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Lya_Luft
Por Manuela Mesquita

Para Lya Luft, romancista, poetisa e colunista da revista Veja, grande parte dos adultos são consumistas, inseguros e desorientados. A atual sociedade sofre pela falta de autoridade e a presença de teorias insensatas de educação. As maiores vítimas? Os jovens, que não têm sido devidamente orientados para o mundo que se abre ao seu redor.

Em entrevista exclusiva ao Foco em Gerações, a autora, que também é professora universitária, fala sobre juventude e educação, argumentando que a geração Y não é necessariamente egoísta e arrogante. Confira entrevista:

A senhora costuma falar muito, em seus artigos, que hoje os filhos não respeitam os pais como antigamente. É visível que atualmente passamos por uma inversão de valores, mas em sua opinião, por que isso acontece?

Apenas mudaram os parâmetros de comportamento. A meninada, em algumas famílias, aprende em casa a ter pouca gentileza, pouca educação.

A senhora acha que a qualidade de vida dessa geração é melhor ou pior do que antes?

Em muitas coisas é incrivelmente melhor, sobretudo pelo acesso a todas as maravilhas do mundo pela internet. Por outro lado, internet tem seus perigos também. É preciso discernimento para escolher e nem sempre família e escola lhes proporcionam isso.

Há soluções viáveis que amenizem os conflitos entre gerações tão comentados em seus textos?

Não creio. Conflitos de gerações sempre existiram e são normais. Hoje, porém, a autoridade virou artigo de luxo e as coisas se complicaram.

Em seu livro “Perdas e Ganhos”, há uma forte discussão entre o que se perde e o que se ganha por meio do processo de escolha. Como a senhora enxerga esse paradoxo nos jovens de hoje? Há um processo de conscientização que vai além do superficial?

Nunca achei que a juventude hoje fosse toda frívola, penso que nós adultos somos bem piores, consumistas, inseguros e desorientados. Mas atenção, não todos! Não acho nossos tempos modernos piores que os de antes, pelo contrário. Em alguns aspectos estamos sofrendo pela falta de autoridade, teorias insensatas de educação etc. Nada mais.

Ainda falando sobre o livro, sabemos que estamos lidando com a chamada Geração Troféu, que era premiada até quando perdia, que dizemos que teve tudo de “mão beijada”, à qual os pais deram liberdade porque estavam ocupados trabalhando demais e sentiam culpa por isso. A senhora acha que esse tipo de educação pode prejudicar na questão do autoconhecimento e consequentemente, das escolhas desses jovens?

Na década de sessenta e logo depois do “é proibido proibir”,entraram no Brasil teorias muitas vezes tortas e mal entendidas.A autoridade e a disciplina foram relegadas a coisas antiquadas.Todos sofreram com isso.

Sou contra o autoritarismo, mas a favor de uma autoridade amorosa, que é cuidado, e quem ama cuida. A meninada anda muito largada.

Muitos dizem que a geração atual só dá valor para o hoje, não planeja o futuro, não cria expectativas ou situações que lhe garantam um futuro melhor. Qual a opinião da senhora sobre isso?

Não se pode generalizar. A maioria dos jovens é de guerreiros, lutadores, que estudam, trabalham e enfrentam mil problemas.

Ao escrever para a revista VEJA, a senhora atinge um público bastante variado, mas não se pode negar que a maior parte dos leitores pertença à elite brasileira. Constantemente, há comentários em suas crônicas que se dirigem ao jovem como hipócrita, arrogante e egoísta e essas características também são sempre citadas quando o assunto é geração Y. Mas isso se aplica também às camadas menos privilegiadas da população?

Nunca pensei que meus comentários dariam a entender que acho a juventude arrogante etc, porque não acho. Tenho sete netos, idades entre 6 e 21 anos e sou admiradora deles. Temos uma relação bem humorada e amiga. Má criação não escolhe camada social. E lembro que revistas e jornais hoje são usados em escolas públicas, de modo que não creio que só a elite me leia. Os pobres não andam tão alienados.

Ao longo de sua trajetória de vida, muitas experiências fizeram com que a senhora se tornasse quem é hoje: uma renomada escritora admirada por muitos. Como a senhora enxerga a relação do jovem com a literatura atualmente?

Quando um pai se queixa de que seu filho não lê, pergunto quantos livros ele leu nessa semana, nesse mês, quantos têm em casa.

Em família que não lê, em geral, os filhos não lêem.

Mas vemos que certa literatura dita juvenil vende muitíssimo, mostrando que jovens lêem, desde que encontrem o que interessa. Um erro grave é querer que aos 14 anos leiam Machado de Assis.

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3 Responses to “Autoridade virou artigo de luxo”

  1. yuri amaral disse:

    gostei da entrevista. bastante realista.

  2. Mônica Estanislau disse:

    sem dúvidas nenhuma, um exemplo de mulher. Sou fã assumida da Lya, e seus textos já fazem parte do meu dia a dia.
    Parabéns pela reportagem.

  3. Clara Zaiantchik disse:

    Excelente entrevista!

    Lya Luft sempre me traz os melhores insights e reflexões.
    Bom vê-la aqui no blog!

    Beijos!

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