Por Grace Boyle*
Eu cresci ouvindo as histórias de meu pai, que contra a sua vontade foi enviado a lutar no Vietnã, cresceu nos anos 60 e 70, assistiu à briga pelos direitos civis e geralmente discordava do jeito convencional de seus pais. Durante aquele período havia um grande alvoroço para mudanças e a geração dos Baby Boomers desafiava os pensamentos, tradições e crenças da época.
Eu, entretanto, tenho um relacionamento maravilhoso com meus pais Baby Boomers. Uma pesquisa intitulada “Quarenta anos após Woodstock, um gap mais delicado entre as gerações”, do Pew Research Center, traz à tona a minha (na maior parte das vezes) borbulhante relação com meus pais, enquanto trata também de nossas inevitáveis diferenças.
Laços parentais:
Vamos começar do início. Em termos de relações entre pais e filhos, apenas 10% dos que responderam à pesquisa e que têm filhos menores de 16 anos dizem que geralmente há mais atritos quando eles estão no final da adolescência ou perto dos 20 anos. Mas 19% dos pais entrevistados dizem que tiveram as maiores discordâncias com seus próprios pais.
Além disso, os pais de hoje passam mais tempo com seus filhos da Geração Y. Quase metade (48%) dos pais de crianças de 16 anos ou menos dizem que estão passando mais tempo com seus filhos do que seus próprios pais passaram com eles, mostrando um número maior que o obtido na pesquisa feita para a revista Newsweek em 1993, cujo resultado foi 42%.
A maior barreira entre gerações:
Apesar dos pontos positivos da pesquisa com os pais, nós ainda discordamos. O maior gap que a pesquisa mostrou foi a diferença na relação com a tecnologia. Minha mãe sempre reclama que é muito difícil e desafiador para ela escrever um post no blog, navegar em seu celular novo e até mexer na televisão. Eu não penso duas vezes quando preciso lidar com fios, brincar com um novo dispositivo ou com o mundo online. Eu vivo e respiro isso, porque não conheço outro caminho. A Geração Y cresceu dessa forma e, honestamente, torna-se quase algo inato.
Eis as diferenças entre os Boomers e a Geração Y. A porcentagem dos colaboradores que disse que os mais jovens e os mais velhos são “muito” diferentes se baseia nos seguintes fatores:
• O modo como utilizam computadores e nova tecnologia: 73%
• A música que apreciam: 69%
• A sua ética no trabalho: 58%
• Seus valores morais: 54%
• Respeito ao próximo: 53%
• Suas visões políticas: 43%
• Suas crenças religiosas: 41%
• Suas atitudes diante de diferentes raças e grupos: 34%
Apesar das diferenças, nós “sacamos” uns aos outros:
Enquanto meu pai e minha mãe questionaram o estilo de vida conservador e as crenças “fora de moda” de seus pais, típicos da época da II Guerra Mundial, eu posso dizer que tenho menos motivos para desafiar e estar contra meus pais. Eles agiram em grande parte de acordo com o modelo. Minha mente é avançada e aberta, muito por causa deles. É claro que eu discordo (oh, anos de adolescência), mas encontrar campos em comum com eles não é difícil.
Voltando à pesquisa, “parte dos Baby Boomers que desafiaram seu status quo poderiam chegar à conclusão de que estavam desafiando seus pais”, diz Matt Heineman, 26 anos, um cineasta que trabalha como freelancer em Nova York “Nós não estamos necessariamente desafiando nossos pais. Estamos tentando entender os desafios do mundo para poder enfrentá-los.”
Essa é uma comparação que eu nunca havia considerado antes. Agora que eu penso em meu relacionamento com meus pais, que são na maior parte das vezes meus amigos, e seus próprios pais, vejo similaridades. Sem dúvida, sempre haverá diferenças entre as gerações e minha família não é a família do resto do mundo, mas a conclusão é que ambos os grupos possuem uma forte conexão.
David Morrison, 41 anos, do Twentysomething Inc., uma empresa de consultoria e pesquisa na Philadelphia concorda: “ A Geração Y ‘saca’ seus pais Boomers, pois entende completamente de onde eles estão vindo. E os pais Boomers, de certa forma, ‘sacam’ a Geração Y.”
Como você se sente sobre seu relacionamento com seus pais? Você acredita que há uma barreira ou concorda que pode haver um campo comum para se dar bem com eles?
Grace Boyle é uma aventureira de 23 anos. Ela mora em Boulder, CO e trabalha com Desenvolvimento de Negócios para startup na empresa Lijit. Ela bloga no Small Hands, Big Ideas e ama interagir encontrando novas pessoas (independente de que geração sejam).






Sinto que, durante a adolescência, tive mais dificuldade para lidar com meus pais – e ser lidada também. Eu queria fazer parte do grupo de pré adolescentes que sai de casa e se joga em lugares desconhecidos, e meus pais – mais precisamente o meu pai – tinham medo que eu cometesse as mesmas loucuras que eles. Hoje agradeço o cuidado, mesmo reconhecendo que foi excessivo, e me sinto uma adulta muito de boa com papai e mamãe. =)
Saem cedo para o trabalho, quando não chegam calados o estress é evidente. Pergunto-me: – Qual é a lógica para isso?