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supermenino
Por Eline Kullock

Estou lendo mais um livro sobre a Geração Y, chamado Gen BuY . Muito interessante.

Estou aprendendo muito e, sempre que aprendo algo que pra mim é importante, gosto de compartilhar. Então vamos lá.

A primeira coisa que me chamou a atenção, e da qual eu nunca tinha me dado conta foi que, como pedimos muito a ajuda dos nossos filhos em casa (lembrem-se de que sou uma baby boomer, mas sinistra!), eles nos vêem como parceiros, mais do que como nossos “dependentes”em todos os sentidos.


Nesse movimento de pedir colaboração, estamos dizendo: vocês têm a sabedoria! Mesmo que ela esteja restrita a um conjunto de conhecimentos (não somente à internet, mas sim ao que advém dela). Por conta disso, eles se sentem mais “iguais” na relação com seus pais.

Isso é novidade. Antigamente, pai era pai e sabia tudo, e muito mais que o filho. Quando adultos estavam juntos, conversando, crianças e adolescentes não podiam opinar.

Hoje quem é que não tem orgulho de dizer que tem um expert no manejo de tecnologia (instalação de qualquer CD player, uso eficiente do telefone celular, envio de fotos, download de músicas, por exemplo) dentro de casa? Ainda que ele tenha dez anos…

O fato é que, desta forma, a geração Y tem um poder de barganha maior nas negociações com seus pais. Antigamente, as pessoas tinham mais filhos e valorizavam quando tinham um filho homem para ajudá-los na lavoura, no trabalho, enfim! E nós não os valorizamos porque nos ajudam a fazer coisas que não entendemos?

Os baby boomers, em geral, têm um certo medo e angústia de lidar com tanta tecnologia. Não é só o desconhecimento. Este assunto angustia, porque nos confronta com nossas imperfeições. E, nessa hora, ao invés de termos um help desk, temos nossos filhos com quem podemos contar (às vezes depois de muita negociação!).

É claro que eles se sentem mais “empowered”(por mais que eu tente, acho que o termo em português não faz sentido).

Não é só isso. Eles nos ajudam fazendo buscas que facilitam nossa vida na internet com muito mais rapidez que nós. Se queremos encontrar um produto, um serviço, se queremos definir um trajeto de carro para algum lugar, encontrar o menor preço, com freqüência recorremos a eles.

Na verdade, compomos um time dentro de casa, coisa que nunca aconteceu nas gerações anteriores (somente quando os filhos eram usados para ajudar na atividade de sobrevivência). E, com casamentos desfeitos, mães solteiras, precisamos desesperadamente da formação desses times para a nossa sobrevivência! Nos Estados Unidos (não conheço esta estatística no Brasil) 14% dos filhos da geração Y ajudam seus pais com a declaração do imposto de renda e burocracias relacionadas a isso.

Não se trata somente do orgulho que nossos filhos podem nos dar, num processo simbiótico. Não é viver vicariamente (palavra, pouco usada na língua brasileira), que é como viver através da vida do outro, mas sim uma necessidade que os tempos modernos nos impuseram, já que somos imigrantes digitais.

Isto dá aos nossos filhos uma consciência de que eles têm  “PODER”. Este fato, aliado a muitos outros já mencionados aqui, como não terem sido tão cobrados pelo rendimento escolar, terem sido premiados mesmo sem ter ganhado, terem recebido menos “nãos”, criou uma geração forte. Coincidência ou não, o mote da campanha do Obama foi o “Yes, We Can”, forte, dando-lhes a impressão de que este conhecimento que eles têm, e que nós não temos, significa “SABEDORIA”.

Importante dizer a eles que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Você pode saber utilizar ferramentas importantes. Você pode, a partir dessas ferramentas, ajudar seus pais nas escolhas da vida, mas isso não significa sabedoria.

A sabedoria vem dos sábios e isso não mudou. Geralmente os sábios são associados a pessoas mais velhas,  experientes, que já passaram por muitas situações na vida. E aprenderam a lidar com elas. Às vezes, a duras penas.

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5 Responses to “De onde vem o poder da geração Y?”

  1. Eline, você é sinistra, rsrsrs… quanto mais entro nesse blog, mais me desenvolvo como pessoa, e me ponho a pensar naquilo que ainda não tinha pensado. Então vamos à filosofação:

    Esse processo que você apresentou é real e visível, e acho que um dos responsáveis por isso é a luta pela sobrevivência dos filhos no futuro da qual os pais se viram fomentadores. E uma das ferramentas que surgiu no Brasil antes da década de 90, já para complementar a necessidade de uma faculdade, foi o estudo da neurolinguística, que tinha por fundamento estimular de forma positiva e encorajadora a conquista e o poder de “ser” e “fazer” dos jovens em desenvolvimento.

    Essa nova febre pela formação de um homem bem sucedido parece-me que justifica o surgimento de crianças “superpoderosas” e empreendedoras, que não têm medo de tentar, de fazer e de errar. Essa geração não se intimida, pois tem sido fortemente estimulada pelos pais a adquirir o conhecimento, pensar e agir por si só. Antigamente meu pai colocava meus disquinhos de historinha na vitrola, e era terminantemente proibido eu tentar fazer isso sozinho para não riscar o LP ou quebrar a agulha. Hoje minha filha de 4 anos pega os DVDs que lhe interessa, coloca no aparelho e muda de historinha pelo controle remoto. Ela liga o computador, digita a senha de login (ANA), abre o Explorer, seleciona a seção de filminhos do TerraTV nos favoritos e assiste os desenhos que quer… sem saber ler… Mas ela não aprendeu sozinha, nós a ensinamos. Os pais da geração Y e Z já sabem da necessidade de preparar seus filhos para se virar sozinhos e para enfrentar a competitiva vida que os espera no futuro, e por isso essas crianças são verdadeiros exploradores do conhecimento.

    Portanto, Eline, você também é a responsável pelo surgimento desses pequenos gênios em sua casa!!

    Darwin diria que houve uma evolução na espécie humana, mas eu acredito que houve uma evolução nos métodos e critérios utilizados para nos desenvolvermos e alcançarmos algo mais que a mera subsistência.

    Grande abraço!
    Adriano

    • Eline Kullock disse:

      Você lembrou bem, Adriano. A neurolinguística, que ajudou, entre outros estudos, a reforçar a auto-estima da tropinha. Como eu comentei antes, foi a época em que mais se estudou psicologia, educação, dormas de ensino, para dar a eles todas as possibilidades de educação mais “leve” , menos punitiva, com métodos de ensino que não os penalizasse tanto.
      Você faz muito bem em deixar sua filha mexer na tecnologia. Ela vai aprender rapidinho. Parabéns!!!
      Somos todos responsáveis pela criaç!ao de uma geração mais capacitada e auto-confiante. Somo também responsáveis por não deixar que isso tudo não os transforme em adolecentes arrogantes. Reivindicadores todos nós fomos… mas com respeito a nossos pais!
      Parabéns pela Aninha ( é esse o nome dela?).
      Um beijo carinhoso,
      Eline

  2. Clara Zaiantchik disse:

    Eline,
    Já está virando redundância eu dizer isso, mas sua análise é brilhante.
    Vivencio bastante essa realidade dentro de casa, por medo de que meus filhos venham a me desaprovar caso eu não faça tudo o que eles desejam. Penso que esta seja uma tendência das gerações X e Y, pois tenho filhos pertencentes a ambas e sinto isso na pele.
    Por outro lado, é claro que as vantagens são imensas, e não seríamos nada em frente ao computador se não fossem eles. Vale ressaltar, por fim, que a inteligência e a expertise que eles possuem são um legado da nossa geração baby boomer, que teve que brigar e sair nas ruas para reivindicar seus direitos. Nada era fácil, nem simples, por isso nos tornamos persistentes e buscamos passar esse valor para os jovens de hoje.
    O que eles aproveitam de tudo isso, não sei dizer ao certo, mas tenho a pretensão de afirmar que somos responsáveis por muitas das vitórias dos Y´s.
    Parabéns e obrigada pela dica de leitura. Deu vontade de procurar esse livro, mesmo em Inglês.
    Beijos!

    • Eline Kullock disse:

      Certamente , Clara, nós abrimos caminho pra eles em vários aspectos. E acho mesmo que eles não se dão conta disso. Talvez um dia, quando ficarem mais velhos, possam ter uma perspectiva histórica, emocional, afetiva. Esta é a geração mais amada pelo seus pais, segundo este mesmo livro. Onde mais se estudou psicologia, metodologias de ensino, educação, pra dar o melhor pra eles.
      Um dia eles vão compreender isso. E nunca é tarde pra valorizar o que foi feito por eles!!!
      Um beijo carinhoso,
      Eline

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