
Flávia Vianna
“O diálogo vai superar os desmandos hierárquicos”, diz Helena Pessin, 52 anos, superintendente de desenvolvimento humano da Usiminas, em uma reportagem super interessante e completa da Revista Época Negócios deste mês (janeiro 2010 | Ano3 | nº35) sobre “Empresas Y”. São “cases” de reciclagens institucionais positivas pelas quais grandes empresas como IBM, Andrade Gutierrez, Leroy Merlin e Kimberly-Clark estão passando.
São bons exemplos de empresas que conseguiram chegar a um resultado positivo para a equação proposta pela Indira Hasen em um artigo recente aqui no Foco em Gerações: “X+Y dá quanto?” Se este foi o problema que estas empresas levaram como dever de casa, elas trouxeram soluções inteligentes como resposta e ganharam cinco estrelinhas no caderno (ok, ok, eu sei que isso é coisa só de geração X).
Políticas de abertura para diálogo e menos formalidade entre gestores e subordinados, metodologias de treinamento com programas de estágio renovados, diretores deixando multinacionais por não aceitarem a quebra de barreiras hierárquicas. Isso é o novo modelo de empresa que, naturalmente, está sendo ditada ao mercado pelo darwinismo corporativo das novas gerações. E quem escrever errado vai bombar na prova (ok, ok, eu sei que isso é coisa de geração X tentando falar como Y).
E, nada mais óbvio que, para ter diálogo é preciso falar a mesma língua. Mesmo se a língua do emissor ou do receptor tiver um piercing prateado. A área de recursos humanos da siderúrgica Usiminas, por exemplo, criou workshops para ensinar seus gestores a dialogarem com os jovens. A IBM inovou o seu programa de mentoring, e, ao invés do funcionário mais velho ser mentor do mais novo, agora também os novatos orientam os mais experientes, transmitindo, por exemplo, sua expertise de redes sociais e novas mídias.
Em uma realidade de mercado em que a diferença de idade entre o funcionário mais novo e o mais velho de uma empresa pode ultrapassar 50 anos, não se pode ignorar a necessidade desse diálogo funcional. Mudar a cultura organizacional exige tempo, energia e disposição dos gestores. São quatro gerações diferentes tentando se entender, produzir, compartilhar, debater e tomar decisões em conjunto. (ok, ok, eu sei que parece impossível, mas já tem empresa conseguindo).
Os cinqüentões de plantão, ex-surfistas de longboard, estão aprendendo a surfar nas ondas do Google Wave, enquanto que jovens executivos ganham espaço e poder de decisão, orientados pelos mais experientes. É inteligente investir em soluções de gestão de talentos que aproveite o que de melhor cada pessoa pode oferecer, de acordo com os valores e características de cada geração.
E se estamos falando de diálogo, não tenho como terminar este post sem a indicação de leitura “Carta de um Y ao seu filho”, escrita por Anna Carolina Ortiz Gorski. Afinal, o convite para um diálogo mais saudável entre gerações não pode ser apenas profissional/empresarial, mas principalmente, interpessoal. Leia, pense, e dialogue com você mesmo. Um ótimo bate-papo para todos!





Os diálogos estão mais flexíveis, mais amplos. Isso é o ponto positivo que pesa na hora da administração. Empresas que ainda mantêm no alto escalão Pinochet irão ser ultrapassadas pelas Piaget. Tenho esse exemplo dentro de casa, de meu pai quarentão tendo dificuldades para se adaptar aos recursos 2.0 em sua empresa, porém é preciso.
Oi Garon,
concordo que as empresas vão ter que se adaptar a esse novo cenário e muitas ainda não estão atentas para isso ou dando o devido valor e priorização a esta reciclagem necessária.
Valeu aí pela participação!
Bjs
É um pouco fora da minha realidade, pelo menos por enquanto (ou talvez eu esteja errado e essa seja a realidade de todos), mas eu gostei muito do texto. É claro que prestei mais atenção nos “ok, ok”, porque adoro ver essas tiradas (tenho essa tendência de observar estilos ao invés de conteúdos, por motivos óbvios…), mas tenho minhas certezas. E essas certezas são próprias da minha geração, uma geração que se acha conhecedora de tudo. No entanto precisamos e sempre precisaremos da geração x para nos orientar e passar sua vasta experiência às nossas ideias em 140 caracteres e afins… Embora muitas empresas priorizem pela inovação e por gente nova, pelo rodízio etário dos funcionários, a verdade da minha última sentença é inquestionável.
Parabéns pelo post!
Beijão Flávia!
Olá meu escritor favorito!
(ok ,ok, eu sei que você vai dizer que também tem que aprender muitas coisas comigo)… 
Bom, em questão de estilo, tenho que aprender muito ainda com você, meu caro
Acho que a relação mais saudável e produtiva dentro de uma empresa é quando se permite a troca de expertises entre as gerações. Cada um com seu cada um. O importante é estar aberto para esta aprendizagem, para o crescimento como pessoa e como profissional. E isso, só se dá com diálogo. O resto, vem naturalmente.
Beijos, querido! Valeu pela troca! Os diálogos com você são sempre ótimos.
Menos Pinochet e mais Piaget. E, sobretudo, muito mais @FlaviaVianna sempre no site, nos presenteando com textos informativos e gostosos de ler.
“O diálogo vai superar os desmandos hierárquicos”. Essa frase diz tudo! O que realmente me impressiona é que a maioria das empresas ainda não entendeu que mesmo o “time que está ganhando” precisa se mexer, se não quiser ser engolido pela concorrência e perder o que faz a empresa de verdade, que são os bons colaboradores.
E o meu questionamento diário é porque é tão difícil para as empresas – ou algumas pessoas nelas – aceitarem e utilizarem o dialogo, a abertura e a facilidade, ao invés da burocracia. Parece desejo de complicar!
Texto incrível Flavia! É ótimo para minha sanidade e para minha vida profissional saber que EXISTEM empresas que vêem que há maneiras melhores de fazer as coisas e as fazem!
E pensar que estou a 5 minutos da Kimberly-Clark… =)
Beijo!