da baderna e usando o diálogo da moral como falso pretexto para justificar a bagunça.

    Em outras palavras, quem iniciou a confusão desrespeitando a moral do proximo foi a menina, o que não justifica a atitude exagerada dos demais.

    Mas para quem defende a liberdade de escolha e respeito pela vestimenta da menina, deixo uma pergunta: você iria a um casamento vestida confortavelmente com a mesma roupa com que saiu do clube? Acho que cada ocasião pede um figurino, e nesse contexto compartilho de sua opinião de que a menina estava errada.

    Grande abraço!
    Adriano

    • Mari Coimbra disse:

      Oi Adriano!

      Foi exatamente isso que me levou a escrever o post! Eu sempre tive uma séria preocupação em não ser rotulada de maneira injusta e sempre tive a preocupação com os limites de minha liberdade. Enxergar que todo exagero é prejudicial já é um grande passo para mostramos que a nossa geração não é superficial e que já tem condições de tomar decisões sensatas!

      Beijos,

      Mari

  3. Julianna disse:

    Para Mari: texto perfeito! E coloco um adendo que o que a Geisy queria era o que o Warhol há tanto falou: os seus 15 minutos de fama. O pior é que conseguiu. Tenho vergonha de uma pessoa dessa ser representante da minha geração. Se ela, no mínimo, não desrespeitou o código de ética da instituição (se esse existir), ela desrespeitou as pessoas. Liberdade não é libertinagem e essa menina não tem a menor noção do que é o valor da liberdade. É claro que as reações foram as piores possíveis e o desenrolar da história (a expulsão) injustificável, mas… quem quer respeito deve se fazer respeitar, não é mesmo?

    Para Eline: não sei se vou responder por mim ou pela minha geração, mas isso me incomoda da mesma forma que o tamanho do vestido da Geisy e sua atitude provocativa. O problema é que se eu (ou a minha geração toda) começo a demonstrar desconforto com situações desse tipo, serei a chata, a reclamona, a intransigente, a inflexível, a retrógrada e mais um monte de coisas. Tem momentos que apenas optamos por ignorar. De qualquer forma, todo esse problema se resolveria com um simples ingrediente que parece andar em falta: bom senso. Da Geisy, dos alunos da Uniban, da própria Uniban, de quem usa calças cofrinhos, de quem dá espaço para essa menina se promover…

  4. Wagner disse:

    Mariana, horrivelmente preconceituoso seu artigo. Me pergunto: por que toda vez que alguém recorre a “valores” para justificar uma ação, está na verdade falando de moralismos baratos? Essa historia de “eu sei que a reação foi exagerada, mas…” e logo em seguida justificar uma barbárie dessas, não passa longe daquela história de que a culpa do estupro é da mulher, que estava vestindo uma roupa provocante.
    Ora, o corpo é da mulher e ela tem sim o direito de, inclusive, mostra-lo sem ser abusada por isso.
    Espero que a tal Geração Y não seja toda ela moralista, reacionária e machista dessa forma!

    • Mari Coimbra disse:

      Olá Wagner!

      Eu respeito a sua opinião que considera meu artigo preconceituoso. Mas eu nunca poderia deixar de escrevê-lo. Quero esclarecer que a minha intenção,como deixei claro no post, não foi a de justificar o ato dos alunos da Uniban, mas de estudar o que motivou que agissem assim. Não concordo com a reação exagerada, até porque muitos ali estavam, também, agindo de alguma maneira como ela.

      Sou uma pessoa que busca enxergar a situação de todos os ângulos, não sei se devo isso à minha formação em Direito, ao meu signo que tem em seu significado a balança ou aos meus valores e princípios que, posso te garantir, não têm nada de moralismo barato. Mas eu te digo com clareza de ideias que não estou sendo injusta em jugar a atitude da garota por não respeitar o ambiente de uma Universidade.

      Me desculpe por ser tão direta, mas moralismo barato é dizer que o corpo é dela e ela tem o direito de fazer o que quiser. É preciso entender que para cada ação existe uma reação. E você precisa arcar com as consequências se quiser agir de maneira inconsequente, não é? O direito tem limites e eu não acredito que o direito de uma garota sair na rua pelada seja maior do que o meu direito de ser enxergada como alguém que preza pela imagem.
      Ficam aqui algumas reflexões:

      Você gostaria de ter uma filha que agisse como ela? Você se casaria com ela? Gostaria que ela fosse sua irmã?

      Se você respondeu não a qualquer uma dessas perguntas é porque, no fundo, também não aprova o que ela fez.

      Beijos,

      Mari

    • Wagner, discordo muito de sua colocação quando à liberdade de fazer com o próprio corpo o que bem entender em público. Só faria isso dentro de quatro paredes ou ambiente adequado. Há um livro escrito por um capitão da PM com dicas, inclusive, de como se vestir, pentear e andar para chamar menos a atenção de um possível estuprador, baseado em pesquisa e dados estatísticos coletados junto aos praticantes. Isso é comportamento defensivo, e a mulher pode sim ser vítima de estupro por abusar da provocação da libido de um doente mental.

      Morei em SP durante uma época em que travestis se mostravam escandalosamente após as 22h em zona residencial próxima de Congonhas, constrangindo moradores, passantes e todos mais que chegassem numa daquelas casas de família. A atitude desses travestis e prostitutas para você é normal ou criticá-los é moralismo barato? Estabelecendo novos conceitos para as mesmas palavras estaremos à beira de um caos linguístico e interpretativo sobre o que é certo ou errado no convívio em sociedade.

      Grande abraço!
      Adriano

  5. Kelly disse:

    Nossa!! Isso é geração Y? e os alunos pelados que foram protestar pelo direito de usar o que quer?

  6. Bem, Mari Coimbra é minha parceira no http://www.minhacarreira.com, então sou suspeito pra falar. Porém, Eline Kullock faz um questionamento muito interessante – e nos faz refletir acerca disso. Concordo em parte com a Mari quando fala sobre a relação da nossa geração com os valores inerentes à ela, porém penso como a Eline na questão do “calça cofrinho”. Acho que o episódio Unibam ganhou contornos exagerados e exacerbados, mas não pode ser comparado ao episódio da Estácio de Sá (diferente contexto). Aliás, fui aluno desta Universidade e, em minha trajetória profissional, busco comprovar que o “nome” não reflete as competências. Conversamos recentemente sobre isso, não é Mari?!
    Penso que a aluna teve sua parcela de culpa (ousadia não condizente com o ambiente) e o corpo discente também (exagero na posição determinista). Mais um caso lamentável, pois temos tanta coisa errada acontecendo por aí, principalmente nas prefeituras, governos… E minha geração tem deixado bastante a desejar nesse sentido… Estamos brigando pelas causas erradas!

    • Mari Coimbra disse:

      Oi Bruno!

      Nossa conversa girava em torno disso mesmo! Desvincular o talento da imagem, o talento de sua área de formação!

      Seria um mundo perfeito se conseguíssemos, pelo menos, desvincular nossa imagem da imagem dos outros, não é?

      Beijos,

      Mari

  7. Karen M. Chequer disse:

    Oi, Mariana! Como integrante da Geração Y, achei bem interessante seu post. Na verdade, estou surpresa com o rumo tomado no caso Uniban. Concordo que a reação dos alunos à roupa usada pela Geisy foi absurda, violenta, preconceituosa e cruel, mas, por outro lado, penso também que não se deve transformar a aluna em vítima inocente da barbárie de alunos. Vi que ela, pela “fama” adquirida no episódio, já fez participações no Faustão e no Casseta e Planeta. Prêmio por ter ido com um microvestido a uma ambiente acadêmico? Assim como no post do blog que fala sobre a atual preferência dos jovens por vilões, acho que está havendo também uma inversão de valores no caso Uniban. A aluna em questão não é vítima ingênua dos fatos. Vivemos em sociedade e conhecemos suas regras de convivência. A imagem que passamos com nosso modo de vestir, de falar e de agir é uma dessas regras e devemos nos preocupar sim com a imagem que passamos, seja no ambiente de trabalho ou em qualquer outra situação. A universidade é uma espaço acadêmico, de construção de conhecimentos. Experimente ir à praia de terno e sapato social. Vá por um único dia trabalhar em um banco de biquini. No fórum da minha comarca, meu ambiente de trabalho como advogada, há trajes expressamente proibidos. Censura? Preconceito? A meu ver, não. Apenas respeito a um ambiente solene e sério como o do poder judiciário. Criticar a reação dos alunos da Uniban é uma coisa. Envolver a aluna que provocou em um invólucro de ingenuidade e vitimização é enxergar os fatos por uma lente limitada e passível de discussão.

    • Mari Coimbra disse:

      Oi Karen!

      Talvez por termos a mesma formação e pertencermos à mesma geração, acabamos questionando as mesmas coisas!

      Muito coerente seu comentário! Eu fiquei me perguntando porque a faculdade, que, no início do caso, estava à favor da aluna resolveu puní-la com a expulsão, após apurar os fatos.

      Acho que a reação foi errada, mas não consigo deixar de me perguntar se foi apenas o vestido mesmo que causou tudo aquilo!

      Beijos,

      Mari

  8. Olá Mari,
    Leio os seus textos a algum tempo, junto com o que o Bruno escreve e basicamente todo o pessoal do MinhaCarreira. Vocês são ótimos e representam muito bem essa nova geração. Sou fã de vocês.
    Mas me permita discordar de você nesse ponto específico da Uniban.
    Você se referiu muito a “imagem” nos seus comentários. Acho que não percebemos, mas no Brasil a imagem ainda fala mais alto do que o conteúdo, e isso não tem outra palavra, é preconceito. No final das contas não vejo benefício nenhum em tentar analisar por outro prisma e justificar o que aconteceu na Uniban. Infelizmente, aconteceu no passado com o samba e com a capoeira, acontece hoje com o funk da periferia, e vai continuar acontecendo se nós não pensarmos diferente.
    Eu moro na Irlanda e posso dizer que a roupa dessa menina da Uniban não é diferente do que muitas adolescentes usam por aqui. É assim por toda a Europa e também nos Estados Unidos. A diferença reside no que está dentro das nossas cabeças.
    Grande abraço,
    João Reginatto

  9. Temo Mori disse:

    Olá Mari,
    Sou novo aqui e meio que sem querer seu texto me chamou a atenção. Muito mais pela definição da geração Y do que o fato da Geisy que você disseta. Partindo do princípo de que um erro não justifica o outro, o que você tem a dizer da atitude dos alunos de humilhar a garota que “gosta de chamar atenção”? Você fala que “os alunos da Uniban não querem ser vistos como pessoas sem princípios, não querem ser rotulados, querem preservar a imagem.” Mas ao agredir moralmente uma menina que não se dá ao valor, que não se deixa respeitar, seria natural?
    Que imagem eles estão passando? Essa geração Y na qual nos orgulhamos tanto por ser desbravadora e desempedida bate te frente com o instinto animal inerente ao ser humano de excluir os que são diferentes? Fiquei na dúvida agora do que seriam feitos os valores! Acho que a “deturpação de valores” não occore só por “usar trajes não compatíveis com o ambiente” mas também na atitude de todos os alunos em xingar, filmar e divulgar a infelicidade da moça. Essa geração Y é vítma de sua propria liberdade excessiva e acaba deturpando valor, agredindo-se visualmente, verbalmente ou físicamente. Olhando de fora, não seria preconceito? Os alunos não estão passando a imagem de que são preconceituosos? O que é pior, não se dar ao valor e usar o vestido ou agredir moralmente a quem não se deu valor?

    aceita uma discussão saudável?

    Beijos,
    Temo Mori

  10. Indira Hansen disse:

    Mari, boa noite!

    Lendo seu post e todos os comentários aqui, principalmente este último (João), não posso deixar de me questionar se dividimos a mesma opinião, eu, você e todos os outros.
    O problema não é o vestido. É insano afirmar que temos preconceito contra qualquer vestimenta. Roupas como a da aluna da UNIBAN são comuns em nosso cotidiano, na minha Universidade mesmo é normal. Vemos atrizes, modelos, personalidades, com roupas tão ou mais curtas e isso não nos perturba.
    O problema é o comportamento. Como se comportar com um vestido daqueles.
    A intenção era chamar atenção – como já foi citado aqui, e afirmado pela garota – então ela conseguiu, não? Só não obteve a reação esperada (o que pode acontecer com qualquer atitude, em qualquer lugar, com qualquer pessoa). Agora como ela chamou atenção, além do vestido é que é a chave desta história toda…
    Já foi citado anteriormente também que vários alunos afirmaram que ela levantou o vestido algumas vezes. Isso é coisa que só quem estava lá poderá saber com certeza, pois ela jamais concordará, certo? Mas acredito que uma reação tão exacerbada dos alunos não foi apenas por um vestido.
    Concordo com o João quando diz que: “a diferença reside no que está dentro das nossas cabeças”. Pois o maior problema é o que ela tinha em mente ao se comportar dessa forma.
    Discordo quando diz que: “imagem ainda fala mais alto do que o conteúdo”. O conteúdo é muito mais importante no Brasil sim! Agora, conteúdo, só sabemos quem tem quando é mostrado. E não acho que ela tenha tentado demonstrar o conteúdo que tem…

    Parabéns pelo post Mari e pelas respostas, muito bem escritos… Acompanho o “Por que não passei?” também =)

    Abraço.

  11. Mari Coimbra disse:

    João, Temo Mori e Indira!

    Vou responder a todos porque o assunto gira em torno da mesma questão.

    O “X” da questão não é o vestido rosa, não é a minissaia nem o cofrinho aparecendo. O meu foco é atitude, é como se comporta, é como interpreta, absorve e aplica os valores.

    Repito: não justifico de maneira alguma a reação dos alunos. Até porque alguns estavam ali motivados pelos mesmos desvios de conceitos e com atitudes bem parecidas com a da Geysi.

    A Indira soube expressar muito bem o que eu talvez não tenha conseguido.

    Será mesmo que o problema é o preconceito quanto ao vestido curto? Como ela se portava no dia-a-dia?

    Eu assino em baixo das palavras da Indira, e aproveito para agradecer a ela o carinho pelo Blog e os elogios em relação aos posts!

    Um beijo,

    Mari

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