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Por Mauro Segura

Era uma grande empresa, com milhares de funcionários, que estava numa curva de acentuado crescimento e contratando muita gente nova, especialmente da geração Y. Um dos programas existentes era uma reunião de boas-vindas, que ocorria pelo menos uma vez por mês. Os novos contratados eram chamados ao auditório para assistirem algumas apresentações sobre a empresa, sua organização e história.

Havia vários apresentadores e, na maioria das vezes, o presidente aparecia para falar um pouco da história, falava muito sobre os fundamentos da empresa, do passado e de como a empresa havia crescido nas últimas décadas, sempre com bases sólidas e valores fortes. O presidente costumava terminar sua apresentação segurando em suas mãos um livro sobre a história da empresa, cheio de fotografias e fatos históricos. Daí ele fazia uma pergunta para platéia, e quem respondesse acabava ganhando o livro, motivo de orgulho do presidente e de seu time executivo.


Um dia, num desses encontros, o presidente já estava terminando a apresentação, quando fez a tal pergunta. Um jovem, de 23 anos, com poucas semanas de empresa, respondeu a pergunta e ganhou o livro das mãos do presidente. Surpreendentemente, o jovem, ainda com o microfone nas mãos, falou: “Senhor Presidente, eu agradeço muito este livro que conta o passado e as glórias da empresa, mas, por acaso, o senhor tem aí um livro que fala sobre o futuro da empresa?”

Este caso ficou famoso e fez cair por terra a percepção que todos tinham, de que a apresentação de boas-vindas do presidente era impactante para os novos contratados. Decidiram fazer, então, uma pesquisa com os últimos participantes e descobriram que a maioria achava enfadonho e desinteressante ficar ouvindo fatos do passado da empresa, coisas distantes e desconectadas do interesse e do dia a dia dos jovens recém-contratados. Perguntaram o que eles queriam, e ficou evidente que os novos funcionários queriam saber dos planos da empresa para vencer no mercado, saber das oportunidades de crescimento e desenvolvimento e como o presidente imaginava a empresa para a próxima década. Ou seja, todos queriam o tal “livro do futuro”.

Então reformularam tudo. A reunião de boas-vindas passou a ser conduzida por funcionários mais jovens, compartilhando experiências positivas e visões de futuro. Mensagens entusiasmadas e de inspiração encheram as quase duas horas da reunião. No final, o presidente continuava aparecendo, ele falava brevemente sobre a história e como ele enxergava a empresa no futuro. A reunião sempre terminava de modo entusiasmado.

E o livro? O livro continuou sendo entregue, mas desta vez como uma inspiração para o futuro. Enfim, viva a geração Y.

Ah, essa história é verdadeira, mas não adianta perguntar a empresa porque essa eu não conto.

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8 Responses to “A ousadia jovem que transforma a cultura organizacional”

  1. Mateus disse:

    Pelo visto esta empresa já era aberta à participação jovem. Pois se fosse em algumas conservadoras talvez o rapaz que se pronunciou tivesse qeu passar no RH na hora.

    MATEUS

  2. Mauro, seria uma empresa localizada na Tutóia?

  3. Exemplo importantíssimo para quem ainda se apega na nostalgia do passado. De fato, só se interessam pelo passado de uma empresa as pessoas que o presenciaram, pois são recordações. Mas para quem acaba de chegar, ouvir essas histórias gloriosas é realmente um começo muito enfadonho para quem quer pôr a mão na massa…

    É claro que saber alguns aspectos que nortearam os rumos, os sucessos e fracassos, é importante para se conhecer a essência, a conduta e os valores do empreendimento, mas tudo com uma boa dose de limite.

    Mas cá entre nós, Mauro… esse case é tão fictício quanto aquele da faxineira que limpava os vidros da sala em plena reunião de pesquisadores e revolucionou o conceito, com sua intervenção, falando sobre o calibre do bico do creme dental, não é, rsrsrs

    Grande abraço!

    • Mauro Segura disse:

      Adriano. Esse caso é real e aconteceu no início de 2008. Só não escrevi o nome da empresa, nem dei pistas sobre ela, porque eu não recebi autorização para isso. Existe um único ponto adicional que quero citar. A empresa abriu os olhos não somente em função do caso que descrevi. Outros sinais foram identificados mostrando que o processo de aculturamento e formação dos novos funcionários estava equivocado. Abraços. Mauro.

  4. Mauro Segura disse:

    Mateus.
    A empresa não era muita aberta à participação jovem, tanto é que o comentário do jovem contratado não foi bem recebido por parte dos executivos. Alguns comentários que rolaram foi que o jovem foi inconveniente e irônico. Mas a bom senso apareceu e decidiram entender o que havia por trás daquela pergunta. Enfim, a empresa já vinha passando por um processo de transformação cultural e aquele fato foi mais um entre tantos. Abraços. Mauro Segura.

  5. Mauro Segura disse:

    Guilherme. Não é uma empresa localizada na Tutóia. Ou seja, não é a IBM não. Abraços. Mauro Segura.

  6. Enfim….o famoso desapego…quando será que as empresas…principalmente familiares perceberão que “somente o que muda permanece”????

  7. Josevaldo disse:

    A inquetação deste jovem foi que levou o mesmo a crescer dentro da empresa, pois acho que logo ele ganhou uma promoção. Com esse exemplo, devemos busca no mercado de trabalho, empresa comprometida em pensar no fururo e retransmitir para seus colaboradores, mensagens de como eles podem crescer dentro da organização e fazer com que a mesma cresça e chegue ao topo no mercado.
    Pensar no amanhã, agir hoje e comemorar as vitórias que as lutas nos trás.

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