
Por Manuela Mesquita
“Genteee, vocês podem prestar atenção por favor!?” O pedido, quase que uma súplica, sempre foi bordão dos professores de colégio. Conseguir a atenção do jovem nunca foi tarefa fácil, nem quando “o mundo andava mais devagar” e os jovens ainda não sonhavam com a tecnologia.
E se não era simples antes, imagine agora, tratando-se de uma Geração Y ansiosa, dispersa, impaciente, e mais alguma atribuição que se queira dar?
Seja por culpa da tecnologia, da forma como fomos educados ou da rapidez com que o mundo gira ao nosso redor, desde sempre, temos sim uma certa dificuldade de ficar parados, até mesmo em frente à TV. Prova disso é que os blocos de programas infantis não duram mais do que 10 minutos. Pode reparar.
Há uma legião de profissionais de RH que passam horas queimando o cérebro para entender a melhor forma de motivar, entreter, reter, fazer a geração Y se concentrar em assuntos relevantes (ou nem tanto). Seja em palestras, na sala de aula e mesmo nas empresas, e que por essa característica única do “presto atenção só no que estou muito afim”, muito se tem discutido sobre o assunto em artigos, reportagens, livros, debates…
E então surgem as teses: use música, use luzes, use tecnologia de última geração, artifícios eletrônicos, movimento, 3D e sei lá mais o quê. Acho válido, sempre é. Mas as pessoas, às vezes, se esquecem que não é porque somos a “geração tecnologia”, que só seremos felizes e focados se ela estiver presente.
Em bom português, nós sabemos dar valor à criatividade e ao que foge do lugar comum sim!
E para exemplificar tudo isso vou contar uma história que ouvi esses dias e que pode servir de referência para muitos. A área do Grupo Foco que presta serviços de terceirização para a Avon tem a maioria de suas consultoras deslocada, trabalhando separadamente em unidades regionais e viajando constantemente. A comunicação entre elas é sempre feita por e-mail, telefone ou qualquer outro meio alternativo à presença física.
Recentemente, resolveram fazer um treinamento motivacional. Ou seja, além de integrar as consultoras, que mal se conheciam, precisavam discutir as novas formas de trabalho e elaborar projetos a serem desenvolvidos individualmente. Esse treinamento deveria acontecer em um dia e com um budget restrito.
E então, a ideia: foram a uma chácara próxima de São Paulo, com a roupa que quisessem, fizeram compras no supermercado (nas quais tinham valor e tempo limites, como num jogo) e optaram por elas mesmas cozinharem o almoço. Dividiram quem faria o quê de acordo com as habilidades e começaram a diversão. Algumas responsáveis pelos pratos, outra pelo som, outra por arrumar o local e por aí foi. Com os pés no chão e após terem degustado o cardápio que elas mesmas elaboraram, discutiram as novas estratégias de trabalho e colocaram a imaginação para funcionar, fazendo o trabalho render.
O resultado não poderia ter sido melhor. A fuga dos ares do escritório, da correria do dia a dia, fez com que elas conhecessem umas às outras de forma mais aprofundada e pudessem evoluir em questões do trabalho com seriedade e profissionalismo. E claro, com foco e concentração, já que na chácara distante, onde nem os celulares funcionavam, parece que atenção foi o que não faltou.
Pronto, simples assim. Objetivo atingido sem grandes gastos, apenas com o uso da imaginação e do tão falado “pensar fora da caixa”. E são a essas e outras coisas que a geração Y também dá valor, porque queremos o diferente, o novo, o incomum e não necessariamente o “hi-ultra-tech”. Got it?!





Olá Manuela, gostei de saber do trabalho da equipe Avon, parabéns!
Quem foi o idealizador?
Sobre aulas: Os professores e universidades precisam de um upgrade para educar, sem dúvida. Moro ao lado de uma escolinha e as crianças aprendem + com o Barney, aquele dinossauro roxo, do que a professora implorando por atenção.
Olá Renato,
As idealizadoras do trabalho foram a Tatiana Aprile, coordenadora de projetos e a Fabiana Gabrielli, diretora de projetos BPO da Avon! Realmente foi uma ótima iniciativa.
Obrigada.
Um beijo,
Manuela