Feed on
Posts
Comments

generationxx

Por Tatiana Kielberman

Às vezes a gente supõe que todo mundo sabe o básico sobre a classificação que os livros e estudiosos fazem sobre as diferentes gerações, mas ainda ouço muita gente perdida com as nomenclaturas e características de cada uma.

Em um bate-papo com meu irmão mais velho, percebi que sei mais sobre o tema do que eu imaginava. Já ele… É um desses perdidos.

Acho que nossa conversa, transcrita neste post, pode ajudar um pouco quem quer aprender mais sobre o tema:


- Taty, sei que você é geração Y, porque tem 22 anos, enquanto eu faço parte da X, já que tenho 32. Certo?

- Sim! Você é do finalzinho da X e começo da Y, talvez uma mistura de ambas, pois nasceu em um momento de transição entre gerações.

- Ah, entendi! E a mamãe, a qual geração pertence?

- Ela é Baby Boomer, tem 58 anos!

- Baby Boomer? Que eu saiba ela não “explode bebês”…

- Fá, todo mundo sabe o que significa Baby Boomer….

- Todo mundo, vírgula… Todo mundo da Geração Y!

- Mas já te disse milhões de vezes que nossos pais fazem parte dessa geração Baby Boomer. Eles nasceram nos anos 50, logo após a 2ª guerra, um período de alta natalidade. As pessoas começaram a ter muitos filhos, por isso são chamadas de Baby Boomers, como uma analogia a um “boom” (explosão) de bebês no mundo!

- Ahnn, tá… Acho que estou começando a entender. E por que será que você sabe de tudo isso e eu não?

- Ah, por vários motivos. Primeiro porque a minha geração estudou (e ainda estuda!) muito mais inglês do que a sua. Isso não significa que uma seja mais prendada que a outra, mas vocês cresceram em uma época de inflações contínuas, e de uma situação econômica tensa. Não sobrava tanto dinheiro para investir em cursos. Já quando começou a nascer a Geração Y, a renda era um pouco maior, e nossos pais sentiram tremenda necessidade de garantir o nosso futuro. E o Inglês foi visto como um meio para isso!

- É verdade, você tem razão. Eu estudei inglês durante muito pouco tempo, nunca coloquei isso como prioridade. O papai e a mamãe não exigiram isso de mim também, e como logo consegui um emprego que não exigia o idioma, não me importei tanto. Então, para mim, ser um Baby Boomer significa mesmo “explodir bebês’. Hehehe… Sei o básico! E qual o outro motivo?

- Bom, talvez eu esteja mais ligada a esses assuntos do que você. Nossos interesses são outros. Por mais que você, X, tenha já muitas características introdutórias à Geração Y, nós somos um pouco mais rápidos. Enquanto vocês pensam em pesquisar sobre algum assunto, a gente já foi lá, “googleou”, copiou, colou e respondeu à pergunta! Tudo isso com criatividade e, digamos, uma certa eficiência.

- Convencidinha, hein?

- Fá, é um exemplo, né! Não seja chato… Estou falando aqui não só sobre mim, mas sobre uma grande parte dos jovens da minha idade… Isso não exclui o fato de vocês serem uma Geração X repleta de boas heranças, símbolos e ídolos consideráveis, e uma educação bem melhor que a nossa. Aposto que papai e mamãe disseram vários “nãos” para você. Eu já consigo driblá-los de cara e eles precisam lidar com os meus “nãos”. Não acho isso muito bom, porque sei que cresceria bem mais se as coisas fossem um pouquinho mais difíceis, como foram para você… Mas a realidade é essa!

- Eu chamaria essa coisa de “mimo”. Se bem que, apesar disso tudo que você falou, eu não deixo de ser mimado.

- É claro que você foi mimado sim, mas pela falta. Como faltou grana em alguns momentos, e o freio teve que ser puxado mais vezes, talvez nossos pais quisessem compensar de algum jeito. Eu fui mimada por excesso. Tudo estava ao meu alcance, a qualquer hora, do jeito que eu quisesse. O lado bom disso é que fui descobrindo que a informação também estava disponível. E eu poderia buscar, criar, pesquisar… Por isso acho que descobri o significado de Baby Boomer antes que você! O lado ruim é que cada vez minha sede aumenta mais. Não me contento com pouco. Talvez na hora de arrumar um emprego, isso seja um ponto fraco meu a ser trabalhado.

- É, pode ser que tenha que diminuir essa ansiedade que, como você diz, é típica dos Y´s. No meu caso, é claro que me angustiei ao buscar uma vaga no mercado de trabalho, e as exigências eram grandes. Mas vendo você, hoje, enxergo como na minha época as coisas eram mais fáceis. Eles exigiam o básico dos X´s. Um curso superior, um bom currículo, algumas palestras interessantes. E só. Vocês precisam se virar em malabares para uma boa vaga. Às vezes, fico indignado com isso!

- Pois é, mano.. as coisas não são fáceis para quem tem tudo de mão beijada…. eles sabem que temos o ouro nas mãos, mas a questão agora já não é mais saber agarrar esse ouro. É saber o que vai acontecer com ele depois que estiver em nossas mãos. Conseguir transformá-lo, produzir algo dele… Nada mais é estático – tudo se transforma o tempo todo!

- Deve ser por isso que tudo precisa ser tão inovador hoje em dia… Fico até cansado só de olhar!

- Se você fica cansado, imagina a gente, que passa por essa pressão todos os dias… Acho que eu estaria bem com minha mina de ouro particular… nem sempre quero que ela seja um diferencial, sabe? Quero mais é ser feliz, naquilo que gosto e sei fazer bem!

- É… Pelo visto, maninha, alguém vai descobrir esse seu talento, mas o número de cambalhotas que você vai ter que dar por dia só tende a aumentar!

- Tudo bem. Sou Y. E tenho você como X para me lembrar de fazer as coisas com qualidade, ainda que de forma ágil. Além disso, tenho a mamãe e o papai para não me deixarem esquecer do que realmente vale a pena!

- É isso aí… E nossos filhos, hein? Como será na época deles?

- Isso é assunto para um outro dia… Mas, provavelmente, nada que fuja muito de um dinamismo e uma velocidade sem igual. Algo que faça o chão tremer e que, se fizermos a nossa parte, será repleto de valor! Afinal, essa é a maior bagagem que podemos tirar de duas gerações que, mesmo vivendo em épocas diferentes, precisaram crescer vivendo “na corda bamba”… Got it?

- Quê?

- Perguntei se você entendeu o que eu quis dizer… Got it?

- Ahh, tá! “Got”ei sim…

- Ai, ai, ai… Desse jeito seus filhos não vão saber nem o que é “yes” ou “no”.

- Não tem problema. Como boa Y, você ensina para eles em 2 minutos! ; )

Related Posts with Thumbnails

9 Responses to “De que geração você é?”

  1. Clara Zaiantchik disse:

    Taty,
    Seu texto está super bem articulado e muito me orgulho de ser uma mãe baby boomer com filhos que ainda têm oportunidade de diálogo, o que é raro hoje em dia!
    Parabéns, me orgulho muito de você!
    Beijos,
    Mami

  2. Genny Kielberman disse:

    You are getting better by the day. It does not matter
    if you are X, Y, Baby Boomer, the text is very good and at the same
    time, fun to read!
    Congrats!
    “The most important thing in life is not to compete, but to excel in what you do”……some inspiration for your next post!”

  3. Ana disse:

    Taty!
    È gratificante ler seus textos! Porém, como sua ex educadora os mesmos não me surpreendem! Sabe por que? Sempre acreditei em vc. e sempre tive a certeza de seu potencial,sabia que em algum momento teríamos a resposta, acompanhando seu caminhar. Me atrevo a dizer que é só o começo! Vá em frente…torço por vc!
    Bjks.
    Ana.

  4. Charlotte disse:

    Oi Tati, que bom ler seus textos. Adorei e quero lhe lembrar que sou de uma geração anterior à de sua mãe.Portanto ,qual é minha classificação?
    Muitos e muitos beijos.Continue sua escalada que estou na torcida por sua ascenção . Beijos ,beijos e beijos mil
    Charlotte

    • Tatiana Kielberman disse:

      Obrigada pelos comentários de todas vocês!
      Continuem acessando o blog, pois ele sempre traz novidades e reflexões únicas!
      A geração que veio antes da minha mãe é a dos veteranos (nascidos até 1945.
      Um abraço,
      Tatiana

  5. Fernanda disse:

    Adorei ver a conversa entre duas gerações de idades tão próximas, mas de idéias distantes!
    E também de entendimentos díspares, e uma coisa que eu adicionaria ao rol de “por ques” da diferença, é a velocidade com que a informação é processada pelas gerações, pq elas chegam ao mesmo tempo a todos, mas as gerações mais novas tem mais facilidade em digerí-las e saber o que fazer com elas!
    Certamente meus sobrinhos e primos mais novos, de 10 a 18 anos, sabem manipular a virtualidade melhor que eu, mas tb posso dar por certo que eu e as gerações mais antigas sabemos melhor lidar com a realidade!
    Abençoado será o dia em que vier uma habilidade de lidar com a virtuo-realidade, quem sabe a geração Z?
    Hehehehehe!
    Beijos e continue assim, ótima!

    • Tatiana Kielberman disse:

      Fernanda, muito obrigada por sua contribuição!
      Realmente há uma diferença visível no modo como se processam as informações, mas o mais importante é saber que cada geração apresenta uma riqueza única e deve ser considerada sempre!
      Quanto à geração Z, alguns estudos estão sendo realizados, mas só teremos dados mais concretos mesmo quando eles entrarem no mercado de trabalho! Por enquanto, vale observar a garotada!
      Um abraço,
      Tatiana

  6. Marco disse:

    Tatiana,

    Ótimo texto! Você só esqueceu de frisar que a geração Y é marcada pelo culto ao superficial, ao efêmero! O que trará resultados brutais para as gerações futuras.

    • Tatiana Kielberman disse:

      Concordo com você, Marco! Na geração Y tudo é passageiro, mas ela própria se importa em deixar sua marca por onde que que passe! Ou seja, temos uma ambigüidade aí…
      Talvez os valores precisem se consolidar um pouco até que possamos entender essa geração repleta de paradoxos e questionamentos.
      Um abraço!

Deixe Seu Comentário