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Manuela Mesquita

Faça uma rápida estatística: entre todas as pessoas da Geração Y que você conhece e que, de fato, tenham as características típicas da tribo ( ansiedade, impaciência, rapidez, informalidade), quantas pode considerar realmente organizadas? Em quantos você encontraria um quarto sem roupas fora do cesto ou do armário, CDs organizados por nome, cama arrumada, sapatos no devido lugar, papéis separados em pastas, etc?

Acho que ainda não existe um estudo aprofundado sobre isso e nem números reais que demonstrem essa proporção. Mas pensando aqui na minha mesa, entre mil papéis espalhados, anotações, calendário, canetas coloridas, ursinho de recados, creme de mão, celular, CD’s, mp4, um saquinho de adoçante e alguns post-its pendurados, não consigo me lembrar de ninguém dessa minha geração que prime pela ordem, a começar por mim mesma.

E, sinceramente, acho que não é por preguiça ou desleixo, mas simplesmente por não considerarmos isso, de fato, importante em nossas vidas.

E o raciocínio é simples: temos informações novas e diferentes o tempo todo, mudanças de estratégias, de teoria, de acontecimentos, diferentes invenções, além de fazermos mil coisas simultaneamente. Como e pra quê ser tão organizada neste contexto?

Longe de mim fazer apologia à bagunça, mas o conceito é outro, nossa educação foi outra. E sim, admito que fomos mal acostumados, já que grande parte do tempo da nossa infância e adolescência tínhamos alguém fazendo isso por nós. Especialmente no Brasil onde a maior parte da classe média pode ter uma empregada todos os dias em casa. E aí é que vejo a grande diferença entre essa e as outras gerações.

Tenho ainda outro exemplo que expõe bem a mudança de paradigmas. Lembro de, na minha infância, minha mãe ser neurótica por organização e limpeza. Ela não tolerava um copo d’água por mais de cinco minutos na pia e tinha chiliques quando eu deixava de arrumar minha cama numa manhã. Hoje parece que ninguém mais passa roupa! As roupas se auto-desamassam, os tecidos são preparados pra isso… Imagina se a gente tivesse que fazer essa tarefa…

Quando cresci e minha mãe começou a trabalhar fora, as tarefas triplicaram e ela já não tinha mais tanto tempo para supervisionar full-time a organização do lar.

Resultado? Essa não era mais a prioridade de ninguém, nem minha (que, aliás, nunca foi), nem dela, que tinha outras preocupações. Claro que a casa da minha mãe continua sendo dez vezes mais organizada do que a que moro com as amigas, e sinto que minha bagunça ainda incomoda (e muito!), mas menos do que há alguns anos.

Fico pensando como uma pessoa metódica com organização vive num mundo em que as pessoas têm milhões de tarefas diárias, enfrentam trânsitos bizarros e necessitam se virar em vinte para dar conta de tudo. Imagine se eu não fosse maleável com as mudanças de conceitos, de processos, de trabalho diário? Imagine se não conseguisse trabalhar num ambiente barulhento, com diversas coisas acontecendo e eu tendo de desenvolver tarefas totalmente diferentes, com mudanças de posicionamento e idéias. Acho que eu seria, no mínimo, um pouco mais estressada com relação à bagunça do resto do mundo.

Dizem que criatividade nunca combinou com organização. Se é verdade ou não, não sei, mas sinceramente não penso que produzo menos por não organizar sempre tudo. E por mais que duvidem, considero minha bagunça digna de respeito e cuidado, porque se mexem em algo, com o intuito de “arrumar”, ai sim o bicho pega. Eu me acho na minha bagunça. E você? Consegue ser um multitarefa, ansioso e totalmente organizado?

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